Instrução Normativa do Mapa cobra adequações em granjas

A Instrução Normativa nº 21 publicada na última quarta-feira, dia 22, no Diário Oficial da União (DOU), pelo Mapa, estabelece regras e normas para a certificação de granjas, a fim de reconhecer e atestar que elas adotam procedimentos que evitam a infecção das aves pelos vírus causadores da gripe aviária e da doença de Newcastle.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, a compartimentação traz uma nova perspectiva sobre a gestão sanitária do setor. Dividindo cada núcleo produtivo em compartimentos, o modelo estabelece um rastreamento sanitário pleno de toda cadeia, permitindo gestões mais rápidas e efetivas em caso de doenças. Com isto, reduzem-se os impactos econômicos gerados e se proporciona ainda mais segurança sanitária e credibilidade à cadeia produtiva. “O Brasil é o único país hoje, no mundo, que tem este diferencial”, destaca.

Entre os procedimentos descritos, estão os relativos à biosseguridade, vigilância epidemiológica, supervisões e auditorias. De acordo com ela, todas as granjas de reprodução, granjas de corte e incubatórios, além de fábricas de ração, devem estar registradas no setor de defesa sanitária animal correspondente.

Caberá às empresas manterem os registros que permitam identificação e rastreabilidade de cada lote de aves e ovos produzidos. Além disto, ela define ações a serem feitas pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), como a realização anual de auditorias em amostras das unidades.

Também caberá ao SVO coordenar um programa de vigilância periódica de amostras com avaliações clínicas das aves, bem como a coleta de amostras para o diagnóstico laboratorial. Uma equipe de gestão deverá fazer supervisões no compartimento, no mínimo, a cada quatro meses nas granjas de corte, e a cada três meses nas granjas de reprodução, incubatórios e nas unidades funcionais associadas.

Todas terão de se submeter, com frequência e metodologia, a um programa de limpeza e desinfecção por meio de produtos comprovadamente eficazes para a inativação dos vírus. Para obterem certificação, as granjas de reprodução e de corte devem ter um programa de manejo das aves mortas, sobras de ração, cama, sobras de comidas dos funcionários, além de cuidados com a água, rações, vacinas e com o risco de pragas – principalmente de roedores e insetos. Também terão de adotar procedimentos de segurança para pessoas, veículos, materiais e equipamentos que tenham acesso aos locais de produção. Os estudos para a instalação do programa começaram em 2018.

Hoje, o país é o terceiro maior produtor e o maior exportador mundial de carne de frango, alcançando mais de 150 mercados consumidores.

Investimento em sanidade

O produtor Dílson Scheeren, de Estrela, investe R$ 350 mil na construção de um novo aviário para alojar 30 mil aves. A nova estrutura atende todas as normas sanitárias exigidas por lei. Apesar do alto custo, destaca a necessidade de prevenir doenças e elevar a qualidade da carne produzida. “Para aumentar a exportação e o consumo precisamos atestar a procedência do produto. A sanidade é fundamental.”

Entre as obras realizadas para atender as exigências, enumera a colocação de telas contra entrada de pássaros e animais domésticos, colocação de arcas de desinfecção, escritório com banheiro e chuveiro, cercar a granja e construção de um prédio para depósito dos animais mortos. “Gastamos R$ 20 mil e reduzimos a possibilidade de alastrar doenças. Afinal quem perde é o produtor nestes casos.” Ainda serão instalados controladores de temperatura.

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