Mel é o principal produto na propriedade para agricultor de Paverama

Para grande parte dos agricultores o mel é um produto secundário na propriedade, servindo, em muitos casos, apenas para o consumo da família. Não é o caso do produtor Celso dos Reis Borba, da localidade de Lajeadinho, em Paverama. Proprietário de uma agroindústria, Borba produz, com o apoio da esposa Leani, cerca de 20 toneladas de mel por ano, que são comercializadas a R$ 15 o quilo, em média, não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em outros estados como Santa Catarina e São Paulo.

O volume produzido pelo apicultor nem sempre foi esse. “Quando era mais novo, meu pai trabalhava com cultivo de eucalipto e tinha uma meia dúzia de caixas para produção de mel, apenas para o lazer”, recorda. Como gostava da atividade, o agricultor resolveu investir. Há cerca de 25 anos, na época em que namorava Leani, começou a fazer cursos e a participar de seminários e congressos relacionados ao tema, prática que mantém até os dias de hoje. “A nossa primeira atividade juntos, na primeira semana de casados, foi pintar caixas de abelhas”, sorri Leani.

De lá para cá, com o apoio da Emater/RS-Ascar, da prefeitura e de outras entidades ligadas ao setor, Borba ampliou a produção, atingindo o número atual. Hoje, o agricultor possui 500 caixas, espalhadas em 170 hectares de área, boa parte delas obtida com o apoio de vizinhos e amigos. “Quem empresta a área para a produção de mel também se beneficia, já que a polinização aumenta no local, o que favorece o cultivo de flores e frutos”, analisa. “Nunca é demais lembrar que para a produção de aproximadamente de 40 quilos, ou uma caixa por safra, são necessárias cerca de 70 mil abelhas”, ressalta.

Como forma de organizar o trabalho, o apicultor produz mel relativo a apenas uma florada ao ano, o que possibilita fazer a manutenção, que envolve desde a preparação de alimento para os dias mais frios, até a troca de favos e de rainhas. “Minha ideia é ampliar ainda mais a produção, chegando a 60 quilos por caixa”, projeta. A recente divulgação de uma supersafra de grãos, por parte da Emater/RS-Ascar, fez o agricultor comemorar. “É claro que o resultado é influenciado pelo manejo adequado, mas uma boa safra garante a quantidade de abelhas necessária para que o volume de mel também seja satisfatório”, diz.

Para poder armazenar e processar o mel, Borba investiu em uma agroindústria, que recentemente foi legalizada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo (SDR), estando apta a trabalhar nas esferas ambiental, sanitária e tributária. Além deste apoio, recebeu por meio de recurso do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), relativo à Participação Popular e Cidadã, R$ 29 mil para investimentos em estrutura e equipamentos do empreendimento.

Assim, de acordo com o técnico agrícola da Emater/RS-Ascar, Aldacir Pretto, ele pode comprar centrífuga, decantador, estufa, mesas, entre outros equipamentos. “E com a vantagem de ter um bônus adimplência de 80% para pagamentos em dia”, ressalta. Para o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar em Apicultura, Paulo Conrad, o agricultor serve como exemplo, ao mostrar que a dedicação pode tornar a produção de mel um negócio viável, capaz de gerar renda e de garantir qualidade de vida para toda a família.

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