Kaplan: contribuição para a qualidade do leite desde a década de 1980

Quando o sobrenome Kaplan é pronunciado na Dália Alimentos, todos que ouvem o associam à palavra leite. Não por menos. Aos 54 anos, Luiz Henrique Kaplan tornou-se um dos conhecedores mais experientes sobre o produto no Estado.

Atualmente, ocupa cargo de apoio e assessoria técnica aos profissionais da área que atuam na Divisão Produção Agropecuária (DPA) da cooperativa. Entretanto, sempre lutou para que o leite obtivesse mais qualidade e passasse por um processo de amadurecimento e profissionalização.

Kaplan é médico veterinário graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e atua na empresa desde 1987. Sua trajetória teve início há 27 anos, com o trabalho de assistência técnica e clínica para suínos e gado leiteiro. Com atuação restrita à região de Arroio do Meio até Venâncio Aires, na época, levava conhecimento aos produtores no trabalho de campo. Mas foi no ano de 1989 que Kaplan começou a se aprofundar no leite. A partir de vários projetos e estudos, visualizou a possibilidade de fazer com que o setor fosse lapidado, chegando ao patamar atual.

Pelas mãos do veterinário, o leite começava a receber incremento através de projetos e programas até então inovadores na Dália e, também, no Estado. “Foi difícil, pois quando comecei nenhum produtor possuía resfriador. Com o passar do tempo, surgiu o resfriador de imersão e, mais tarde, o resfriador a granel e também a ordenhadeira”, lembra.

Com um estudo teórico em mãos, eis que surgiu, entre os anos de 1988 e 1989, o “Programa Leite B.” Tratava-se de um projeto que visava qualificar a atividade, o rebanho, a produção, o produto, enfim, toda a cadeia leiteira. “O leite precisava estar nos padrões, ter sala de ordenha e resfriador. Inicialmente, apenas cinco produtores da cooperativa participaram do programa”, recorda.

Mas o “Leite B” cresceria e passaria a contribuir e estimular o que hoje é o Programa Vale dos Lácteos, que reúne os melhores associados de leite da cooperativa, com uma média de 30 litros/leite/vaca/dia. A partir do “Leite B” , segundo Kaplan, foi possível sugerir a realização de investimentos nas instalações por parte dos produtores. Outra decorrência do programa foi a realização de testes de tuberculose e brucelose, garantindo a sanidade animal.

Tamanho foi o trabalho e a dedicação, que Kaplan exalta a evolução da atividade na Dália. Lembra a instalação da fábrica de lácteos, com a produção de leite UHT, em 1997, e também os volumes expressivos na produção, com progresso gradativo. “Em 1987, quando iniciamos o trabalho, a média de litros era de 30 mil por dia. Hoje, o volume é de 600 mil por dia”, informa, referindo-se ao recebimento nas unidades de leite.

Também fez menção ao número de associados, no passado de três mil e hoje de 1,8 mil associados, cuja produção, embora quase com metade do contingente, aumentou em virtude da qualificação. Outro comparativo apresentando por Kaplan diz respeito à produtividade de cada vaca por dia. “Em 1986 estava em cinco litros vaca/dia, enquanto hoje está em torno de 15 litros/vaca/dia. Mas a média ideal e que buscamos é de 25 a 30 litros/vaca/dia.”

Para o veterinário, a bovinocultura leiteira está cada vez mais profissionalizada, embora ainda necessitar de alguns ajustes. “O leite começou a ganhar valorização.”

Atividade promissora

Hoje, quase três décadas após seu início na empesa, Kaplan vislumbra um mercado bastante promissor para o leite. Acredita que o episódio do Leite Compen$ado, ação desencadeada pelo Ministério Público, que atingiu o estado no mês de junho, tenha contribuído para melhorar a atividade e promover um alerta ainda maior quanto ao fator qualidade e idoneidade na produção. “A fraude sempre existiu, por culpa de todos. Mas com essa ação melhorou bastante.”

Ele afirma que o leite tornou-se um negócio rentável e que oferece mais ganho ao produtor. Relaciona à mecanização, o uso de tecnologias, e melhoramento das instalações, a permanência do jovem no meio rural, entre outros aspectos, como fatores que impulsionam o setor. “É promissor, porque existe mecanização e até a utilização de robôs para o processo de ordenha”, opina.

Com quase três décadas dedicadas à cooperativa, Kaplan reconhece o porte e potencial da empresa, que, a cada ano, cresce e evolui com novos projetos e ações. “Fazer parte da Dália é motivo de orgulho. Sinto-me feliz em poder contribuir com a cooperativa e também com o setor do leite, como um todo.”

Sobre o atual trabalho que desempenha de assessoramento à equipe técnica, resume o que pensa em uma frase: “acho um desperdício levar 50 anos coletando dados e sabedoria e não poder repassar. O que hoje faço é isso, repassar o que sei e aprendi neste meio século, sempre visando contribuir com a atividade leiteira”, finaliza.

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