Plantação de aipim diminui 100 hectares em apenas um ano

A falta de mão de obra, instabilidade no preço e a ausência de máquinas para auxiliar no serviço da lavoura refletem na diminuição da área plantada.

Conforme dados da Emater, dos 700 hectares plantados no ciclo anterior, o espaço destinado para a raiz encolheu para 600 nesta safra.

“A idade avançada, a falta de sucessores, queda na produtividade devido ao ataque de pragas e o valor baixo pago pelo quilo desmotivam o produtor a seguir na atividade”, comenta o técnico em Agropecuária Maurício Júnior Antoniolli.

Com a oferta menor, produtores preveem aumento no preço pago pela caixa de 22 quilos. A estimativa é de chegar a R$ 35 na Ceasa, destino de 80% da matéria-prima colhida na cidade – a quarta maior fornecedora da raiz no estado à central de abastecimento.

Segundo Antoniolli, a soja, produção leiteira e hortigranjeiros são alternativas que ganham espaço no meio rural. Com boa valorização no mercado e relevo plano, ideal para uso de máquinas, a soja saltou de 3,1 mil hectares para quatro mil.

Para ele, a rotação de culturas é essencial para preservar o solo e melhorar a estabilidade econômica das propriedades. “Diversificar ajuda a incrementar o lucro.” No caso do aipim, para garantir melhor preço ao produto, aconselha o beneficiamento da raiz ou a venda para agroindústrias instaladas na cidade.

Antoniolli destaca a dificuldade de organizar grupos para buscar novas tecnologias, negociar preço mínimo e abrir novos mercados. Além da área reduzida, a produtividade para esta safra foi comprometida pela atuação do fenômeno El Niño. O excesso de umidade favoreceu o aparecimento de pragas e doenças como a bacteriose, que faz as plantas murcharem. A estimativa é de colher até dez toneladas por hectare.

“A saída é diversificar”

Após 17 anos, a lavoura de aipim deixará de ser a principal atividade econômica na propriedade da família Diehl, em Linha Sítio. No próximo ciclo, iniciam o cultivo de repolho, abóbora e milho-verde. “Reduziremos em 50% a área”, projeta Marinês.

Com problemas na coluna, provocados pelo trabalho braçal, ela e o marido Ireno investem em culturas em que a necessidade de mão de obra é menor. “De nada adianta o preço chegar aos R$ 35, se colhermos menos por hectare e se não tivermos opção de maquinário para a colheita, etapa mais judiada.”

Nesta safra, a cultura ainda ocupa oito hectares. As primeiras raízes começam a ser colhidas em março. O excesso de umidade prejudicou o desenvolvimento das plantas. “Por pé, serão aproveitadas apenas três raízes. O normal seria sete.”

O beneficiamento da raiz estava entre os projetos da família, no entanto, esbarrou no alto investimento para legalizar o empreendimento. Para Marinês, os produtores deveriam se unir e criar uma associação, uma das saídas para negociar preço, buscar novos clientes e tornar a cultura mais rentável.

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