Jovem associado: Do interior para o exterior

Quando o jovem morador do interior de Coqueiro Baixo, Claudio Luis Martini (27) decidiu se inscrever no projeto-piloto Sucessão Rural, com ênfase em Gestão de Empreendimentos Rurais, da Dália Alimentos, queria apenas conhecimento para gerenciar sua propriedade e permanecer no meio agrícola, junto à família, na comunidade de Linha Arroio Bonito.

Agora, no mês de setembro, recebeu uma oportunidade ímpar para adquirir ainda mais conhecimento para gerir a atividade agrícola. Martini se prepara para providenciar a bagagem e viajar rumo à cidade de Colonia, no Uruguai.

Ele foi o jovem escolhido pela Dália Alimentos para participar do 1º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite. O evento será realizado nos dias 23, 24 e 25 deste mês, e deve reunir cerca de 250 jovens agricultores de vários países das Américas, vinculados à produção leiteira, para uma troca de conhecimentos e experiências.

A notícia da escolha de seu nome foi anunciada na segunda-feira, dia 9, durante o 8º encontro do projeto-piloto Sucessão Rural, no Centro de Cultura da cooperativa. Emocionado com a possibilidade de viajar pela primeira vez de avião e interagir com jovens de outros países, Martini disse estar muito feliz com a oportunidade. “Será muito bom poder aprender algo diferente, ainda mais num evento em outro país, com gente diferente. Será um grande aprendizado, ainda mais para mim, que estou querendo aprender mais e mais”, comenta o jovem agricultor.

Durante os três dias do encontro, serão realizadas conferências, palestras, atividades recreativas de integração, além de visitas técnicas a fazendas leiteiras, plantas industriais e centros de pesquisa da região, tudo focado na integração dos jovens.

Também está prevista a participação de renomados conferencistas e convidados especiais que, dentre outros temas, abordarão: integração entre as novas gerações, o acesso à terra e ao crédito e os desafios para o setor leiteiro no futuro. O intuito do encontro, também, é discutir aspectos práticos da atividade leiteira e da sucessão familiar, viabilizando a troca de experiências.

O 1º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite é organizado pela Federação Pan-americana do Leite (Fepale), entidade à qual a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) é associada. O evento tem parceria com a Associação Nacional de Produtores de Leite do Uruguai (ANPL).

Para o vice-presidente da Dália, Pasqual Bertoldi, ter um jovem associado representando a cooperativa no exterior é um fator muito significativo. “Adquirir conhecimento é sinônimo de mudança e buscar este conhecimento em um evento internacional é ainda melhor, pois se abre a oportunidade de um intercâmbio cultural.”

Bertoldi também frisou que hoje é Claudio quem está representando a Dália fora do país, mas que amanhã outro jovem poderá ter a mesma oportunidade. “Antigamente se dizia que quem não estudava ia ficar na roça. Hoje nem na roça mais fica. A busca pelo conhecimento é fundamental e a sucessão rural é tema em pauta que merece destaque”, pontuou.

Conhecimento revertido em aumento de volume

Martini integra o projeto-piloto Sucessão Rural idealizado pela Dália Alimentos. A escolha pelo jovem partiu de uma seleção entre os 11 jovens participantes do projeto, iniciado em fevereiro desde ano. O critério foi, primeiramente, escolher um produtor de leite e, depois, um participante que se destacasse dentro do projeto.

O agricultor coqueirense atua na atividade leiteira junto dos pais Ari (53) e Lourdes (50), e do irmão Marcos (19), mesclando o trabalho com aves e tabaco. O rebanho é composto por 25 animais, sendo que destes 15 encontram-se em lactação. A produção diária é de 350 litros. Antes de ingressar no projeto, Martini relata que a média de litragem era de 13 litros/vaca/dia. Agora, sete meses depois, o volume saltou para 23 litros/vaca/dia.

Ele atribui o melhoramento dos índices à forma de gerenciar a propriedade, com controle e organização. O jovem também está se dedicando à participação em cursos e capacitações sobre bovinos de leite dentro e fora do município onde vive.

Segundo ele, os primeiros reflexos da busca de conhecimento, renderam também aumento no volume de leite produzido ao dia. “Até um mês atrás era de 180 litros e hoje são de 350 litros. E isso porque troquei o manejo, reduzi os gastos com ração. Tudo ajudou para melhorar a atividade e, também, ganhar mais. Estou bastante contente”, considera Martini.

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