Mais de 1,7 mil pessoas participam do Seminário do Sincovat

Instigadas a entender por que a educação é a chave para o progresso individual e social e como fazer a sua parte, cerca de 1,7 mil pessoas participaram, na última sexta-feira, dia 11, do Seminário do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat).

O público assistiu, no teatro do Centro Cultural da Univates, em Lajeado, às palestras da coronel aposentada da Força Aérea dos Estados Unidos, Flavia Casassola Thomas; jornalista Alexandre Garcia; professores Clóvis de Barros Filho e Ozires Silva; e senador Cristovam Buarque. Entre as mensagens deixadas por eles, para que a educação melhore no Brasil, estão a ação de toda a sociedade, o comprometimento também da família, a valorização dos professores, além de a escola atuar como libertadora dos estudantes.

Essas questões se somam à proposta do presidente do Sincovat, Edson Schneider. Ele lembrou que, a partir de 2040, a população economicamente ativa será menor que a dependente. “Teremos que ter mais produtividade com menos recursos humanos. E aumento de produtividade passa, basicamente, por educação. O tema exige um debate sério e fundamentado, do qual o cidadão brasileiro não pode mais se omitir”, frisa.

Foi por isso que lideranças políticas, da classe contábil e empresarial, professores e profissionais de diversos setores de todo o Rio Grande do Sul prestigiaram a 12ª edição da atividade. Entre as autoridades presentes estiveram o prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt; e os presidentes do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do RS (Sescon-RS), Diogo Chamun; Conselho Regional de Contabilidade do RS (CRCRS), Antônio Palácios; e Federação dos Contabilistas do Rio Grande do Sul (Federacon RS), Sergio Rossetto.

Ao final do evento, o coordenador do Seminário e vice-presidente do Sincovat, Rui Mallmann, agradeceu o trabalho da equipe que se dedicou ao planejamento e execução da atividade.

Homenagem

Durante o Seminário, o Sincovat também fez a tradicional homenagem ao Contador Emérito. Este ano, o professor da Univates, Valmor Arsildo Kappler (55), foi agraciado com a distinção por sua trajetória bem-sucedida nos meios acadêmico e empresarial. “Esta homenagem remete a, pelo menos, mais 30 anos de compromisso”, brincou. E acrescentou emocionado: “Não tem coisa mais gratificante do que isso que vocês fizeram comigo”. Por meio de um vídeo, a plateia conheceu mais da carreira do profissional e da sua família.

“É preciso ordem e progresso com ação”

Experiências de guerra e como a dedicação aos estudos foi determinante para chegar à Força Aérea dos Estados Unidos foram os destaques da palestra de Flavia Casassola Thomas. Para ela, a educação não está sofrendo por falta de dinheiro, mas sim, pelo desinteresse das pessoas. A falta de contato com os livros, por exemplo, é um dos indicativos. “Em geral, desde o meu tempo de criança, até agora, o Brasil continua valorizando o futebol e o carnaval. Isso é uma diversão, não a fundação para o país”, entende.

Para ela, a mudança passa necessariamente pela ação, e provocou a plateia a refletir sobre isso: “O que vocês vão fazer, amanhã, depois que saírem daqui? Para mudar o sistema de pensamento no Brasil, precisa o envolvimento de todos”, ressaltou. Para Flavia, é necessário manter a mente aberta para possibilidades. “É preciso ordem e progresso com ação.”

“Falta educação porque os nossos políticos não querem”

A formação das crianças é dever da família, e o ensino, da escola. Esta foi a principal mensagem deixada pelo jornalista da Rede Globo, Alexandre Garcia, no 12º Seminário do Sincovat. “A escola ensina a ler, pesquisar, pensar, línguas e geografia. Em casa, são pais e filhos juntos ao redor de uma mesa.” No entanto, há problemas dos dois lados: os pais não têm tempo para os filhos e estes não dão atenção aos mais velhos.
Questões como essas fizeram o comentarista não economizar na crítica, tanto ao povo como aos governantes. “Falta educação porque os nossos políticos não querem educação, porque educação liberta. Se a pessoa adquire conhecimento, começa a raciocinar, decidir e tomar decisões. Ela vai ser um perigo na hora de votar”, destacou.

Mesmo com tantas dificuldades, a possibilidade de o Brasil “dar a volta por cima” existe – e ela depende também da população.

O papel da educação como libertadora

Com conteúdo mais filosófico, a palestra do professor Clóvis de Barros Filho fez a plateia refletir sobre a complexidade da existência humana. E qual o papel da educação na vida de cada um? “É preparar-se para a arte da escolha, da decisão sobre si mesmo, dos caminhos a percorrer. O processo educativo deveria preparar os nossos jovens para isso”, entende.

Isso se faz necessário por que o homem, segundo Barros Filho, não tem as respostas para a própria vida e, por isso, precisa aprender. Conforme o palestrante, preparar-se para a decisão implica em reconhecer as próprias dificuldades e não transferi-las para outras pessoas. “Você é responsável pelo que é. Não adianta responsabilizar os outros pelas mazelas da sua existência”, observou. O palestrante também falou sobre a importância dos valores e como eles são norteados segundo princípios éticos. “A educação deve preparar os alunos para a complexidade, para o uso do pensamento complexo. É dar certeza de que a vida não dará moleza. Essa é uma educação libertadora.”

Ousadia para mudar a educação

O reitor da universidade Unimonte, Ozires Silva, compartilhou com a plateia a trajetória da criação, em 1969, da Embraer, fabricante de aviões, como exemplo de persistência da sua carreira como engenheiro aeronáutico. Em paralelo, falou sobre como a educação é essencial para que o Brasil melhore e possa ter outros bons exemplos de empreendedorismo. “Não acompanhamos o que está acontecendo no mundo. Podemos nos reunir com boas cabeças, ter coragem e fazer as modificações necessárias”, propôs ao público.

Na visão do ex-ministro, o processo educacional brasileiro piorou. “Isso que está acontecendo hoje conosco não é aceitável. O slogan ‘pátria educadora’ não existe. Se olharmos para as coisas que estão acontecendo, estão correndo exatamente ao contrário”.

Mas como a sociedade civil pode ajudar a fazer as mudanças necessárias? Para Silva, o caminho é a ousadia. “A educação tem que ser resolvida agora. Estamos precisando de uma enorme ousadia, de modo que não vemos isso nos líderes políticos atuais”.

Federalização da educação

Para o senador Cristovam Buarque, a chave para o progresso individual e social passa pela federalização da educação.

A proposta compartilhada com o público tem como objetivos contar com professores bem remunerados, selecionados, dedicados e avaliados, além de escolas bonitas e confortáveis e com os melhores equipamentos, além de funcionamento em horário integral. “Há duas razões para substituir as escolas municipais e estaduais por escolas federais. Primeiro, os municípios são pobres. Segundo, são muito desiguais entre eles”, observa. A ideia de Buarque seria possível a um custo de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 20 anos.

O senador justificou a sua sugestão tendo em vista algumas situações. Uma delas é que a educação é, hoje, mais importante para os países e para as pessoas do que no passado e, mesmo assim, esta área no Brasil é sem qualidade e com desigualdade entre as pessoas. “É preciso fazer uma revolução que resolva a insanidade de não oferecer boa educação a suas crianças, e a imoralidade de não oferecer educação de qualidade para todas elas, nas mesmas condições, independente da renda da família e da cidade onde vive”, complementa.

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