O desenvolvimento de Lajeado na visão de cinco lideranças

A cidade polo da região comemora, nesta terça-feira, dia 26, os seus 125 anos de emancipação político-administrativa. Com uma população estimada em 78.486 pessoas (IBGE), Lajeado tem uma economia sólida nos setores de comércio, indústria e serviços e se destaca pelo bem-estar social.

Segundo pesquisa publicada em dezembro do ano passado, pela Federação Nacional das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o município possui os melhores índices do Estado em Desenvolvimento Municipal.

Na soma dos resultados de Educação, Saúde e Emprego e Renda, Lajeado lidera o ranking gaúcho e se consolida como o 13º no país. As informações se referem ao crescimento do município em 2013, a partir da análise dos dados mais recentes disponíveis.

Os números comprovam o desenvolvimento de Lajeado, mas, na visão de cinco lideranças regionais, a cidade pode crescer ainda mais. Convidadas pelo jornal O Informativo do Vale, elas deram sugestões de áreas que podem receber investimentos. Por sua vez, a Prefeitura de Lajeado compartilha o trabalho feito em benefício das ideias propostas.

Saneamento, por Cíntia Agostini

Para a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, Lajeado precisa abordar os temas relacionados ao saneamento. “Temos inúmeros aspectos econômicos e sociais já consolidados e outros que tratamos com muito afinco. No entanto, saneamento urge, mas é invisível; causa inúmeras doenças, mas pouco associamos a este; contribui para desastres como as enchentes, mas só nos atemos ao tema quando elas ocorrem.”

Cíntia cita dados do movimento Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que mostram que 16,40% da população urbana de Lajeado não têm acesso à rede de esgoto, e, 12,40%, à rede geral de água. “Nestas condições, estamos considerando atendidas as famílias que possuem fossa séptica ou rede geral”, comenta.

Segundo ela, se for considerada apenas a rede geral de esgoto, que é o ideal em termos de saneamento, Lajeado possui somente 5,42% dos domicílios urbanos saneados, conforme a Fundação de Economia e Estatística (FEE). “É fundamental para um município dinâmico e próspero como o nosso não ter famílias sem acesso à água potável e a qualquer tipo de esgotamento sanitário. Isso se traduz em saúde e em qualidade de vida para toda a sociedade lajeadense.”

O outro lado

O secretário municipal do Meio Ambiente, José Francisco Antunes, informa que Lajeado finalizou, em 2013, o Plano Municipal de Saneamento Básico. A partir daí, a Administração Municipal passou a conversar com a Corsan, responsável pelo abastecimento de água e que, por isso, tem o dever de realizar o tratamento do esgoto, no sentido de alterar o contrato, que é de 2008. Mas, de acordo com Antunes, os retornos, até o momento, não estiveram a contento. O objetivo da prefeitura é revisar o documento e estabelecer metas referentes ao tratamento de esgoto.
Uma conquista, segundo o secretário, é a alteração do Plano Diretor, o qual prevê inúmeras exigências e que contemplam a questão do saneamento.

Protagonismo regional, por Ito Lanius

O presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Ito José Lanius, sugere que Lajeado deva assumir o protagonismo de liderança regional. “Como somos a cidade polo da região, precisamos agir com visão regional e nos envolver com questões além de nossos limites municipais, pois temos uma dependência significativa dos moradores de todo Vale do Taquari, afinal, somos uma cidade prestadora e tomadora de serviços na área do comércio.”

Para Lanius, a preocupação com a infraestrutura energética, por exemplo, só será melhorada em Lajeado se a cidade se mobilizar com toda região para viabilizar as usinas hidrelétricas de Bom Retiro, Muçum, as do rio Forqueta, entre outras alternativas de geração.

“Também precisamos nos unir para termos mais uma rede de transmissão entre Garibaldi e Lajeado, para não sermos dependentes de apenas uma entrada de energia na região, especialmente em Lajeado.”

Segundo o presidente da CIC-VT, Lajeado precisa agir mais, tanto nas áreas básicas que cabem ao setor público, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura regional, bem como no desenvolvimento econômico. “Aí sim, de responsabilidade também do setor privado.”

Lanius entende que Lajeado não pode apenas ser assistente e esperar o cliente regional, sem ajudá-lo a se desenvolver. “Precisa buscar incessantemente novas alternativas de desenvolvimento econômico e qualidade vida, mesmo que represente investimentos em outros municípios, como os exemplos que citei.”

O outro lado

Lajeado, ao natural, por ser polo regional já tem protagonismo regional, afirma o prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt. “Governos municipais anteriores deram passos importantes e o atual está mantendo o que já foi estabelecido e acentuando este protagonismo em busca de infraestrutura ainda melhor.”

Para isso, busca reforçar a saúde regional por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Rio Taquari (Consisa VRT), a estruturação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), preparada para atender demandas regionais, a efetivação do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), e parcerias com instituições como Centro Universitário Univates e Hospital Bruno Born, que, inclusive, extrapolam o âmbito regional, além do fortalecimento da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat). “Como sempre temos dito: somos o que somos por nós mesmos, mas também pela interação social, econômica e cultural com toda a região. Em 2016, continuaremos na mesma lógica.”

