Município recebe asfalto 40 anos depois

Pavimentação do acesso muda característica da cidade e propicia investimentos

Canudos do Vale – O asfaltamento dos 15,6 quilômetros que ligam o município a Forquetinha, pela ERS-424, começa a mudar o cenário econômico. Foram 40 anos de promessas até a concretização da obra. A precariedade da rodovia afugentava investidores e jovens. Prova disso é que nas últimas duas décadas houve uma redução de 11,5% no número de habitantes.

Antes da pavimentação, o tempo para chegar a Lajeado era superior a uma hora. Em média, um carro leva 30 minutos para fazer o mesmo trajeto. A condição reflete no preço dos fretes, que passaram de R$ 150 para R$ 40.

Segundo o prefeito Luiz Alberto Reginatto, o município planeja a abertura de um distrito industrial para incentivar a instalação de empresas, capazes de variar a opção de empregos. Lembra que na sua gestão passada, entre 2004 e 2008, toda vez que um investidor procurava a administração municipal a primeira exigência era o asfalto. “Estávamos isolados. Agora temos tudo para desenvolver a região.”

Economia diversificada

Reginatto defende que o município precisa diversificar a economia, pois 90% do retorno de ICMS provêm da agricultura. Conforme ele, todos os setores serão estimulados, mas o primário segue como principal. “Não deixaremos que os produtores larguem o campo para trabalhar no centro em empresas.”

Cita que uma cooperativa contatou o município para ampliar os serviços realizados no interior, como a construção de novos chiqueiros ou aviários. Outro empresário quer construir 15. “Estudaremos os impactos para evitar problemas ambientais. Não queremos criar um problema.”

O empresário Luís Bianchini, 53, reforça que é possível obter lucro numa cidade 30 quilômetros distante de Lajeado. Ele voltou ao município depois de trabalhar 18 anos na maior cidade do Vale.

Vendeu suas propriedades de Lajeado para investir o dinheiro em Canudos do Vale. À medida que o asfalto era construído, comprava novas áreas de terra. Bianchini foi o primeiro loteador, construindo sobrados no centro. Trouxe consigo os três filhos. Pretende que constituam suas famílias ali. O município é a terceira cidade da região a ter seu acesso pavimentado nos últimos dois anos, depois de Itapuca e Forquetinha.

Qualidade de vida

Reginatto cita que antes da pavimentação, muitas pessoas saíam do município desestimuladas com a precariedade do acesso e pela falta de oportunidade de emprego. Nos últimos dez anos, a população caiu de 2.018 para 1.785 habitantes. “Mas temos uma vantagem em relação a cidades grandes, nossa qualidade de vida é melhor.”

Maristela Beatriz Boaria, 50, tem um comércio no centro desde 1990. Observa que novos moradores se mudam para Canudos do Vale em busca de sossego. “Tem trabalho para quem quer viver aqui e mais empresas estão vindo.”

Há três anos, seu filho Darlan Gustavo, 21, se mudou para Lajeado à procura de emprego e estudo. Acredita que se o asfalto tivesse sido construído antes, ele poderia ter permanecido no município.

Sonho vira realidade

Desde 1973, a comunidade sonha em ver a estrada asfaltada. Ao longo dos anos foram muitas as promessas. Airton Bergmann, 52, e sua mulher Soeli Maria Wolfartd, 45, compraram uma propriedade às margens da rodovia há seis anos. Na época, o barro e a poeira quase fizeram o casal desistir do local.

Ambos contam que a casa precisava ficar fechada o dia inteiro e, mesmo assim, a sujeira acumulava sobre os móveis. “Era insuportável morar aqui”, desabafa Soeli.

Hoje a perspectiva é outra. O asfalto, em frente da sua casa, foi concluído há quatro meses. Motivados com a melhor qualidade de vida, ampliam os fundos da moradia, sem a preocupação de se prevenir contra a poeira.

Máquinas transferidas para a ERS-421

A obra começou em 1998, mas foi paralisada por falta de recursos. O sócio-proprietário da construtora, Nilson Giovanella, destaca que faltam detalhes para entregar a pavimentação ao governo do estado: pintura da pista em determinados trechos e colocação de placas de sinalização, o que deve ocorrer nos próximos dias. Foram investidos R$ 14,6 milhões.

Cita que a obra foi retomada em 2009, mas devido à troca no governo estadual, o projeto parou. Máquinas voltaram ao trecho no início do ano passado, após determinação do Daer.

Todos os operários foram transferidos para trabalhar na pavimentação da ERS-421, trecho que liga Forquetinha a Sério. A construtora assumiu a obra há duas semanas após comprar 95% das ações da Sanitec, empresa que realizava o serviço.

Giovanella garante agilidade na empreitada e espera que os trabalhos sejam concluídos até o fim de 2014. São quatro equipes, que envolvem 30 operários e 12 máquinas. A rodovia tem 22,8 quilômetros e o investimento projetado é de R$ 15,85 milhões.

Dados econômicos

Frango de corte
Produtores integrados: 50
Valor adicionado: R$ 20.008.425,74

Suínos
Produtores integrados: 29
Valor adicionado: R$ 7.842.730,93

Tabaco
Número produtores: 352
Valor adicionado: R$ 4.012.944,71

Produção leiteira
Número produtores: 204
Valor adicionado: R$ 3.002.039,36

Ovos in-natura e férteis
Produtores integrados: 6
Valor adicionado: R$ 1.849.721,54

Bovinos e bubalinos
Valor adicionado: R$ 597.981.20.

Lenha e madeira
Valor adicionado: R$ 416.274,69.

Citros
Valor adicionado: R$ 209.526,95

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