Languiru apresenta case de bionergia para ministério da Alemanha

O cooperativismo vem proporcionando melhorias à sociedade gaúcha, principalmente na articulação de propostas que refletem em benefícios sociais e econômicos. Visando incentivar uma maior consciência ambiental, um desses temas que vem ganhando relevância é o estímulo à geração de bionenergia. Nesse contexto, no dia 19 de setembro, a Languiru deu provas de que é uma cooperativa bastante atuante.

A Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), em Porto Alegre, recebeu a visita do vice-ministro da Agricultura e da Alimentação da Alemanha, Robert Kloss. Acompanhado de uma numerosa comitiva do governo alemão, Kloss se inteirou do projeto de biogás desenvolvido pela Languiru, por meio do acordo de cooperação bilateral entre a Confederação das Cooperativas da Alemanha (DGRV) e o Sistema Ocergs-Sescoop/RS. Kloss também conheceu as dependências da Escoop, instituição de ensino superior mantida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul (Sescoop/RS).

A Languiru foi representada no encontro pelo vice-presidente Renato Kreimeier; engenheiro ambiental Tiago Feldkircher; coordenador comercial do Agrocenter Languiru, Neodi Elias Tischer; e coordenador do Setor de Suínos do Departamento Técnico, Beto Markus. Da mesma forma, a reunião contou com a presença do presidente da Casa Cooperativa de Sunchales, Raul Colombetti, e dos diretores de Projetos Internacionais da DGRV, Christoph Plessow e Arno Boerger.

O encontro ainda teve a participação da presidente da Fetrabalho/RS, Margaret Garcia da Cunha; do gerente de Formação Profissional do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Hélio Loureiro de Oliveira; do assistente administrativo da Ocergs, Matheus Loro; e da analista técnica da Formação Profissional, Diene Ludwig. O Ministério da Agricultura e da Alimentação da Alemanha também esteve representado pelos secretários e pesquisadores Friedrich Wacker, Birgit Risch, Ulrich Kleinwechter, Michael Hauck, Inge Gaerke e Eckhard Heuer.

Conhecendo a cooperativa

Kreimeier iniciou os trabalhos com a apresentação do case da Languiru, elucidando de forma bastante didática a diversificação representada pelos Setores de Aves, Leite, Suínos, Supermercados, Lojas Agrocenter e Combustíveis. A comitiva europeia ficou impressionada com o tamanho dos negócios da cooperativa, uma vez que o case era composto de várias fotos de granjas e unidades industriais, comerciais e administrativas.

O vice-presidente enalteceu que a cooperativa oferece uma série de atrativos aos associados, como 16 opções de produção e 35 profissionais que prestam o serviço de assistência técnica a campo. Também ressaltou o trabalho da Ocergs no fortalecimento do cooperativismo, na gestão e profissionalização do sistema. “A meta da cooperativa é viabilizar a pequena propriedade e manter o jovem no meio rural. Também investimos muito na qualificação do associado, uma vez que os índices de produção aumentam conforme o grau de escolaridade. Todo esse trabalho reflete na exportação de carnes de aves e suínos para mais de 40 países”, acrescentou.

Kreimeier agradeceu e enfatizou a importância do apoio que a cooperativa tem recebido do Sistema Ocergs-Sescoop/RS e dos parceiros do projeto de cooperação bilateral entre o Brasil e a Alemanha, com o envolvimento da DGRV e do Ministério alemão. Sobre o projeto do biogás, elogiou a possibilidade de transformar os dejetos em energia, o que está ocorrendo na Unidade Produtora de Leitões (UPL) Mundo Novo, em Bom Retiro do Sul. “Pretendemos ampliar o projeto do biogás visando a produção de energia elétrica para outras unidades da Languiru. Também queremos incorporar um aporte tecnológico em harmonia com o Meio Ambiente, melhorar o gerenciamento da cooperativa e fomentar parcerias com empresas alemãs no agronegócio”, sintetizou.

Projeto Biogás

Feldkircher deu prosseguimento à programação, compartilhando os avanços técnicos obtidos pelo acordo de cooperação bilateral entre o Sistema Ocergs-Sescoop/RS e a DGRV, no projeto-piloto de geração de bioenergia na granja de suínos da cooperativa em Bom Retiro do Sul. “O acordo de cooperação entre as entidades abriu novas portas à Languiru. Possibilitou que ela tivesse acesso à tecnologia alemã de geração de bioenergia e auxiliasse na melhoria da gestão de dejetos na UPL Mundo Novo”, exaltou.

