Mais de mil pessoas prestigiam o Fórum do Leite

Produtores rurais, estudantes, técnicos, profissionais da área e comunidade, vindos de municípios dos Vales do Taquari, Rio Pardo, Caí e Serra, lotaram o Auditório Central do Colégio Teutônia na última quarta-feira, dia 18, para prestigiar o 7º Fórum Tecnológico do Leite. O evento, organizado pelo Colégio Teutônia e parceiros, teve como tema central “Gestão da nutrição em bovinos de leite: agregando valor à atividade” e abordou o modelo de produção local, com foco nas atividades dos produtores rurais da região.

O fórum marcou as comemorações pelo Dia Estadual do Leite em Teutônia, celebrado anualmente na terceira quarta-feira do mês de setembro e que enaltece a importância da bebida para a população e incentiva o consumo do alimento.

Valor das parcerias

O diretor do Colégio Teutônia, Jonas Rückert, saudou a todos os presentes e ressaltou o valor das parcerias. “Como instituição de ensino, assumimos o compromisso de contribuir com a formação dos cidadãos. O Fórum do Leite é mais uma iniciativa da escola que busca a reciclagem de conhecimentos e a avaliação de processos e práticas no setor de produção agropecuária. Capacitar pessoas é a nossa missão e, para isso, contamos com inúmeras parcerias que nos proporcionam momentos como este, em que são compartilhados muitos conhecimentos.”

O presidente da Diretoria Executiva da Fundação Agrícola Teutônia (FAT), entidade mantenedora do Colégio Teutônia, Luiz Carlos Haas, igualmente enalteceu o empenho do educandário. “A escola prepara profissionais técnicos para qualificar as atividades do campo. O Fórum do Leite é uma ferramenta para disseminar novas técnicas e apresentar tendências futuras.”

Na mesma linha foi o pronunciamento do vice-prefeito de Teutônia, Evandro Biondo. “Somente o trabalho em conjunto nos permite alcançar o sucesso. No fórum contamos com a união de esforços de inúmeras organizações e o prestígio dos nossos agricultores e estudantes. O evento presta um serviço de suma importância para a sociedade.”

Mercado em expansão

O presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, enalteceu a importância da cadeia produtiva do leite. “Trata-se de um segmento muito importante, contribuindo significativamente para que o Vale do Taquari se afirme como uma das regiões mais representativas no agronegócio gaúcho. Há muitos desafios pela frente, e um deles é a necessidade de profissionalização do setor. Nesse contexto o Colégio Teutônia contribui historicamente com a formação de profissionais técnicos.” Para Bayer, o Estado precisa investir na qualidade da produção leiteira para que o Rio Grande do Sul se posicione como grande exportador de leite. “Os produtores rurais, e nisso me incluo como produtor de leite, precisam estar preparados para as variáveis do processo de produção. Nesse contexto, o Fórum do Leite traz benefícios a todos.”

O coordenador regional da Secretaria Estadual da Agricultura e Pecuária (Seapa/RS), Luís Fernando Dalcin, apresentou programas do Governo do Estado que beneficiam os produtores rurais. “Agricultores, continuem buscando o apoio e a orientação das entidades que trabalham com o campo, prestigiem eventos como este fórum e invistam na qualificação e no conhecimento. O resultado desse trabalho coloca o Vale do Taquari, Teutônia, o Colégio Teutônia e a Languiru como referência no trabalho pelo desenvolvimento do setor primário.”

Representando a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), o coordenador regional Mauro Stein defendeu a produção sustentável do leite. “A cadeia produtiva do leite possui grande importância social, é a principal cadeia produtiva e mantem o maior número de famílias na agricultura. O leite é uma atividade em franca expansão, o mercado atual é favorável e a agricultura está atenta a novas técnicas de produção.”

Planejamento e organização

A palestra inaugural na manhã de quarta-feira destacou “Resultados a partir da metodologia PISA (Programa de Produção Integrada em Sistemas Agropecuários)”, com o zootecnista Davi Teixeira dos Santos. O programa busca promover o desenvolvimento rural sustentável por meio da correta integração de atividades e diversificação da produção, difusão de tecnologias sustentáveis e transformação do processo produtivo, para obtenção de alimentos seguros, com qualidade, competitividade e geração de emprego e renda.

“Com as atividades do programa buscamos a rentabilidade, o conforto e a permanência das famílias no campo. O PISA é uma ferramenta que oferece um conjunto de tecnologias para construção de sistemas de produção sustentável, independente dos produtos agropecuários finais”, explicou Santos, enfatizando a necessidade de motivação para manutenção dos jovens no campo. “Precisamos organizar a ocupação do solo no espaço e no tempo, reduzindo os riscos das atividades, apesar das variações de mercado e climáticas.”

