Pós NRF apresenta novidades e tendências para varejistas de Lajeado

Evento apresentou as novidades da NRF a partir de profissionais que participaram da feira em Nova Iorque

A NRF Big Retail’s Show é considerada a maior feira do varejo mundial, apresentando novidades, inovações e tendências através de exposições e mais de 300 palestras em três dias. Realizada em Nova Iorque, entre os dias 15 e 17 de janeiro, a edição de 2017 contou com a presença de um grupo de brasileiros e quatro deles estiveram nesta terça-feira (21) em Lajeado para compartilhar sua experiência no “Pós NRF – o novo varejo”. Promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lajeado, em parceria com a Top Travelling, o evento reuniu empresários e profissionais do setor nas dependências do Shopping Lajeado. Ao dar as boas-vindas, o vice-presidente de Capacitação da entidade, Ricardo Luís Diedrich, ressaltou o desafio de se implantar as práticas citadas na feira à realidade local e Samanta Pinto, diretora da agência de viagens, enfatizou: “A NRF faz a diferença na vida de quem participa”.

Elifas de Vargas, diretor da Kreativ e integrante da CDL Jovem, foi quem iniciou o painel, abordando o fantástico mundo da feira e explicando o que é, o que se vê e como adaptar os exemplos macros para a realidade micro. Com relatos sobre o que o grupo conheceu e o que está sendo feito nos Estados Unidos, ressaltou o uso das mídias sociais e a importância de se conhecer seus recursos e o potencial de seu alcance. Segundo ele, a grande preocupação desta edição da NRF foi com questões relacionadas à atendimento e ao foco nas pessoas, e quem souber fazer a diferença nesses quesitos, colherá os resultados. Questionando os presentes sobre como estão tratando os consumidores e o que estão fazendo para deixá-los felizes, esclareceu: “Quanto mais fizermos diferente para nosso cliente, mais perto de nós ele vai ficar”.

A experiência de compra e o uso da tecnologia foram destacados pelo diretor de produtos das Lojas Dullius, Daniel Dullius, através de uma visão sobre as visitas técnicas realizadas na famosa “Big Apple”. Ao relatar o contato com empresas como Rebecca Minkoff, Sephora, Victoria’s Secret, Tesla e Ray Ban, Dullius apresentou dados sobre lojas físicas e virtuais e tranquilizou os empresários: “A loja física não vai terminar, mas precisamos entender que a internet está muito forte. O que se faz nela é que vai trazer o cliente para a loja”. Segundo ele, o varejo precisa se reinventar pois o consumidor não compra mais apenas o produto e precisa de um motivo para ir até o ponto de venda. Afirmando que “experiências vão definir o sucesso em todos os canais”, o lojista alertou que o mais importante agora é pensar no que se pode fazer hoje para mudar o amanhã.

Para mostrar o porquê das coisas estarem acontecendo e de que forma se processam as mudanças de mentalidade, o diretor da agência Escala, João Miragem, apresentou o “mundo pós-demográfico”, no qual a nova lógica é a forma diferente de dividir o mercado. Para ele, o foco agora é o indivíduo e a segmentação deve estar voltada para estilos de vida e preferências, e não mais baseada em dados demográficos como idade, sexo e formação. Assim, os varejistas precisam entender que o consumo atual vem de uma nova geração, inserida em um ambiente no qual o centro são as pessoas. O grande alerta da NRF é sobre a necessidade de se entender as novas interações e saber usar a tecnologia para impactar esse público, que transformou a forma de se vender e comunicar. “O mundo agora responde a um novo formato. As distâncias são menores e se relacionar com todos é fácil”, salientou. Para ele, diante dessa nova realidade, é fundamental que se transforme o ponto de venda em um mundo de experiências que signifiquem algo, pois a influência tem mais valor que o dinheiro. Dessa forma, surge a ressignificação do vendedor, protagonista no quesito atendimento e que trabalha diretamente com a marca, fazendo da equipe o principal veículo de comunicação. Mirage ainda acentuou a relevância de mudança nos processos, pensando não apenas nos clientes, mas também no público interno. Ele sugeriu a valorização de três pilares – pessoas, serviços e produtos – que, alicerçados por tecnologia, garantem a entrega da tão desejada experiência estendida.

A era pós-digital e as novas relações de compra direcionaram a fala do diretor de expansão das lojas Trópico, Gustavo Schifino, que apontou a atuação da nova geração – denominada “nativos digitais” – na transformação das relações e do mundo. Segundo ele, em 5 anos, 95% da população vai ter um smartphone e, para essa geração que nasceu conectada e pode facilmente comprar pela rede, o varejo físico precisa oferecer experiências totalmente diferentes. Ao definir os nativos digitais, ele explicou que são pessoas focadas em sua maneira de ver o mundo, que possuem mais amigos virtuais do que reais, se preocupam com a opinião dos outros, são ansiosos e se comunicam com as pessoas e com o mundo através do celular. Eles não têm ilusões sobre o futuro e não possuem um pensamento linear. Estudam, trabalham e se divertem ao mesmo tempo e são totalmente direcionados para a busca do prazer e da felicidade.  Nas relações de emprego, “eles não querem trabalhar para ti, mas trabalhar contigo”, advertiu. Por tudo isso, Schifino acredita que o varejo tradicional acabou e que se tornou fundamental encontrar formas de pensar e inserir a tecnologia nas lojas. Ao afirmar que “o que assusta os varejistas não é a crise, a falta de dinheiro, mas a digitalização e é para esse mundo que precisamos nos preparar”, ele citou o surgimento de novas métricas. A partir de agora, a loja é o produto e quem não se adaptar a isso sentirá os efeitos em breve. “Tem que ter paciência e senso de urgência. O time precisa estar em sinergia para enfrentar esse momento de turbulência”, preveniu. O profissional ainda é otimista: “Realmente é um mundo muito melhor que vem pela frente”.

Fonte: Simone Rockenbach

Fonte Simone Rockenbach - Comunicação Empresarial

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