Importância da sanidade: Tuberculose atinge produtor de Arroio do Meio

Exame laboratorial detectou a bactéria da tuberculose no organismo de um produtor de leite, da localidade de Arroio Grande. A suspeita da Secretaria Estadual de Agricultura alerta sobre a importância da sanidade nas propriedades rurais. Antes restrito ao impacto econômico, o problema avança à saúde humana.

O primeiro de uma série de testes laboratoriais detectou a presença da bactéria Mycobacterium bovis no organismo do produtor, a mesma encontrada em bovinos na propriedade da família. De acordo com o coordenador projeto de Sanidade de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (Procetube), o médico-veterinário Rodrigo Nestor Etges, outros testes serão realizados nos próximos dias.

Segundo Etges, o homem ainda não apresentou sintomas e será encaminhado para um médico infectologista. A tuberculose transmitida de bovinos para pessoas é incomum, afirmam especialistas.

De acordo com a pneumologista Iloni Riedner Barghouti, a transmissão da bactéria ocorre pelo ar. No entanto, a presença do micro-organismo no corpo não é sinônimo de doença. “Pode-se ter a bactéria no pulmão por anos, mas não contrair a doença.” De acordo com a médica, a tuberculose pode aparecer de diversas formas e afetar várias partes do corpo.

Essa é terceira propriedade afetada pela bactéria no município, desde o fim do ano passado: uma também em Arroio Grande, que passa por nova fase de testes, e a outra em Forqueta Baixa. Segundo dados da inspetoria sanitária municipal, mais de 700 bovinos foram sacrificados desde o início do programa, no fim de 2009. Após o abate, a descontaminação do local leva cerca de meio ano. Nesse período, não há produção.

Todos os familiares com propriedades que tiveram abate de animais recebem acompanhamento médico, afirma o secretário de Agricultura, Paulo Roberto Heck. Uma série de exames é realizada para detectar se há contaminação.

Arroio do Meio tem 89% das propriedades regularizadas. São 371 certificadas (48%) e 245 saneadas (41%). As demais estão com as reaplicações dos testes feitas e sob análise para logo receber a certificação. Em Pouso Novo, são 111 certificadas (45%) e 104 saneadas (42%). Em Nova Bréscia, existem 117 certificadas (45%) e 119 saneadas (46%). Capitão tem 57 certificadas (23%) e oito saneadas (4%), de um total de 195 propriedades.

“É uma questão de saúde pública”

Coordenador do projeto-piloto na Comarca de Arroio do Meio, Ardêmio Heineck alerta sobre a importância de a região avançar nesse programa no estado. Para ele, autoridades oficiais não podem esconder o problema. “É uma questão de saúde pública.”

A chegada da doença nesses propriedades pode ocorrer por diversos motivos, segundo Heineck, como a entrada de animais infectados ou pela contaminação de animais silvestres. Para ele, é preciso avançar na questão da rastreabilidade da doença. Heineck reforça a necessidade dos municípios e produtores se unirem pela qualificação desse processo para evitar a exclusão das famílias da atividade.

A tuberculose

Tuberculose afeta bovinos, caprinos, ovinos, suínos, animais silvestres e também humanos, o que a caracteriza como zoonose. No Brasil, não há controle sobre a incidência da transmissão em pessoas.

A coordenadora da Comissão de Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Eliana Matos, diz que a Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, e Mycobacterium bovis pertencem ao mesmo complexo de micobactérias, dificultando a distinção diagnóstica. “Temos 70 mil novos casos de tuberculose humana a cada ano no Brasil, precisaríamos de exames altamente especializados para o sequenciamento genético e diferenciação, que não são feitos na rotina. Isso seria inviável e caro, do ponto de vista prático.”

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