PIB per capita cresce nas cidades do Vale

O IBGE divulgou na sexta-feira, dia 18, o índice de PIB per capita dos municípios brasileiros. O estudo é referente ao ano de 2013. Dos 38 municípios da região, apenas três tiveram desempenho inferior ao último levantamento, de 2010.

Imigrante, Arroio do Meio e Lajeado lideram o indicador no Vale. Juntos com Estrela, Westfália, Muçum e Teutônia, integram o grupo de municípios gaúchos com mais de R$ 30 mil de geração de riqueza por habitante ao ano.

De acordo com a economista e presidente do Codevat, Cíntia Agostini, a liderança no ranking regional ficou com municípios que sempre apresentaram bons indicadores em termos de produção econômica.

Segundo ela, a análise do índice deve levar em consideração o crescimento populacional do município para determinar se houve evolução na economia. Explica que o índice pode subir simplesmente pela diminuição da população e não necessariamente pelo aumento dos índices produtivos.

“No caso do Vale, as cidades têm um crescimento populacional uniforme, com milhares de pessoas vindo de outras regiões todos os anos”, aponta. Conforme a economista, o motivo para a elevação econômica é o número crescente de empresas fixadas na região e o aumento da formalização das atividades no campo.

“A renda informal não é contabilizada no indicador”, ressalta. Cíntia destaca as referências dos índices de desenvolvimento, como o IDH e o Firjan, para avaliar o quanto o avanço do PIB significa melhoria na qualidade de vida da população. Cidades do Vale estão entre as principais do estado em ambos indicadores.

Distribuição de renda

Para o presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ito Lanius, a ausência de indústrias de grande porte na região explica, em parte, os resultados do levantamento. Segundo ele, principal característica do Vale é a existência de muitas pequenas e médias empresas que, mesmo não produzindo grandes volumes dinheiro, distribuem de maneira mais uniforme os recursos gerados.

“Graças a essa boa distribuição de renda, nossa população tem índices de qualidade de vida elevados”, reforça. Lanius credita os resultados à característica heterogênea da economia, com predomínio do setor alimentício.

“Temos grande produção de frangos suínos e leite, além de outros produtos em menor escala, como os ovos”, ressalta. Além dos resultados do agronegócio, a indústria de transformação cumpre papel essencial nesse cenário, por agregar valor aos produtos do campo.

“Isso assegura o retorno da riqueza produzida para a própria região”, acredita. Mesmo assim, defende a ampliação da participação regional na composição do PIB gaúcho. Segundo ele, o percentual que já foi de 4% caiu para 3,43% em 2012.

Sistema produtivo

Conforme a presidente do Codevat, sistemas diferentes ajudam a compor o PIB dos municípios. Um deles está relacionado à capacidade de fabricar produtos ou produzir alimentos no campo. Outro é o sistema extrativista, baseado na exploração de petróleo e minerais. Por fim, o sistema financeiro, baseado em rendimentos de fundos de pensão, juros e aplicações na bolsa de valores.

No caso do Vale, a riqueza está relacionada à produção, o que assegura melhores condições de empregabilidade e renda para a população. Por outro lado, municípios que aparecem em primeiro lugar no PIB per capita do país e do estado não apresentam bons índices de desenvolvimento humano.

O líder brasileiro no ranking do PIB per capita é a pequena cidade de Presidente Kennedy, no Espírito Santo. Com uma economia baseada na exploração de petróleo, está entre as piores do país nos índices Firjan e IDH. “É uma situação comum no sistema extrativista”, revela. Segundo Cíntia, apesar de ter um território rico, Presidente Kennedy tem uma população empobrecida, porque o recurso gerado não resulta em benefício para a cidade.

“É um sistema que oferece salários grandiosos, mas geralmente para pessoas que moram fora das cidades onde a riqueza é produzida. Muito pouco retorna para a comunidade”, frisa. Caso semelhante é de Triunfo, líder no ranking per capita do RS. Conforme Cíntia, o índice elevado é motivado pelas atividades do Polo Petroquímico.

Porém a cidade tem vasta população pobre e dificuldades para se desenvolver. “Se levarmos apenas o PIB e a população em consideração, seria como se todos ganhassem mais de R$ 100 mil/ano, o que não faz sentido”, avalia. Dos dez melhores colocados no ranking, cinco são produtores de petróleo.

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