Paverama investe na criação de codornas

O município de Paverama é conhecido pela produção de florestas de acácia negra e de eucalipto, especialmente para a produção de carvão vegetal. Também a bovinocultura de leite, a avicultura e a suinocultura, são os responsáveis por movimentar o setor primário. Ocorre que, nos últimos anos, outro tipo de negócio tem se destacado no município: o de criação de codornas para a produção de ovos.

A atividade teve início no ano de 2001 quando uma família interessada em aumentar a renda familiar, iniciou a criação, buscando uma alternativa de renda para a propriedade, recorda o chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Paverama, técnico agrícola Aldacir Pretto. Incentivada pela instalação de uma agroindústria no município, outra família também iniciou na coturnicultura. “De lá para cá essa agroindústria fechou e os produtores viram aí a possibilidade de um nicho de mercado”, lembra Pretto.

Com essa nova perspectiva, outras famílias se somaram ao projeto, utilizando linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para investimentos. “Hoje são nove produtores, uma agroindústria em funcionamento e uma pronta para iniciar a industrialização”, enfatiza o técnico. Com capacidade para alojar 70 mil codornas, o município beneficia 75% da produção, sendo 25% vendida para Arroio do Meio. “Com a nova agroindústria, a produção será beneficiada em sua totalidade no município”.

Para que esta agroindústria inicie as operações, aguarda a licença da Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Cispoa). Enquanto esta não chega, o produtor Lindomar Rogério Suliman, da localidade de Cidade Baixa, trabalha entregando sua produção para outra agroindústria. Com um lote de 26 mil codornas, mantém uma média de 80% em produção. Ainda que a atividade seja trabalhosa, o produtor reconhece a melhoria na qualidade de vida, desde o início da criação. “Conseguimos trabalhar em família, na sombra e com boa rentabilidade”, avalia.

Detalhes como a participação no desenvolvimento da codorna desde a recria e a elaboração da própria ração, barateiam os custos. Hoje, cada bandeja com 30 ovos é vendida a uma média de R$ 1,70. De qualquer maneira é uma atividade muito dinâmica, já que o ciclo de vida de uma codorna em geral é curto. “Temos de ficar atentos a tudo. Nos primeiros dias de vida da codorna, pode-se dizer que praticamente dormimos no aviário”, brinca Suliman, ao enfatizar a delicadeza dos juvenis.

A atividade é tão significativa para o município, que o produtor Sandro Gilmar Gemmer abandonou a gerência de uma indústria de calçados para adotar a criação de codornas. Como os negócios já não estavam tão bem no setor calçadista, em 2008 investiu em um lote de 3 mil codornas. “A gente foi aprendendo a fazer meio na marra”, conta. Hoje com um lote de 24 mil animais, garante ser possível viver do trabalho no campo. “Mas é importante diversificar. Em minha propriedade também tenho açude com peixes, tenho gado, tenho suínos. Fora outras produções pra consumo próprio”, diz.

Para Pretto, o município se tornou referência em relação a coturnicultura, mesmo com as limitações impostas pelo alto investimento inicial – para quem pensa em começar a atividade -, ou pelas flutuações nos preços relacionados aos custos de produção. “Hoje são produzidas 1,7 milhão de dúzias anuais, que resultam num valor de mais de R$ 1,1 milhão para os agricultores locais”, ressalta. Além do fortalecimento financeiro, o manejo leve e o trabalho mais fácil permitiram as mulheres e aos filhos dos produtores envolverem-se na atividade. “Algo que pode garantir a sucessão familiar”, valoriza.

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