O lucro que vem da sanidade

Ainda cercada de polêmica e divergências, a identificação bovina começa a angariar os primeiros defensores entre produtores de leite do Vale do Taquari, principalmente em Arroio do Meio. No município, um surto de tuberculose, em 2009, acabou levando o Ministério Público a determinar inspeções sanitárias para identificar animais doentes e, em caso positivo, o seu descarte, como explica o produtor Leonardo Gräs. “Tudo começou com um vizinho, que foi à Promotoria cobrar providências após perder 90% do rebanho por tuberculose. Foi então que o promotor Paulo Araújo determinou que as propriedades fizessem as análises e eliminassem aqueles doentes. Nós perdemos sete”, relatou, ao se referir às exigências do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT). Lançado em 2006 pelo Ministério da Agricultura, o programa serviu de referência ao governo do Estado para o Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Bovídea (Procetube), que deve ser implementado até o fim de junho.

O produtor Telmo Hendges contou que a indústria, espontaneamente, passou a pagar a ele um centavo e meio a mais por litro de leite depois que recebeu o certificado de propriedade livre da brucelose e tuberculose, há um ano e meio. “Vale muito a pena. Temos certeza que o rebanho é sadio, mas eu ainda acho que para emplacar precisa virar lei. Tem gente que só se preocupa com o próprio bolso.”. Com 440 propriedades, Arroio do Meio tem 350 credenciadas pelo Mapa. Nas restantes, os donos aguardam os documentos.

Apesar de concordar com Hendges, o secretário da Agricultura do RS, Claudio Fioreze, descartou reenviar à Assembleia outro projeto. Afirmou que usará os benefícios decorrentes da identificação de 300 mil cabeças em 36 municípios para dissipar resistências. “Quando os mercados começarem a se fechar para produtos não rastreados, haverão de nos dar razão e perceber que se trata de tendência irreversível.” Presidente da Farsul, Carlos Sperotto reiterou a posição sobre a identificação bovina. “Somos a favor, desde que não seja obrigatório”, disse.

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