“O Brasil gastou mais do que podia”

A Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Teutônia, com o apoio da Sicredi Ouro Branco, promoveram, no início do mês de dezembro, Almoço Empresarial que tratou do atual cenário econômico e perspectivas para 2016. O assunto foi abordado pelo gerente de análise econômica do Banco Cooperativo Sicredi, Pedro Lutz Ramos.

Para o palestrante, a economia acumulou desajustes entre 2011 e 2014. “O Brasil gastou mais do que podia. Com isso, os custos das empresas começaram a subir de forma sistemática, encarecendo a economia nacional. Dessa forma, independente de quem fosse assumir o país em 2015, as finanças públicas deveriam ser arrumadas, a dependência de produtos externos diminuída e a inflação controlada. Mas, pelo contrário, além da realidade econômica atual do Brasil, há muita turbulência no cenário político”, avaliou.

Conforme Ramos, alguns ajustes fiscais foram feitos, como a redução de subsídios, o aumento de impostos e a redução de gastos, mas não foram suficientes. “Os desafios previstos para o início de 2015 são os mesmos que se apresentam para o início de 2016. Os desequilíbrios afetam o consumo e os investimentos. Nesta onda de pessimismo, uma das principais causas está atrelada aos índices de desemprego, originando consumo a prazo mais difícil. Além disso, os investimentos das indústrias ainda devem demorar para gerar retorno. No entanto, apesar da queda da renda da população, as pessoas não ficaram pobres, mas tendem a poupar um pouco mais e serem mais cautelosas nas aquisições”, afirmou.

Nesse cenário, Ramos ressalta que o agronegócio segue em alta. “A produção de grãos no Brasil é um diferencial da nossa economia, com um cenário bastante favorável.”

Sobre perspectivas, ele destacou que a taxa de câmbio deve fechar com o Dólar em R$ 4,00 e, em 2016, R$ 4,20. A taxa de juros Selic neste ano será de 14,25%, com redução no próximo ano para 13%. A previsão de crescimento do PIB é negativa para 2015 (-3,6%) e 2016 (-2,5%). A previsão do IPCA em 2015 é de 10,4% e de 6,3% no próximo ano. “A inflação alta acaba reduzindo o poder de compra das famílias. A taxa de juros em patamar elevada acaba inibindo o consumo de bens, principalmente aqueles dependentes de crédito. A recuperação brasileira está e será muito lenta. Devemos ter ciência de que o mercado não vai crescer. As empresas precisam repensar a produtividade dos seus trabalhadores”, apontou, concluindo que “o principal risco nesse contexto é o atual cenário político”.

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