Movimento Libera Já pretende levar pleito da região até Câmara Federal

Com caminhões em marcha lenta na estrada, a mobilização Libera Já pretendeu chamar a atenção para urgência na liberação do trecho de terras que compreende a aldeia indígena em Estrela, segmento que deve contemplar a duplicação da BR-386. Organizado por entidades de classe da região, o protesto se voltou contra a Fundação Nacional do Índio (Funai) – na visão dos empresários e representantes políticos que engendram o movimento, a morosidade do órgão é o principal entrave na conclusão da obra. É somente com o aval da entidade que as máquinas poderão avançar sobre os dois quilômetros da área onde se encontram os índios. Entretanto, a manifestação pretende ir além dos nove quilômetros de congestionamento alcançados no sábado.

O presidente da Câmara de Indústria e Comércio (CIC) do Vale do Taquari e porta-voz da mobilização, Oreno Ardêmio Heineck, revela que o próximo passo será questionar a Funai. “Veja como está a situação dos indígenas aqui. Eles são totalmente marginalizados, estão desassistidos. Onde está a Funai?”, indaga. “E não é só isso. Na própria questão da liberação desta área de terras, a qual temos conhecimento de pertence à União e onde os índios não residem mais, a Funai não nos dá retorno”, completa, dizendo que conta com o apoio da população para levar o assunto até a Câmara dos Deputados, na esperança de obter o desfecho da duplicação da BR-386. “Vamos nos articular politicamente para conseguir o apoio necessário a fim de acabar com esse entrave.”

A ação dos empresários da região, diz Heineck, conta com o apoio do senador Paulo Paim e do deputado federal Elvino Bohn Gass. E durante o protesto, representantes do deputado Gilmar Sossella, responsável pela Frente Parlamentar Pró-Duplicação, também manifestou apoio à causa.

Heineck acrescenta que desde o dia 17 de fevereiro existe um pedido formal feito ao chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, para tratar do assunto. O presidente da CIC afirma que há morosidade por parte da Funai e que se tenta por diversas formas agilizar a liberação do segmento para dar continuidade às obras. “Nosso contato com a Funai é por meio da ministra Maria do Rosário e temos um interlocutor com a aldeia indígena”, garante.

Libera já

A mobilização que ocorreu na manhã de sábado, dia 15, próximo ao Posto Laguinho se soma ao esforço que já vem sendo feito pela Comissão Pró-Duplicação. A chuva do dia do protesto não atrapalhou o planejamento do Libera Já. Antes das 9h, os caminhões começaram a se organizar para ocupar a BR-386. “Queremos sensibilizar a sociedade e mostrar a importância desta rodovia para a região. Vamos fazer isto com os caminhões na pista, transitando de forma ordenada com baixa velocidade, o que, consequentemente, vai reduzir o fluxo. Desta forma, vamos mostrar que a duplicação se faz mais do que necessária, pois afeta diretamente a logística da região”, destacou o empresário Valmor Scapini, que representou o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setsergs).

Para Scapini, a própria logística da rodovia justifica a urgência do andamento da duplicação. “A BR-386 é um corredor que liga o sul ao oeste do Brasil. Por aqui passam caminhões que acessam o Porto de Rio Grande. E a ausência da duplicação representa um cerceamento ao fluxo de caminhões. À medida que se anda mais devagar, se perde não só tempo, mas também dinheiro, porque a economia que depende dos transportes fica embargada.” O empresário também reforça que, desde sua projeção, já era prevista a duplicação da BR-386.

Andamento da duplicação

A obra compreende a duplicação de 34 quilômetros desde Tabaí até Estrela. Desse trajeto, 7,4 quilômetros – do marcos 363 (próximo a empresa Bom Gosto) ao 370 (Praça de Pedágios em Fazenda Vilanova) – foram liberados para o tráfego em pista dupla, em fevereiro, conforme previa o cronograma. O restante está em obras, com exceção do trecho de dois quilômetros em Estrela, o qual aguarda o aval da Funai para que as máquinas comecem a trabalhar.

Aldeia Indígena

Para a Funai, a liberação depende da realocação completa dos indígenas. A construção da nova aldeia foi orçada em R$ 8,5 milhões para construção de 29 casas, as quais, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prevê o término de construção somente no fim do ano.

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