Instituto fará censo da cadeia leiteira

Preço baixo, desconfiança do consumidor após casos de adulteração e a estimativa de 30 mil famílias deixarem a atividade devido às exigências fazem o setor leiteiro buscar alternativas e traçar estratégias para retomar o crescimento.

Uma delas é a realização do Censo da Cadeia do Leite do Rio Grande do Sul. O projeto, idealizado pelo Instituto Gaúcho do Leite (IGL), será lançado na Fenasul, no dia 29 de maio, no 23° Seminário Estadual dos Secretários Municipais de Agricultura, organizado pela Famurs.

A radiografia do setor, que tem a participação de Fetag. Famurs e Emater, além das entidades da indústria, levantará dados socieconômicos para a criação de políticas públicas e prevenir crises do setor.

Segundo o presidente do IGL, Gilberto Piccinini, o censo levantará informações segmentadas em grandes áreas, incluindo o número de produtores, se o destino do leite é para industrialização própria ou de terceiros, tamanho médio de propriedades, número de vacas, disponibilidade de energia elétrica e de resfriamento por expansão direta, disponibilidade de água potável e água quente para higienização dos equipamentos, entre outros. “Esse levantamento servirá para que se possa otimizar as ações de melhoria da estrutura de funcionamento da cadeia.”

A formação de banco de dados, segundo o diretor-executivo do instituto, Ardêmio Heineck, é fundamental para melhorar a gestão da cadeia produtiva no Estado e criar novas políticas públicas para fortalecer o setor.

A Emater, com a analista em estatística Suzel Jansen Bittencourt, lidera a condução da pesquisa que será aplicada nos 497 municípios gaúchos. O trabalho contará com a participação de 12 regionais da Emater, 12 coordenadores regionais e quase 500 técnicos, com a coordenação geral do assistente técnico estadual da Emater, Jaime Eduardo Ries.

Outras ações são montadas para contornar a crise. Entre elas o lançamento de campanhas publicitárias para incentivar o consumo, o treinamento técnico de todos os envolvidos na cadeia produtiva, o credenciamento de empresas gaúchas para exportar leite em pó à Rússia. O potencial de demanda do país europeu, que pode enviar comitiva ao Estado nos próximos meses, é estimado em 30 mil toneladas por mês.

Também estão sendo articulados, por meio da Assembleia Legislativa e da Secretaria da Agricultura, projetos de lei que possam coibir a adulteração de leite no Estado. As propostas seriam voltadas para o transporte do leite e para a venda e penalização dos fraudadores da matéria-prima.

Perfil do setor

  • 134 mil produtores
  • 453 municípios (91,1%)
  • 12 milhões de litros produzidos por dia
  • 40% do volume produzido é absorvido pelo mercado interno. O restante é vendido para outros estados
  • 7% do PIB estadual provém dos efeitos econômicos gerados pela atividade
  • Entre 2010 e 2014 o volume produzido no RS aumentou 24,07%
  • RS é o segundo maior produtor do país com 4,5 bilhões de litros por ano
  • O consumo de leite per capita é de 172 litros considerando 200 milhões de habitantes
  • Em 2015 deverão ser consumidos 34,4 bilhões de litros
  • A produção total do país alcançou 34,26 bilhões de litros em 2013

Fonte: IBGE e Ministério da Agricultura

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