Negócios em Pauta

Cases da Fruki e Agência Free exemplificam tema Sucessão Familiar

A Bebidas Fruki e Free Agência de Viagens foram os cases que nortearam o workshop do projeto Negócios em Pauta na noite desta quarta-feira (21) na sede do Sincovat, em Lajeado. Abordando o tema Sucessão Familiar, o painel prestigiado por 110 pessoas teve a participação de Nelson e Aline Eggers, da indústria de bebidas, e Vera e Isadora Riediger, da empresa de turismo. Também contribuiu com a atividade o consultor Valmor Kappler.

Eggers relatou sua trajetória na organização fundada por seu avô até a chegada da filha Aline, que depois de dez anos na área de planejamento estratégico da Ipiranga, aceitou o convite do pai para auxiliar na administração do negócio da família. Segundo ela, a governança corporativa e familiar vem sendo debatida na Fruki desde 2005, quando um acordo de acionistas definiu as regras a serem seguidas, as quais frequentemente são revistas. “É essa organização que vai fortalecendo a estrutura do negócio e te dando mais chances de ter uma vida longa”, explicou. Conforme Aline, a constituição acionária da Fruki através de holdings garante que pessoas físicas não tenham relação direta com a empresa e a protege de eventuais problemas familiares. Assim, ao adentrarem nos ambientes da indústria, os acionistas são funcionários como os demais e precisam se comportar como tal.

Ela mencionou que todas as companhias, independentemente do porte, passam por situações extremamente delicadas e deve haver um consenso entre os parentes para que isso não afete o negócio. “Empresa familiar vem com toda uma carga emocional junto e temos que estar preparados para resolver esses problemas sempre”, afirmou. Na sua avaliação, apesar de herdeiros, os filhos devem ser tratados com profissionalismo e remunerados de acordo com suas competências. Concordando com Aline, Eggers ainda revelou que o segredo de uma boa administração está em valorizar as pessoas e considerá-las como iguais. “Aí sim você vai se dar bem”, assegurou. Para ele, qualquer que seja o cargo ou a função desempenhada, três coisas garantem o sucesso profissional: busca do conhecimento, construção de relacionamentos e constância de propósitos.

Há 23 anos no ramo do turismo, Vera destacou que apesar de ser uma empresa bem menor do que a Fruki, a essência da Free é a mesma e os desafios não diferem quando se trata dos laços familiares. Dado o envolvimento entre mãe e filha, há momentos em que fica complicado separar as posições e, de acordo com Isadora, tem sido um exercício constante: “Dificuldades a gente sempre vai ter. Temos que tentar achar a solução”. Vera complementou: “É nesse momento de conflito que surgem as oportunidades para a gente amadurecer o trabalho”. Segundo ela, a sucessão de Isadora tem acontecido de uma forma natural, mas esse período de transição sempre gera preocupação: “Não quero que ela se espelhe em mim, mas que ela aprenda comigo”.

Kappler ressaltou que as pessoas nascem herdeiras, mas não dirigentes. “Se a pessoa não tem capacidade de liderar uma equipe, ela não tem condições de ser gestora”, orientou, esclarecendo que a sucessão familiar é uma questão de planejamento, organização e respeito a regras básicas. “Se isso não estiver claro, o negócio vai afundar um dia desses”, preveniu. Conforme o consultor, as empresas familiares têm adotado cada vez mais instrumentos jurídicos com cláusulas que determinam regras de composição, postura e inclusão de pessoas com outros graus de parentescos, como cônjuges e primos, determinando possíveis rumos em caso de rompimento da sociedade. O principal objetivo é evitar o pior: “Quando o interesse do sócio se sobrepõe ao interesse de continuidade da companhia”. Kappler também citou que na maioria das empresas do Vale do Taquari as sucessões estão acontecendo em família, mas não de forma imposta, e sim por capacidade e merecimento. Ele ainda aconselhou que esse processo deve ser acompanhado de perto por profissionais especializados e sugeriu a consultoria gratuita oferecida pelo Sebrae.

O projeto Negócios em Pauta é uma realização do Sincovat e Jornal A Hora, e conta com o apoio de Sescon-RS, Univates/Crie, Sebrae, Capital Verde, Cic Vale do Taquari e Governo de Lajeado. O próximo workshop está agendando para o dia 18 de abril em Estrela, quando será abordado o tema “Como formar bons vendedores”.

 

 

Fonte Simone Rockenbach

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