Pais de jovens alunos do Projeto Sucessão Familiar da Dália compartilham experiências em encontro

Experiências e histórias de vida compartilhadas no formato de bate-papo marcaram o encontro que reuniu os pais dos jovens participantes do Projeto Sucessão Familiar da Dália Alimentos. O momento em que ocorreu a troca de experiências entre diferentes pais, de diversos municípios, ocorreu na última quarta-feira, dia 11, no Centro de Cultura da Dália Alimentos, em Encantado.

Participaram pais dos jovens que integram a Turma 2 do projeto idealizado pela cooperativa, com dois momentos, sendo que um dos pontos altos da tarde foi a conversa mediada pelo presidente do Conselho de Administração, Gilberto Antônio Piccinini. Através de seu relato de vida, pautado na história de sucessão familiar, ele estimulou a conversa entre o grupo.

Piccinini abriu os trabalhos fazendo um apanhado de sua trajetória. Destacou a ligação de anos entre a família e a cooperativa, as dificuldades enfrentadas e o papel de gestor que precisou desempenhar ao assumir os negócios agrícolas iniciados pelo avô e depois conduzidos pelo pai no interior do município de Roca Sales.

Também fez um apanhado da época em que deixou a propriedade para seguir a carreira de bancário na capital. “Tinha 24 anos, gostava de trabalhar na cidade, mas minha vocação era para o trabalho na agricultura. Foi então, que depois de algum tempo em Porto Alegre, voltei para casa, o que foi bastante comemorado pela minha família”, lembra.

A partir de seu retorno, Piccinini, junto aos outros cinco irmãos, deu início às tratativas acerca da participação de cada um na propriedade e de que maneira seria feita a divisão da área de terras. “Foi uma conversa franca, quando optamos que eu ficaria responsável pelos meus pais e que administraria a propriedade.”

Ele recorda que houve bastante diálogo e que as decisões foram acordadas com a aprovação de todos. “Antes da sucessão de patrimônio é preciso fazer a sucessão de ideias”, observa. Desde então, Piccinini administra a propriedade em que hoje a mãe e um tio vivem. O pai faleceu recentemente, no dia 20 de fevereiro, deixando o legado de tudo o que aprendeu nos 87 anos de vida aos filhos e, principalmente, a Piccinini, seu sucessor.

Os relatos

Com o relato de sua história, Piccinini estendeu a conversa, que contou com a explanação de cada pai presente no encontro. Unânimes, todos informaram que trabalham para que os filhos sejam os sucessores da propriedade. Muitos dos filhos já são associados da Dália Alimentos e reiteram o desejo de seguir com os negócios iniciados pelos pais no gerenciamento da propriedade.

O casal do município de Vista Alegre do Prata, Darci (51) e Ironi Magoga (45), é pai do jovem participante do Projeto Sucessão Familiar Jucimar (18), e também de Fabiana (16). Com 650 cabeças de suínos em terminação, a família pretende duplicar o número de animais alojados, com a construção de uma nova granja. Aliás, este também é o projeto de conclusão das atividades de Jucimar no projeto da Dália, que encerrará as aulas da Turma 2 em junho. Para o pai, que é delegado da cooperativa, a participação do filho nas aulas é motivo de comemoração e continuidade do trabalho. “Antes não tínhamos uma noção exata de quanto gastávamos, nem do que tínhamos em casa em bens. Com as aulas foi possível fazer todo este cálculo, um balanço que surpreendeu até a nós”, frisa o pai.

A mãe estimula o filho na participação das aulas, que são mensais, e ressalta o quanto foi gratificante participar do momento dedicado somente aos pais. “Foi excelente, uma oportunidade muito boa para dividirmos nossas histórias com outros pais e de sabermos como é nas outras propriedades. Foi uma tarde muito válida e que deverá ser repetida, porque gostamos muito”, opina Ironi.

Preparar um herdeiro ou um sucessor?

Na primeira parte do encontro, o professor que ministra as aulas do projeto, Lucildo Ahlert, explanou sobre o relacionamento entre pais e filhos. Enfatizou que ambos devem ter direitos e deveres e que o diálogo deve prevalecer nas relações. “Os pais precisam estimular seus filhos a conversarem mais. O diálogo é a melhor aproximação com os pais.” E complementa: “antes de você falar, faça o seu filho falar.”

Conforme o docente, no passado o filho era dependente do pai até o casamento, porém, hoje, essa situação mudou. Na visão do professor, os filhos se tornaram mais independentes e precisam ser os sucessores, com noção de gerenciamento, de organização e fluxo de caixa, de gastos e de custos. “O importante não é pagar um salário, mas sim inserir os filhos no negócio e permitir-lhes o recebimento de uma participação. Os jovens devem ser empreendedores e os pais precisam estimular este lado em cada jovem.”

Por fim, Ahlert questionou os pais sobre qual perfil querem ver em seus filhos. “Devemos preparar um herdeiro ou um sucessor?”, indagou e, com base nisso, apresentou dados de uma pesquisa realizada em 2005 em propriedades do Vale do Taquari, a qual indicava que apenas um terço das propriedades possui um sucessor.

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