O agronegócio é a atração internacional do Brasil

A 40ª edição do Dia Estadual do Porco levantou a questão da importância financeira e de qualidade que os produtos do agronegócio têm para a vitrine estrangeira. A bola da vez, segundo o pesquisador Marcos Fava Neves, convidado da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), é o agronegócio, onde a criação de suínos é o filé mignon do Estado.

Neves faz um trocadilho com o verbo tracionar. A conjugação, segundo ele, depende de como se vê o agronegócio nacional. “Dentro do Brasil, o setor é a tração da economia. No exterior é a única atração”, frisa.

O pesquisador explica o sistema econômico a partir da metáfora do país como uma grande empresa, com 200 milhões de sócios. “Vocês confiam em uma empresa que tem tantos sócios e cresce 1% ao ano?” – silêncio. Ninguém contesta o estudioso. No quesito economia internacional, o que está em alta é o que vem da terra.

Recortada para a suinocultura, a discussão é pertinente no momento em que o próprio setor tenta se firmar em um patamar estável. O presidente da Acsurs, Valdecir Folador, afirma que a criação de suínos precisa ser estável. Precisa continuar aportando renda ao homem do campo e não pode parar de crescer.

O segundo motor na economia gaúcha foi responsável em 2013 por 31% das exportações de carne suína do Brasil. “Essa é a prova que a atração fora do Brasil está com o agronegócio e não mais com o futebol”, brinca Neves, em uma referência direta ao baixo desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Maior rentabilidade 

Neves afirma que o setor primário, assim como os demais elos da economia nacional carecem de uma redução da carga tributária e de políticas públicas específicas que valorizem o setor.

Uma das iniciativas é a “Lei dos Integrados”, projeto 330 de 2011, que tramita no Congresso Nacional para regulamentação da produção no sistema de integração.

O texto prevê a participação econômica de cada parte, atribuições, compromissos financeiros, deveres sociais, requisitos sanitários e responsabilidades ambientais. A lei ainda não foi apreciada na Câmara dos Deputados. Depois ela deve ser submetida à presidência da República.

Economia do suíno

De acordo com o presidente da Acsurs, em 2013 o Rio Grande do Sul produziu o equivalente a US$ 408 milhões. “A produção de suínos está presente em mais de 300 municípios do Estado e agrega de forma direta ou indireta a 700 mil gaúchos”, justifica.

Segundo maior produtor de suínos do Brasil, o Estado é também desafiado a não esmorecer na economia. A estabilidade que o setor vivencia é, segundo Folador, o maior desafio do criador de suínos. Alinhar a estabilidade às exigências do mercado torna a tarefa ainda mais complicada. “Precisamos fortalecer a produção e conquistar políticas públicas que nos favoreçam”, pontua.

O dia do Porco foi uma promoção da Secretaria Municipal de Agricultura de Estrela e da Acsurs com o apoio da Emater/RS-Ascar e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). O evento foi realizado no Salão Comunitário do Cristo Rei.

Produção

Em 2013, o Rio Grande do Sul produziu 1,8 milhão de toneladas de carne suína. Trinta e quatro por cento dessa produção foi destinada ao consumo interno, 51% vendidos para outros países e 13% exportados. Foram abatidas 8,1 milhões cabeças de suínos.

Orgulho para Estrela

Para o secretário de Agricultura de Estrela, João Adão Braun, que já foi presidente da Acsurs, para o município é um orgulho receber o Dia Estadual do Porco. Segundo ele, Estrela tem na atividade uma grande fonte de renda. “Este evento é fundamental para o desenvolvimento da cadeia produtiva de suínos”, afirma.

Com 100% da cadeia funcionando em integrado – onde a indústria fornece o insumo, o rebanho e adquire a produção – , o município de Estrela alia tecnologia na intenção de gerar renda ampliar a produtividade nas propriedades. “Estamos no caminho de construir um polo nacional da suinocultura. Queremos ser modelo no segmento”, completa.

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