Integrantes da Chamada Pública do Leite participam de reunião em Relvado

Um grupo de agricultores de Relvado, que integra a Chamada Pública do Leite no município, participou nesta terça-feira, dia 26, de uma reunião no Salão Paroquial. O objetivo do encontro foi avaliar o segundo ano da Chamada, operacionalizada pela Emater/RS-Ascar, por meio de convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e que está sendo concluído no início de 2016. O planejamento de ações que serão executadas durante o terceiro ano do programa, que se estende até o mês de março de 2017, também fez parte da pauta do dia.

Inicialmente, o extensionista da Emater/RS-Ascar Ivan Bonjorno fez um resgate relativo aos temas mais demandados pelos produtores, quando o segundo ano de atividades da Chamada teve início, ainda no começo de 2015. Assuntos como o apoio para o licenciamento ambiental, armazenagem de água para os animais e para irrigação de pastagens, gerenciamento da propriedade, infraestrutura, melhoria da qualidade da energia elétrica, sucessão familiar e internet no meio rural foram abordados e debatidos, com eventuais pendências sendo encaminhadas.

Para 2016, temas como adubação de pastagens, qualidade do leite e custos de produção serão abordados, a partir de atividades diversas, como palestras, encontros, visitas, oficinas e dias de campo. “Esse é o momento não apenas para pontuar demandas, mas para conversar e trocar experiências, com vistas a qualificar o processo de produção”, enfatizou Bonjorno. “No ano que passou, foram muitas as ações junto aos produtores, com temas como produção de silagem, fitoterapia e melhoramento genético”, exemplificou o extensionista.

No Lote 19 da Chamada Pública do Leite, que teve início no começo de 2014, são 500 famílias participantes de 41 municípios dos vales do Taquari, Caí e Serra gaúcha. “O trabalho está concentrado nas propriedades que possuam litragem menor, com ênfase no aumento da produtividade e com Assistência Técnica e Extensão Rural continuada”, ressalta o gerente regional da Emater/RS-Ascar de Lajeado, Marcelo Brandoli. “Esse é um trabalho de impacto, que visa a redução de custos para os agricultores, garantindo a qualidade de vida e a possível continuidade dos jovens no meio rural, um tema tão caro a toda a sociedade”, salientou.

Exemplo de jovem que retornou para a propriedade dos pais para investir na bovinocultura de leite, o produtor Wilian Henrique da Silva, da localidade de Linha Saudades, se diz satisfeito com a atividade. “Trabalhei em uma marcenaria e em uma revenda de caminhões, antes de retornar para o campo, local que sempre gostei”, explica. Para ele, muitas vezes o problema pode estar na falta de diálogo entre pais e filhos e sobre o que os jovens almejam para o futuro. “Em casa, sentia um certo pessimismo em relação à lida do campo, ainda que meu pai nunca deixasse de ter dinheiro”, relata.

Foi justamente essa percepção – a de “ter dinheiro” – que fez com que Wilian se propusesse a retornar, em julho de 2014. “Achava que onde estava não poderia crescer ou ganhar mais”, analisa. Hoje, com 17 vacas em lactação produzindo cerca de 250 litros de leite ao dia, o jovem já projeta o crescimento do rebanho. “Penso em ter 22 vacas em ordenha”, diz. Os ventos favoráveis para os investimentos fizeram com que a namorada de Wilian, Indiara, não apenas fosse morar no campo, como também aprendesse sobre a rotina do trabalho com leite. “Ela foi aprendendo e hoje faz praticamente tudo”, garante.

A agricultora Ana Clarice Ferreira da Silva, da Linha Salvação, também passou por situação semelhante a de Wilian. Em casa, de acordo com seu relato, os pais não eram afeitos a incentivar o trabalho no campo. “Foi quando eu dei um ultimato, dizendo que iria sair de casa, se não pudesse me envolver com as atividades, especialmente o leite, que sempre gostei”, afirma. Sensibilizado, o pai resolveu dividir a propriedade, destinando a Ana, que já tinha trabalhado como auxiliar de mecânica, na cidade, cerca de 2,5 hectares, onde ela poderia produzir.

O investimento em leite, que teve início há três anos, tem dado resultado. Hoje, são sete vacas produzindo cerca de 110 litros de leite por dia. Mas o plantel deverá dobrar nos próximos anos com a recente aquisição de uma área de terra, em uma propriedade vizinha. “A gente vai fazendo os investimentos aos poucos, um passinho de cada vez”, sorri a produtora. Nem os problemas com doenças envolvendo o rebanho são capazes de desanimar Ana. “Quero, inclusive, participar de mais cursos, me aprimorar, assim como já fez o meu marido (Hilário)”, enfatiza. “É claro que temos dificuldades, mas com esforço conseguimos superá-las.”

O evento contou com a presença de algumas autoridades, entre elas o prefeito Adroaldo Dacroce, que permaneceu durante praticamente todo o dia para ouvir e responder sobre as demandas e anseios da comunidade, e o supervisor da Emater/RS-Ascar, Cézar Burille, que também fez contribuições. Durante o dia de trabalho, houve ainda palestra com o coordenador do Centro de Formação de Agricultores de Teutônia (Certa), Maicon Berwanger, que abordou o tema “Manejo de Pastagens”. Contribui ainda para a realização da Chamada Pública do Leite no município de Relvado a extensionista Rejane Polesi.

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