Lagarta desconhecida ameaça produção de grãos no Vale

Uma nova ameaça ronda a agricultura brasileira: a Helicoverpa armigera, que possui um grande e rápido poder de destruição de lavouras como milho, soja, algodão, feijão e tomate. O surgimento da lagarta foi constatado no ano passado na Bahia, e não se sabe como ela chegou ao país. Inicialmente, houve uma tentativa de combate químico, que não surtiu resultado. Na região, duas lavouras – uma de milho e outra de soja, estão sendo monitorados no município de Roca Sales, segundo informa o técnico em agropecuária do escritório regional da Emater/RS-Ascar, Marcos Schäfler. O procedimento é a colocação de armadilhas que contêm um feromônio sexual que atrai o inseto.

A partir daí, é possível apurar a infestação. Ele salienta que é precisa haver uma vigilância permanente, já que alguns focos no Rio Grande do Sul já foram detectados, como foi o caso de Santa Maria. A Emater recomenda que as lavouras sejam observadas, semanalmente, para detectar a possível presença do inseto que possui um apetite voraz para consumir a parte vegetativa mais nobre das plantas. Para combatê-la, recomenda-se o controle biológico a partir da vespinha Trichogramma sp., criada em laboratório e liberada nas plantações afetadas.

Infestação e monitoramento

Quando ocorrer um caso em que se constate a infestação, Marcos recomenda que se procure imediatamente um técnico que possa acompanhar a coleta de material na lavoura, para análise em laboratório. O povoamento da vespinha é feita com cartelas adquiridas junto a indústrias de São Paulo e Minas Gerais.

As encomendas devem ser feitas nos escritórios da Emater. Após uma semana, o produto chegará às mãos do agricultor, para soltura nas lavouras. As lavouras que estão sendo observadas estão instaladas há cerca de dez dias na propriedade de Marcos Andre Stappenhorst, na Linha 21 de Abril, Roca Sales, onde ele produz milho e soja em 25 hectares.

Uma vez por semana, um técnico faz o acompanhamento e verifica se há algum indício desta, ou de outras lagartas. O produtor deixa claro que, por ser uma praga desconhecida em nosso meio, muito pouco se sabe a respeito dela. “As informações que se tem, é de trabalhos de pesquisa e dos veículos de comunicação”, coloca . Ao ser perguntado acerca do seu receio para com a ocorrência da praga, disse que ele é real, já que há um investimento que poderia ser perdido. Acredita, no entanto, que o comportamento do clima é fundamental para que isso ocorra. Se houvesse agora, pouca ocorrência de chuvas, poderia haver um retardamento de sua ocorrência.

Descrição das fases

Ovos: as fêmeas ovipositam de 400 a 3000 ovos. São de coloração branca brilhante com estrias radiais finas. Na fase inicial da cultura a mariposa realiza posturas, preferencialmente, no ponteiro. Quando a cultura entra na fase reprodutiva a oviposição é aleatória na planta não apresentando uma uniformidade.

Larvas: as lagartas são de colorações variáveis de amarelo-esverdeado a castanho, com manchas pretas, faixas longitudinais claras e escuras ao longo do corpo e cerdas em fileiras curtas e abundantes.

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