Obra compromete dinheiro dos pedágios

A EGR investe quase R$ 29 milhões na recuperação das rodovias pedagiadas do Vale do Taquari. O serviço, iniciado há mais de um mês, contempla 174 quilômetros de pavimento novo nas três praças – Boa Vista do Sul, Encantado e Cruzeiro do Sul.

Mas o investimento compromete a realização de outras obras, como as discutidas pelo Conselho das Rodovias Pedagiadas (Corepe). Nos 11 primeiros meses de arrecadação no Vale, de acordo com informações obtidas pelo site da EGR, o dinheiro em caixa chega a R$ 10,7 milhões.

Se tal quantia for repassada de forma totalitária ao consórcio das empresas Compasul, Giovanella e Simonágio, ainda restarão outros R$ 17,5 milhões de pendência. Pela média, as três praças somam saldo positivo de quase R$ 1 milhão por mês. Dessa forma, seriam necessários mais de 17 meses para quitar o valor estipulado no contrato com o consórcio.

O diretor-administrativo e financeiro da EGR, Carlos Artur Hauschild, garante a quitação da dívida antes do período. Aponta que o saldo dos 11 meses deve estar superior ao estipulado no site, em virtude de valores ainda não lançados ao sistema, como da cobrança pelo Via Fácil.

A receita, de acordo com ele, também deve aumentar nos próximos meses. Como alternativa, cita o aumento no fluxo de veículos e a possibilidade de a estatal deixar de pagar imposto de renda. Mas para se livrar dos tributos e ainda recuperar quantias já repassadas ao governo a EGR enfrenta processo judicial. “Assim, vamos ter mais dinheiro em caixa e poderemos fazer outras obras.”

Ao assumir a cobrança nos pedágios, a direção da EGR prometeu também planejar obras de infraestrutura. Algo inexistente nos últimos 15 anos, período de concessão à Sulvias. Tal organização, de acordo com Hauschild, é feita em paralelo aos investimentos em reformas, em debate recorrente com o Corepe.

“Temos ciência disso”

Vice-presidente do Corepe, Cíntia Agostini, reconhece a dificuldade financeira para obras de infraestrutura. “O dinheiro está curto para fazer tudo. Não vamos sustentar tudo aquilo que gostaríamos de fazer num primeiro momento. Nós temos ciência disso.”
Ressalta a necessidade do atual contrato com o consórcio em virtude da “precariedade das rodovias na região”. Segundo Cíntia, o pavimento está degradado e precisa de recuperação urgente para, entre outras coisas, evitar acidentes de trânsito.

De acordo com ela, durante o período no qual as contas da EGR estiverem comprometidas com a recuperação, o conselho planejará e, em parceria com a estatal, montará projetos de investimentos de maior porte, como um trevo ou viaduto em frente à BR-Foods, em Lajeado, no acesso à ERS-413.

Cíntia avalia que os projetos técnicos das obras estipuladas como prioridade do conselho demorem meses para serem concluídos. Enquanto isso, será possível pagar a manutenção das rodovias e juntar dinheiro o suficiente para executar os demais serviços.

Serviço moroso

A ampliação e restauro da RSC-453, entre o entroncamento com a BR-386 e a rua João Lino Braun, no Boa União, em Estrela, está atrasada há quase cinco meses. Em janeiro, a EGR anunciou a obra, incluindo recapeamento asfáltico e alargamento de parte da pista.
As melhorias deveriam iniciar em dez dias a partir do anúncio, mas problemas técnicos emperraram o início dos serviços. Com a baixa procura de construtoras e pavimentadoras, houve um aumento no custo da obra: passou de R$ 208 mil para R$ 260 mil.

O projeto foi elaborado pela administração municipal e entregue em dezembro do ano passado à EGR. Ele prevê o alargamento da via numa extensão de 189 metros e recuperação do pavimento em 270 metros.

De acordo com a direção da estatal, o serviço deve começar nos próximos dias. Essa será a segunda obra custeada pela EGR com recursos das praças de pedágios na região, sendo a primeira com aval do Corepe.

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