Grupo debate alternativas para recuperação e ocupação de prédios históricos

Um encontro ao ar livre, em frente à Casa Born, em Lajeado, com a participação de arquitetos, empresários, lideranças e pessoas da comunidade. Assim foi o Café no Prédio Histórico, evento realizado pela Construmóbil 2015, Comitê Gestor do Plano de Revitalização do Centro Histórico de Lajeado e Jornal A Hora nesta terça-feira, dia 15. O imóvel quase centenário fica na beira do Rio Taquari e é um dos símbolos do centro antigo da cidade por ter abrigado, além da residência do ex-prefeito Bruno Born, uma casa comercial, agência bancária e transportadora. Provocativo no sentido de debater ideias e soluções, o evento teve contribuições como a do historiador João Thimóteo. “Antes de tudo, é preciso que a sociedade sinta que certas coisas fazem parte da história”.

A secretária de Planejamento de Lajeado, Marta Peixoto, lembrou que existe um levantamento da década de 90 com 45 imóveis antigos catalogados. Destes, restam apenas 20, já que os demais foram destruídos. “O trabalho pela preservação é urgente e nós estamos nos dedicando a isso. Existem projetos, muitas ideias. Talvez não consigamos agir tão rápido quanto a população espera, mas é um tema que tem a nossa atenção”, afirmou Marta. Ela ainda comentou sobre a legislação de proteção ao patrimônio histórico, o qual deve ser respeitado, mas muitos desconhecem. Citou como exemplo o entorno da Casa de Cultura, que é tombada, onde no entorno não podem haver novas construções mais altas, impedindo inclusive a ampliação para oito pavimentos pretendidos para o prédio da prefeitura.

A Casa Born atualmente é do poder público municipal e há projeto para sua restauração, buscando adaptá-la para atividades culturais ou serviços para a comunidade. “Quem sabe começamos por esta casa, para servir de exemplo. Depois outras obras de recuperação virão”, defendeu o empresário Léo Katz, observando, porém, que sua finalidade não seja para aproveitamento de órgãos públicos. Katz entende que há um engessamento em torno das questões relacionadas ao patrimônio histórico, as quais inviabilizam muitas ações e deterioram o que existe.

O advogado e presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Alex Schmitt, abordou a importância de haver uma segurança jurídica para motivar o interesse dos investidores. Os arquitetos Giancarlo Bervian e Adriana Nunes Machado salientaram exemplos de obras para mencionar a possibilidade de reformas, respeitando as características das edificações. Na opinião do presidente do Comitê de Revitalização do Centro Histórico, Ítalo Reali, as ações são urgentes. “Temos que agir rápido, ver verbas e alternativas buscando o bom senso, antes que estes prédios históricos caiam”.

Para o promotor Sérgio Diefenbach, é necessário conciliar o patrimônio histórico com a preservação ambiental. Ele avalia a necessidade de um posicionamento da Prefeitura de Lajeado e sua autonomia para agir sem a intervenção da promotoria. “Esta é uma relação entre o proprietário, o projeto feito e crivo do poder público”.

O presidente da Construmóbil 2015, Clécio Vargas, valorizou a iniciativa a partir do tema da feira – Cidades Criativas. “Neste ano, queríamos fazer uma feira que ficasse marcada por algo. Daqui a 15, 20 anos, o evento pode ser lembrado como o início de uma mudança”.

A Construmóbil 2015 começa terça-feira, dia 22, e segue até dia 27 de setembro. A feira é uma realização da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Prefeitura de Lajeado. Tem o patrocínio de Caixa Econômica Federal e Bebidas Fruki. Apoio de Sinduscom Vale do Taquari, Certel, Max Ambiental, Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo, Sebrae, Banco do Brasil e Corsan.

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