Negócios em Pauta

Nelson Spritzer explica a construção e o papel dos modelos mentais no último workshop do ano

 

“Se você quer sobreviver daqui a dez anos, você tem que começar a se preparar para fazer coisas que nenhuma máquina consegue”. O alerta foi dado pelo médico e especialista em programação neurolinguística Nelson Spritzer durante o encerramento do ciclo de workshops de 2017 do projeto Negócios em Pauta na noite desta quarta-feira (20), em Lajeado, o qual abordou o tema “Modelos mentais: como conciliar as diferenças entre perfis e gerações”. O profissional descreveu o cenário desafiador de novidades crescentes, tecnologia avassaladora e controle da vida por meio das redes sociais para contextualizar de que forma os mapas mentais são construídos e como eles nos dão capacidade de resolver questões que impactam na família, trabalho e sociedade. Também participaram do debate a professora Liciane Diehl, consultora empresarial Raquel Winter e empresário Claudir Dullius.

De acordo com Spritzer, a mente humana é responsável por operar o cérebro e formar ideias, pensamentos, sonhos e filosofia, sendo composta por duas partes. A primeira, de menor tamanho, é o consciente, aquele que age por livre arbítrio e é cognitivamente orientado, correspondendo a parte operacional e processual da razão. Já a porção maior da atividade mental está à cargo do inconsciente, o qual é responsável pelo que acontece de bom ou de ruim no dia a dia e cuja operação se dá a partir de regras cibernéticas, ou seja, através do mesmo princípio que rege os computadores e dá origem à inteligência artificial. Tal como uma máquina, nossos órgãos sensoriais captam as informações que são filtradas e selecionadas pelos gerenciadores inconscientes, os quais extraem pedaços e criam as memórias, formando o que se chama de mapas ou modelos mentais de realidade.

Spritzer explicou que esses mapas são especificamente orientados de acordo com contextos e que, excluindo-se os modelos pré-programados de sobrevivência e extinto, todos os seres humanos são suscetíveis a influências externas. “Somos tão programáveis quanto um robô”, alertou, considerando: “Nunca estivemos tão idiotizados como hoje. Nossa capacidade de escolher está cada vez pior. Estamos mais indecisos, mais inseguros, divididos, conflitados e com dúvidas cada vez maiores sobre quem sou eu, o que eu faço aqui, para onde eu vou e qual é o meu papel”. Mas ele tranquilizou: “A boa notícia é que a gente tem total controle para mudar o tempo todo”. Segundo o médico, cerca de 98% das pessoas são treináveis e podem melhorar e se desenvolver a partir de trocas de experiências consigo mesmo e com os outros. Porém, a qualidade dos mapas individuais é aleatória, tal como uma loteria genética, e por isso as aptidões se potencializam de formas diferentes, sendo algumas pessoas bem-sucedidas em negócios, outras no campo afetivo, e assim por diante.

Ele ainda sugeriu que para aumentar a capacidade de programação dos mapas pessoais é necessário atenção e desejo, para que o programador linguístico dentro de nós supere o externo. “Se eu souber fazer desejos para mim, os outros não me emprenham mais com tanta facilidade”, garantiu.

Novas gerações

Igualmente relevante no meio empresarial, a diferença de perfis e gerações também foi comentada pelo palestrante, o qual afirmou que criatividade e inovação surgem do conflito entre ordem e caos. Para ele, os contrastes de pensamento e ações podem ser contornados a partir da customização da abordagem, saindo dos métodos padronizados, visto que as organizações são compostas por pessoas e que nenhuma delas é igual a outra, mesmo que tenham idades semelhantes.

Ao se referir especificamente à geração Y, conhecida como millenium, Spritzer mencionou que se trata de um grupo diferente de todos os outros. Seu foco não está mais nos resultados, como era até então, mas na possibilidade de causar impacto. Mais do que salário, eles querem ser reconhecidos e só serão engajados se estiverem cercados de tecnologias e conscientes da mudança que seu trabalho provocará nos outros.

Sobre a orientação que deve ser dada às crianças, ele destacou que existe uma diferença entre ensinar e educar. A primeira é a simples apresentação de um conteúdo nunca visto antes, como geografia e matemática, enquanto que a segunda é o grande desafio da atualidade, por ser um processo que provoca, perturba e traz à tona competências que já se possui, mas que ainda não haviam se manifestado. Spritzer lembrou que não há fórmula exata e nem certo ou errado. “A questão é se serve para você”, indicou, e Dullius complementou: “Ache saídas, não desculpas”.

O Negócios em Pauta é uma realização do Sincovat e Jornal A Hora, com o apoio de Sescon-RS, Univates/Crie, Sebrae, Capital Verde, Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) Vale do Taquari e Governo de Lajeado.

 

Fonte Simone Rockenbach

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