Líderes cobram investimentos da AES Sul

Representantes dos municípios da região, da Assembleia Legislativa e da AES Sul participaram de audiência pública na noite da última quinta-feira, dia 13, em Roca Sales. Convocado pelo deputado estadual Lucas Redeker, o encontro debateu investimentos e planos para garantir o abastecimento de energia elétrica no próximo verão.

Moradores da região criticaram as falhas na rede elétrica. Morador de Linha Fernando Abbot, Marciano Lucca, 45, relata que as faltas de luz são constantes na comunidade. “Há 15 dias foram 50 horas seguidas sem energia”, afirma. Segundo ele, até o abastecimento de água ficou prejudicado.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Roca Sales, Egon Schneider, 60, disse que a situação é recorrente nas localidades do interior. Ele trouxe fotografias que mostram a falta de manutenção em postes e cabos tomados pela vegetação.

“Sempre que chove ficamos sem energia, que ainda demora para ser restabelecida”, relata Schneider. Segundo ele, em 2013 a localidade de Linha Mariana ficou sem eletricidade por 96 horas seguidas. Neste ano, foram duas interrupções de 60 horas.

O prefeito de Roca Sales, Nélio Vuaden, ressaltou a preocupação com a rede elétrica no interior. “O setor primário representa 40% da arrecadação do ICMS do município e precisa de eletricidade.” Vuaden cobrou a ampliação da rede trifásica aos produtores e ações que evitem prejuízos como os ocorridos no último verão.

Morte de frangos

Na primeira semana de fevereiro, uma queda no sistema de distribuição de energia deixou cerca de 20 mil pessoas sem energia no Vale do Taquari. O problema interrompeu o funcionamento de sistemas de ventilação e nebulização em granjas da região, resultando na morte de cerca de 500 mil frangos. O prejuízo foi avaliado em R$ 5,4 milhões.

Coordenador regional de operações da AES Sul, Ricardo Slaghenaufi Neto assegura que a empresa reestruturou as redes que apresentaram falhas no verão passado. Segundo Neto, a falta de energia em fevereiro aconteceu devido à queda de uma estrutura de transmissão em Palmas.

Outro problema foi motivado pela dilatação de fios de transmissão causada pelo calor de mais de 40oC. Conforme o coordenador, a estrutura de Palmas foi totalmente trocada, assim como a rede que apresentou problemas de dilatação.

“Os dois pontos foram testados para garantir a confiabilidade”, garante. Neto disse que a empresa investigou outros locais da rede para evitar problemas semelhantes. Segundo ele, demais falhas são pontuais e solucionadas caso a caso.

CPI da energia

Problemas na distribuição de luz enfrentados durante a onda de calor do último verão resultaram em investigação na Assembleia Legislativa. Iniciada em março, a CPI da Energia Elétrica durou 120 dias e resultou na elaboração de relatório com mais de 1,2 mil páginas.

Foram ouvidos representantes de entidades, agências reguladoras e as concessionárias que prestam serviço de energia no Estado. A CPI concluiu que os investimentos realizados pela AES Sul, RGE e CEEE são insuficientes para suprir a demanda.

Presidente da CPI, Lucas Redeker, sugere autonomia da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos RS (Agergs) em relação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o deputado, em 2013 a Agergs arrecadou quase R$ 160 milhões em multas, e os recursos foram repassados ao governo federal. O deputado defende que o dinheiro retorne ao Estado em forma de investimentos no setor elétrico.

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