Ele explicou o funcionamento do sistema que consiste na produção de biogás a partir dos dejetos de suínos. Feldkircher mostrou fotos e vídeos para ilustrar essa operação. “Em 2009 instalamos dois biodigestores, modelo canadense, na UPL Mundo Novo. Tivemos algumas dificuldades naquela ocasião, em função da falta de conhecimento técnico, mão de obra e falta de materiais. Em 2014, foram realizadas melhorias e a instalação de equipamentos, possibilitando então o uso do biogás”, relembrou.

O engenheiro ambiental explicou que o projeto começou a se consolidar em 2012, a partir de uma visita da Languiru a propriedades e empresas que produzem bioenergia na Alemanha. Impressionados com a iniciativa da cooperativa, os alemães fizeram perguntas sobre vantagens do sistema ao quadro social e a possibilidade de ampliação do projeto. “A maior parte dos produtores de suínos têm dejetos para incorporação no solo, porém, a intenção da cooperativa é estender essa geração de biogás às propriedades dos associados no futuro”, revelou.

O projeto de biogás de intercooperação considera o crescente aumento da demanda energética e a dificuldade para o seu suprimento, visando a identificação das tecnologias de biogás existentes na Alemanha e possibilidades de adaptá-las às condições da região Sul do Brasil, fazendo ser necessário o investimento em novas fontes energéticas alternativas para auxiliar no desenvolvimento sustentável.

Cooperativismo Gaúcho

Em seguida, os alemães conheceram os números que comprovam a importância econômica e social do cooperativismo no Rio Grande do Sul. O presidente da Ocergs, Vergílio Perius, apontou que o Estado conta com 440 cooperativas, das quais 138 do ramo agropecuário. Perius ressaltou que 2,6 milhões de gaúchos são associados de cooperativas, sendo que 293 mil são de cooperativas agropecuárias. “As cooperativas geram 58 mil empregos diretos e remuneram até 30% melhor que empresas privadas”, observou.

A Languiru e o seu papel na sociedade receberam atenção especial do presidente da Ocergs. “A Languiru vem crescendo muito a cada ano e em 2015 deve passar dos R$ 1 bilhão de faturamento”, destacou Perius.

Ele enfatizou os três pilares centrais do acordo de cooperação bilateral entre a DGRV e o Sistema Ocergs-Sescoop/RS: formação, auditoria e negócios. Também aproveitou para elogiar o projeto de geração de bioenergia. “A Languiru, por meio desse projeto-piloto, será uma oficina de biogás no país”, planeja.

Escola do cooperativismo

O diretor geral da Escola Superior do Cooperativismo (Escoop), Derli Schmidt, deu continuidade à programação com a apresentação dos objetivos e metodologia da instituição de ensino superior voltada exclusivamente ao ensino, pesquisa e extensão em cooperativismo. “A Escoop oferece cursos de graduação e MBA, sendo que já tem mais de mil estudantes matriculados este ano”, disse.

Schmidt destacou que a Escoop é reconhecida pelo Ministério da Educação como a primeira faculdade cooperativa do Brasil. Observou que a instituição de ensino superior tem parcerias acadêmicas com universidades da Alemanha, o que já propiciou a vinda de profissionais para lecionarem nos cursos realizados na Escoop. “Estamos preparando nossos estudantes, que são todos dirigentes, associados e colaboradores de cooperativas, para o cooperativismo do Século 21. Somos uma pequena faculdade, mas bastante atrevida”, afirmou.

Finalizando a programação, Boerger explicou à comitiva as etapas do projeto de cooperação bilateral entre DGRV e o Sistema Ocergs-Sescoop/RS, que visa aproximar as propriedades gaúchas das experiências de sucesso das cooperativas agropecuárias da Alemanha.

“Estou extremamente impressionado com a amplitude e profundidade das operações da cooperativa”

Kloss, em pronunciamento no final do evento, admitiu que ficou profundamente impressionado com o trabalho da Ocergs. Entende que a organização está pavimentando o futuro das cooperativas e lembrou que no mundo todo existem projetos financiados pelo Ministério da Agricultura e da Alimentação da Alemanha. “Nunca vi um projeto tão bem-sucedido como este, onde se estreitassem relações de parceria tão fortes e pudéssemos aprender uns com os outros. Temos que continuar investindo nos jovens, pois são eles que vão tocar as cooperativas no futuro”, sintetizou.

O vice-ministro também destinou muitos elogios à Languiru. Kloss disse que ficou impressionado com o trabalho da cooperativa teutoniense, que enfoca a qualidade dos produtos e o aprimoramento das pessoas que, de uma ou outra forma, têm sua renda ligada à Languiru. “Estou extremamente impressionado com a amplitude e profundidade das operações da cooperativa, uma vez que o Vale do Taquari deve boa parte do seu desenvolvimento à Languiru”, frisou.

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