O palestrante destacou que o segredo do programa está no planejamento, na gestão e na utilização responsável dos recursos disponíveis, aliados a muita atitude e empreendedorismo dos atores principais, que são os produtores rurais.

Equilíbrio da nutrição

Na palestra “Silagem x produção: diagnósticos e possibilidades”, o médico veterinário e nutricionista Joel Girardelo e o engenheiro agrícola e especialista em Nutrição Animal Diego Barden dos Santos, apresentaram pesquisa sobre a qualidade da silagem do Vale do Taquari, desenvolvida numa parceria de Emater, Cooperativa Languiru e produtores.

“Vivemos um momento importante no agronegócio, em especial na produção leiteira, e precisamos nos sentar e traçar estratégias em conjunto, que envolvam manejo, acompanhamento e a construção de novas alternativas. Nesse quesito, reprodução e produção podem andar juntas”, explicou Santos.

Girardelo apresentou alguns resultados do programa, com detalhes de como é trabalhada a silagem, em especial de milho, na região. “Os produtores precisam ser eficientes para produzir leite e agregar valor à produção da propriedade. O poder aquisitivo das pessoas aumentou e, com isso, cresceu a procura pelo leite.”

Entre as premissas para otimizar a produção, o palestrante enfatizou que não apenas a nutrição irá solucionar todos os problemas, mas sim um trabalho de construção conjunta que atente à sanidade, reprodução/genética, ambiente e dieta. “Deve haver equilíbrio da nutrição para termos o máximo proveito. O que estiver ao alcance dos produtores para agregar valor à propriedade deve ser implementado”, sugeriu.

Sem fórmula mágica

“Não existe uma fórmula mágica de produzir leite. Todas as propriedades precisam de um ponto de equilíbrio econômico e cada sistema de produção tem seus limites. A nutrição do rebanho está diretamente relacionada à genética de potencial de produção, às instalações de conforto e produção de leite, à sanidade e ao manejo, com organização do trabalho.” A citação é do palestrante da tarde, doutor em Nutrição e Conforto Animal Mikael Neumann, que abordou o tema “Gestão da nutrição em bovinos de leite”.

Conforme o palestrante, o bom nutricionista é o que trabalha preventivamente. “Não se trata de mera busca por maior produção de leite. Pastagem e silagem devem ser usadas conforme as particularidades de cada propriedade. Existem fases na propriedade e cada sistema tem seu limite. Não podemos simplesmente confrontar silagem com pasto, são dois alimentos com valor nutricional e funções diferentes numa dieta.”

Como consideração, Neumann ponderou que “a vaca precisa reproduzir para produzir leite”. Frisou também que o melhor produtor de leite é o que tem animais produtivos, não necessariamente a maior quantidade de animais. “Falar de nutrição animal é dizer que todos deveriam ser vaca por um dia. Acompanhar de perto a rotina na pastagem, o ingresso na sala de ordenha, a avaliação da alimentação, a disponibilidade de água e de sombra. Sendo vaca por um dia, vamos saber onde podemos melhorar. A boa nutrição começa em diminuir stress”, encerrou.

Profissionais capacitados

Encerrando a programação do Fórum Tecnológico do Leite, no turno da noite os alunos do curso Técnico em Agropecuária e a comunidade assistiram à palestra “Produção de silagem de alta qualidade e controle de microtoxinas”, com o mestre zootecnista Edson Carlos Poppi.

Nesse contexto o palestrante salientou a importância dos profissionais técnicos na orientação aos produtores rurais. “O trabalho dos técnicos é muito importante para melhorar o cenário do campo.”

Com dicas e cuidados técnicos, Poppi falou das principais características de uma boa silagem. Entre outras, comentou da manutenção das máquinas de uma ensilagem para a outra, a altura de corte, percentual de massa seca, volume, grãos, maturação das plantas, compactação, controle da umidade e das microtoxinas.

Leite em Metro

A programação do evento ainda contou com apresentações artísticas do Conjunto Instrumental do Colégio Teutônia, degustação de lácteos e o concurso Leite em Metro. A próxima edição do fórum será em setembro de 2014 e a comissão organizadora já prepara novidades.

O 7º Fórum Tecnológico do Leite foi realizado pelo Colégio Teutônia, com o apoio de Emater-Ascar/RS, Fetag/RS, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia/Westfália, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (ASEAT), Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (Programa Leite Gaúcho), com patrocínio de Nutrifarma, Du Pont/Pioneer, cooperativas Languiru, Certel Energia e Sicredi e prefeituras de Westfália e Teutônia.

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