Trem de superfície, por José Zagonel

Um trem de superfície seria o grande diferencial de Lajeado, na visão de José Zagonel, vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil, Mobiliário, Marcenarias, Olarias e Cerâmicas para a Construção, Artefatos e Produtos de Cimento e Concreto Pré-Misturado do Vale do Taquari (Sinduscom-VT). “Isto tiraria o grande fluxo de veículos do Centro, para os quais se fariam áreas de estacionamento alternativas.”

Segundo Zagonel, o trem de superfície deixaria a cidade mais humana e tornaria mais fácil a locomoção para a população local, bem como para pessoas de fora da cidade, servindo, inclusive, de atrativo. “Temos vários exemplos pelo mundo afora que funcionam muito bem.”

O outro lado

Não está nos planos da administração pública, atualmente, tendo em vista que existem outras prioridades – inclusive na área da infraestrutura, como estradas, ruas e avenidas. “No entanto, sabemos e já debatemos isto, informalmente, que chegará o momento de, por exemplo, termos um trem de superfície nas imediações da interseção das avenidas Benjamin Constant e Senador Alberto Pasqualini, seguindo pela Pasqualini até a Univates”, comenta o prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schimdt.

O diretor do Departamento de Trânsito e Serviços Concedidos da prefeitura de Lajeado, Euclides Rodrigues, informa que, seguindo uma exigência do Ministério das Cidades, Lajeado deverá criar seu Plano de Mobilidade Urbana. “Uma empresa será contratada para montar o plano, que terá diretrizes e orientações sobre o trânsito na cidade, os modais que serão utilizados, acessibilidades, mexendo diretamente com a forma de ir e vir do cidadão”, destaca.

Durante esse processo, haverá diálogo com municípios vizinhos e audiências públicas.

Centro de eventos, por Alex Schmitt

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Alex Schmitt, tem defendido, junto com outras lideranças, que Lajeado, face à sua limitação de área física, deve desenvolver a área de turismo de negócios como nova frente de desenvolvimento sustentável.

A localização geográfica de Lajeado e a proximidade com a região metropolitana são vantagens competitivas importantes. A partir disso, 21 entidades, aliadas à Administração Municipal, sugerem a construção de um Centro Cultural, Empresarial e Social de Lajeado (CCESLA). “A estrutura, que ficaria no Parque do Imigrante, proporcionaria a realização de feiras, congressos, convenções, eventos sociais e culturais, além de projetos sociais.”

Segundo Schmitt, a estrutura resultaria na geração de empregos diretos para todos os profissionais ligados aos serviços necessários (promotoras de eventos, segurança, limpeza, recepcionistas, buffets, fotografia, produção de vídeo, decoração, locação de equipamentos de sonorização, entre outros) e beneficiaria toda a rede de serviços correlatos, como hoteleira, restaurantes, postos de combustível, transporte de transfer, táxis, comércio em geral e lazer.

“Essa iniciativa beneficiará todos os municípios do Vale, uma vez que abrirá oportunidades de trabalho para nossa gente e promoverá também o turismo de lazer, com aproveitamento dos rotas turísticas já existentes e belezas naturais da nossa região”, ressalta o presidente da Acil.

O outro lado

O prefeito, Luís Fernando Schmidt, e seu vice-prefeito, Vilson Hausen Jacques Filho, já definiram que poderá haver cessão de uso de área pública para a construção deste centro.

A Administração Municipal, por meio de sua procuradoria, está trabalhando para estabelecer critérios para dar plena segurança turística para o ato, bem como construir formalmente garantias para entidade e/ou entidades empresariais locais, para investidores e para o próprio poder público. “Neste ano, ainda no primeiro semestre, devemos acabar a proposta e debatê-la com as entidades”, informa Schmidt.

Capacitação, por Heinz Rockenbach

A falta de mão de obra qualificada é um dos grandes desafios, não só do comércio, mas de outros setores também. O entendimento é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado, Heinz Rockenbach. “Precisamos de pessoas aptas e melhor preparadas para trabalhar. Isso reflete diretamente na qualidade do atendimento e dos serviços prestados.”

Como consequência, avalia que Lajeado terá empresas mais estruturadas e com resultados positivos, o que contribui para o desenvolvimento do varejo e das demais áreas que compõem a economia regional.

O outro lado

A Administração Municipal foi parceira do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Cerca de 900 estudantes se formaram, anualmente, em vários cursos.

O prefeito Luís Fernando Schmidt cita mais projetos que contaram com a participação da prefeitura, como a construção do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), parcerias com o Centro Universitário Univates, preparação de novas lideranças nas escolas municipais e cursos para servidores públicos, e cedência de profissionais para entidades e outros poderes.

A prefeitura também mantém parceria com vagas em cursos de diversas entidades de classe da região.

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