Instituto busca qualificar cadeia produtiva

Após dois anos de discussões entre governo, empresas e produtores, o Instituto Gaúcho do Leite (IGL) virou realidade. O Projeto começou a ser elaborado em 2011, quando a Câmara Setorial do Leite se espelhou em países como Nova Zelândia e Uruguai para qualificar e consolidar a cadeia produtiva, hoje, a segunda maior do país, atrás de Minas Gerais.

Aprovado por unanimidade, recentemente, na sede da Ocergs, pelas 47 entidades que compõem, o instituto terá no início um orçamento de R$ 2,4 milhões/ano, recursos provenientes do Fundo Estadual do Leite (Fundoleite). As contribuições ao fundo, a serem feitas meio a meio pela indústria e Estado, devem iniciar em março. Por ser entidade sem fins lucrativos, ainda pode contar com créditos presumidos de R$ 6 milhões.

O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, destaca o potencial do setor composto por 121 mil famílias, responsáveis por gerar 3,5% do PIB estadual, um montante de R$ 10,51 bilhões injetados na economia em 2012. “O produtor que planta o milho, transforma em silagem, alimenta o gado, tira o leite e esse vira queijo, ou seja, que dá quatro ‘tombos’, como se diz, eu percebo o potencial que nos faz querer dobrar a produção em nove anos”, afirmou Mainardi.

Eleito para presidir o ILP, Gilberto Piccinini, da cooperativa Cosuel, deixou claro. “O Estado não é fraudador de leite. Temos uma história de dedicação e vontade de produzir. O desafio é fazer produtos diferenciados em qualidade.”

A partir de agora, o prazo estimado é de até duas semanas para o registro do estatuto em cartório. Neste período, a diretoria se reunirá para acertar os detalhes do funcionamento do instituto, como local da sede, equipamentos e eventuais contratações. Pelo menos dias assembleias serão realizadas por ano, nos meses de abril e novembro.

Foco no produtor

Segundo o consultor da Câmara Setorial do Leite da Secretaria da Agricultura, Ardêmio Heineck, o grande foco do IGL é o produtor. Entre as metas práticas estão a melhora da assistência técnica, treinamento e acesso a novas tecnologias.

Outra medida é a criação de programas direcionados aos jovens, para incentivar a permanência no campo, como exemplo os projetos de sucessão desenvolvidos pelas cooperativas Cosuel e Languiru.

Devem ser criadas escolas itinerantes. A ideia é levar cursos, com duração de dez meses, para grupos de 40 produtores. Em cada mês seria realizado em módulo com assunto diferente em uma propriedade considerada modelo de produção.

Está em fase final de elaboração um projeto de incentivo à formação de produtores para aumentar a renda, modernizar a infraestrutura, garantir acesso à informação e assim manter e até possibilitar a volta de jovens ao meio rural.

Carentes de informação

Produtor desde 1986, João Weber, 50, de Santa Clara do Sul, mudou a forma de gerenciar a propriedade em 2008 quando a mulher Analise, 45, retornou para auxiliar na atividade após trabalhar 17 anos numa empresa de calçados.

Os investimentos em infraestrutura, genética e sanidade somam mais de R$ 200 mil nos últimos cinco anos. A produção passou de 250 litros para quase 750 por dia antes do verão. Com a chegada do calor, a produtividade por animal reduziu.

Na propriedade de 12,8 hectares o rebanho chega a 42 animais. Desses 22 estão em lactação. A meta é chegar a uma média de 500 litros por dia até junho de 2015.

A melhora na qualidade resultou em um acréscimo de até R$ 0,22 pago por litro. Weber elogia a criação do instituto e destaca a importância de melhorar a assistência técnica. “Estamos carentes de informação. Sabemos produzir, mas falta orientação de como qualificar o processo e elevar nosso lucro.”

A mudança na gestão despertou o interesse da filha Suelin, 13, em permanecer no campo. Conforme Weber, o filho Luis Fernando, 23, hoje empregado na cidade, deve retornar também. “Eles percebem o aumento no lucro após mudarmos a gestão e irmos em busca de conhecimento para administrar nosso negócio.”

O setor em números

  • 121 mil famílias vendem e produzem leite no RS;
  • Produtores com média gerada por vaca acima de 24 litros por dia representam 8%. Entre 12 e 24 litros – 63% e inferior a 12 litros – 29%;
  • R$ 10,51 bilhões – 3,55% do PIB estadual foi o efeito econômico da cadeia em 2012;
  • Indústria de laticínios movimentou em 2012 cerca de R$ 6,10 bilhões – 2,06% do PIB estadual;
  • Atividade está presente em 450 (90%) municípios;
  • Capacidade industrial instalada (2012) – milhões de litros leite/dia (ociosidade 40%). Com os novos investimentos (cerca R$ 300 milhões) a capacidade pode chegar a 21 milhões de litros leite/dia. Ociosidade vai para 48%;
  • A produção diária em 2011 – 10,9 milhões de litros leite.

Fonte – Sindilat, IBGE, OAH e Ocergs

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