Páscoa promete ser doce para os fabricantes de chocolate do Vale

A auxiliar de produção Débora Machado de Souza (22) é uma das pessoas que apostam no crescimento da produção de chocolate nesta Páscoa. Contratada em outubro de 2015 por uma fábrica de chocolate de Encantado, a roca-salense sonha com a efetivação e um ano tranquilo na sua economia doméstica.

Débora é uma entre os mais de 80 funcionários da produção que se revezam nas 21 horas que a fábrica trabalha para garantir o chocolate ao Coelhinho da Páscoa. O setor que está em expansão no Vale do Taquari projeta crescer até 15% neste ano, mesmo em meio à crise econômica, o calor e a data da Páscoa antecipada, comemorada neste ano no dia 27 de março.

Débora sai de todos os dias de Nova Bréscia na carona da moto do namorado. Trocou a função de atendente em supermercado, com horários em fim de semana, por um trabalho de segunda a sexta-feira, com chance de crescimento.

Ela espelha-se no exemplo da colega Teresinha Graziela Soares (32). Como Débora, Teresinha começou como funcionária temporária, na mesma função e hoje é supervisora de produção. Demonstrou talento, iniciativa e força de vontade e chamou a atenção da empresa. “Foi muita dedicação e superação. Eu fui incentivada a mostrar que podia dar o melhor. Foi o que aconteceu. É uma delícia trabalhar com chocolate”, define Teresinha.

Ela também é e outra cidade. Mora em Roca Sales e todos os dias pega um ônibus rumo ao trabalho, em Encantado.

Contratos

Conforme a responsável pelo setor de recursos humanos da fábrica, Clarisse Radaeli (50), desde novembro do ano passado, a empresa ampliou o quadro de funcionários em 5%. “Contratamos poucas pessoas, se compararmos com outros anos. No entanto, a maioria desses temporários é efetivada, pois eles ajudam a cobrir período de férias e são incorporados ao nosso quadro funcional.”

O emprego temporário na indústria de Encantado é de 90 dias. Tempo igual aos contratos pelo período de experiência. São 80 funcionários na linha de produção, mais auxiliares e técnicos administrativos. O número de postos diretos e indiretos ultrapassa a marca dos 130 trabalhadores, divididos em dois turnos. A fábrica só para de trabalhar das 19h às 22 h, quando ocorre o pico do consumo de eletricidade, e a tarifa industrial sobe.

Mercado

A diretora da fábrica, Fabiana Turatti, explica que a projeção de crescimento para Páscoa de 2016 é de15%. “Essa é uma meta realista, devido à situação econômica. A nossa média é um crescimento de 30% nesta época e de 50% anual. Estamos certos que iremos cumprir essa projeção.”

A empresa da região comercializa a varejo seus produtos em todo o Rio Grande do Sul. Além disso, expande os negócios para Santa Catarina, Paraná e parte de São Paulo. Os produtos mais solicitados são os tradicionais ovos de Páscoa, coelhos e trufas.

Além da venda por meio de supermercado, a fábrica tem lojas exclusivas da marca no Shopping Lajeado e no Shopping Santa Cruz.

Com apoio do Fundo Operação Empresa do Estado do Rio Grande do Sul (Fundopem), a empresa fundada em 2011 cresce 50% ao ano. De acordo com a diretora, o programa de incentivo que isenta temporariamente o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é fomento para investir.

“Durante cinco anos temos essa isenção. Passados mais quatro anos, começamos a pagar uma parte da dívida. Com essa medida conseguimos crescer e continuar ampliando a produção na região.”

Mesmo com ingredientes nacionais – como o próprio açúcar -, produzido em larga escala no Brasil, o insumos para a produção de chocolate são cotados em Dólar. Com a moeda norte-americana em alta, foi necessário reajustar os preços dos chocolates em 10% neste ano.

Chocolates funcionais: a sensação desta Páscoa

A centenária fábrica Haenssgen, de Cruzeiro do Sul, também está com os motores ligados a todo o vapor para a produção de chocolates em 2016. De acordo com Maurício Augusto Haenssgen, diretor de vendas, o investimento da temporada fica nos produtos zero. Sem açúcar, sem lactose e sem glúten.

“São chocolates funcionais. Uma tendência cada vez mais forte do mercado nacional.” Para dar conta da novidade, que sai com selo próprio da empresa, o número de contratações de mão de obra aumentou em 10%. “E estamos contratando mais funcionários. Essa Páscoa deve ser rentável para o segmento.”

Reconhecida pela produção do bombom de licor, a Haenssgen projeta o crescimento, a partir da própria Páscoa, em cima de produtos na linha de cuidados com o corpo e bem-estar.

A empresa fatura também com os produtos “food service”. São bisnagas de chocolate e coberturas para bolos, doces – tanto para outras indústrias, quanto para o mercado de restaurantes e padarias.

Já indústria de Encantado a aposta também é grande na linha “zero”. São chocolates em barra de 20 e 180 gramas e ovos de Páscoa de 180 gramas. “É um produto mais saudável que ganhou o paladar do consumidor e conquista espaço nas prateleiras de supermercado”, destaca Fabiana Turatti.

Mais que alcançar o Coelho da Páscoa, Fabiana conta que os produtos “zero” são comercializados no varejo. Assim como a fábrica de Cruzeiro do Sul, o produto tem boa aceitação, pois permite a diabéticos ou pessoas com intolerância ao glúten ou a lactose também consumirem chocolate.

O Vale do Chocolate

Com indústrias em Cruzeiro do Sul, Estrela, Arroio do Meio e Encantado, a região concentra uma parte da produção de chocolates do Rio Grande do Sul.

A mais antiga e tradicional fábrica gaúcha, a Neugebauer, que veio transferida de Porto Alegre para Arroio do Meio é a maior do segmento no Estado. Segundo a empresa, a previsão para a Páscoa de 2016 é concentrar 18% das vendas do ano em chocolates nesta época. Já o porcentual aumenta em 40% o volume de vendas consolidado no ano passado. Os tradicionais “Refeição”, “Bibs” e o “Amor Carioca” estão no paladar do consumidor gaúcho.

A Divine, de Encantado vai produzir 68 toneladas de ovos e coelhos de chocolate. O total em unidades gira em torno de 350 mil entre ovos e coelhos (somente para a Páscoa). Já a produção total da empresa de janeiro a abril será de 200 toneladas. O aumento na produção é de 15%.

Venda certa no supermercado

Nem mesmo a proximidade com o verão “esfria” a perspectiva de venda no varejo. De acordo com a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), o volume de vendas correspondente aos chocolates de Páscoa representa 20% do faturamento das lojas no período em que a data é comemorada.

Para o presidente da Agas, Antonio Cesa Longo, os ovos de chocolate e as caixas de bombons sortidos são as “vedetes” da venda no varejo. “Em 2015, os supermercados gaúchos comercializaram nove milhões de ovos de Páscoa. Neste ano, ainda não temos estimativa, pois estamos levantado esses dados com os associados.”

Como a Páscoa 2016 será comemorada em 27 de março, assim que passar o Carnaval, em 9 de fevereiro, começa a montagem das parreiras e dos expositores de chocolate nos supermercados do Rio Grande do Sul.

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