Médico Fernando Lucchese fala sobre longevidade e qualidade de vida

Um dos mais ilustres cardiologistas do país, Fernando Antônio Lucchese, palestrou para um grande público presente durante a última reunião-almoço promovida pela Câmara de Comércio, Indústria e Serviço de Estrela (Cacis), na sexta-feira, dia 19. “No início do século XX, a ressonância magnética do campo da Terra estava em 7,5 ciclos por segundo. Hoje está em 12,5. Nosso dia tem 16 horas e os físicos não têm explicação para isso”. Segundo o cardiologista, o século XX foi o período das grandes conquistas tecnológicas, mas não conseguiu elevar significativamente a longevidade. Conforme relatou, em 1801 as pessoas viviam, em média, 32 anos; no início do século XX, 52 anos e, hoje, temos uma média de 72 anos de expectativa de vida. O século das grandes invenções, como a penicilina, as cirurgias cardíacas, e as pontes de safena, disse ele, deveria ter dobrado a longevidade, mas fracassou.

Isso porque, segundo o médico, a tecnologia do século XX acelerou a vida humana, mas também trouxe à rotina das pessoas a competição patológica. “É como se tivéssemos, dentro de cada um de nós, um selvagem aborígene australiano. Só que ele é que tem a tranca da jaula e se liberta no trânsito, em casa, no trabalho e nos mais diversos lugares”, explicou.

O cardiologista disse que 70% das mortes hoje têm como causa os infartos, os derrames e os cânceres e que a neurose já não é mais doença, mas sim comportamento. “Tudo isso é causado pelo nosso maior inimigo, nós mesmos. Cultivamos nossos erros até que eles resultem em doenças”.

Hoje em dia, explicou, já não é mais possível separar a alma do corpo. “Raiva, inveja, vaidade, são doenças da alma que atingem o corpo”, afirmou. O quarteto que ele chama de perigoso e um “gerador fantástico de doenças” é formado pela solidão, egoísmo, pessimismo e depressão. Em contraposição, o quarteto da felicidade se constitui de solidariedade, altruísmo, otimismo e espiritualidade. “Existem estudos que mostram que quanto mais atividades religiosas a pessoa pratica, menos dosagem de inflamação existe no seu sangue”.

Ele destacou, ainda, que existem núcleos de pessoas que vivem mais de 100 anos em diversas partes do mundo, mas que em todos esses lugares são encontrados traços comuns: comem muito vegetal (90% da alimentação), poucos alimentos de origem animal (apenas 10%), consomem baixa quantidade de sal e açúcar; têm convivência social ativa, valorizam muito os idosos, cantam, dançam e, entre eles, ricos e pobres comem basicamente as mesmas coisas. “Não existem pacotinhos e latinhas nesses lugares”, ressaltou, referindo-se ao baixo consumo de produtos industrializados.

No final de sua fala, o médico explicou sua equação para uma vida feliz: “Estilo de vida saudável é igual a saúde, que resulta em felicidade, longevidade e produtividade”. “A busca da felicidade é o único compromisso do ser humano com a vida”, concluiu.

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