Preço do suíno vivo reduz. Da carne, sobe

Os suinocultores gaúchos estão apreensivos com a queda no preço pago pelo quilo do suíno vivo. Entre 1º e 25 de janeiro, o valor reduziu em R$ 0,45, segundo pesquisa divulgada pela Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs).

De acordo com o presidente, Valdecir Luis Folador, o suinocultor já trabalha com margem negativa devido à disparada do preço do milho e do farelo de soja, principais insumos utilizados na confecção da ração.

Segundo ele, o preço da saca de milho de 60 quilos está orçado em R$ 47, colocado na granja em Santa Catarina. No RS, esse valor chega a R$ 41. “O quilo do grão chega a R$ 3,40 e o preço de venda apenas R$ 3,30.”

Em janeiro de 2015, a situação era mais confortável. A saca de milho estava cotada a R$ 24,60, o custo do suíno em R$ 2,90 e o valor recebido era de R$ 3,88, de acordo com dados da entidade. Além do milho, outros itens tiveram reajuste como a energia elétrica, óleo diesel e impostos.

Folador alerta para possível escassez de milho no estado devido à alta nas exportações. Acredita que a liberação dos estoques da Conab não soluciona o problema, apenas ameniza. “Seis mil quilos por produtor é pouco na venda a balcão e o preço chega a R$ 36,60 a saca.”

Projeta um trimestre bastante complicado para o setor com preços em queda, menor consumo devido à alta da inflação, menor poder aquisitivo, período de Carnaval e compras de material escolar. Ao produtor, recomenda cautela e buscar o máximo de eficiência para a granja. Projeta estabilidade ou até mesmo menor preço da saca de milho a partir de fevereiro quando inicia intensifica a colheita.

Exportações

Uma boa notícia para o setor foi o início das vendas para a China nos últimos meses, além da liberação recente das exportações de Santa Catarina para a Coreia do Sul. Folador analisa o cenário com cautela. “Esse mercado tem que ser conquistado. Eles já têm quem os abastece. Na hora que visitarem o Mapa, indústrias e produtores, teremos uma noção do que pretendem comprar. Não é da noite para o dia, com certeza”, esclarece Folador.

A Rússia foi o país que mais comprou carne de porco do Brasil no ano passado, com quase metade das exportações. Em 2015, o país vendeu 555 mil toneladas de carne suína para outros países, com aumento de 9,7% em relação a 2014.

Novos investimentos

Na contramão da crise, o agricultor Beno Dick, 55, e o filho Anderson, 18, de Canudos do Vale, investem R$ 560 mil na construção de dois chiqueiros para alojar mil animais. O cultivo de 20 mil pés de fumo será abandonado no próximo ciclo devido à baixa remuneração e problemas meteorológicos enfrentados nas últimas safras.

“Meu filho queria ficar, no entanto, era necessário termos outra fonte de lucro e não poderia ser o tabaco. A suinocultura surgiu como opção.” Toda estrutura será automatizada. Para complementar a renda, a família mantém dez vacas leiteiras.

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