Gremistas e colorados aprendem com empreendedorismo de Tinga

“No futebol se confunde muito ídolo com líder. Mas, nem sempre o líder é um ídolo e vice-versa. A pessoa que não é seguida, não é líder. Liderança imposta tem um limite de tempo. A liderança de verdade é conquistada, é algo que precisa ser muito bem construído. Chefia é uma coisa, liderança é outra. O líder é aquela pessoa que faz junto.” As palavras são do ex-jogador de futebol profissional, com passagens por Grêmio, Internacional, Botafogo e Cruzeiro, no Brasil; Frontale Kawasaki, no Japão; Sporting, de Portugal; e Borussia Dortmund, na Alemanha, inclusive tendo convocações para a Seleção Brasileira, Paulo Cesar Tinga.

Ele foi o convidado especial para mais uma edição do Almoço Empresarial promovido pela CIC Teutônia, no dia 27 de abril. Tendo por local o Auditório 03 da entidade, cerca de 80 pessoas prestigiaram a palestra, em que Tinga abordou o tema “Da Restinga aos grandes negócios: uma caminhada de sucesso”, contando os desafios, dificuldades e conquistas da sua carreira como jogador.

Tinga teve uma carreira vitoriosa, conquistando inúmeros títulos. É reconhecido pelas suas atitudes e conduta em campo e fora dele. Atualmente, é diretor da Sieben Group, agência de turismo de Porto Alegre, e também realiza palestras em empresas e eventos.

De maneira bastante descontraída, ele falou de sua história de vida, de inspiração, liderança, do atual momento econômico do Brasil e de experiências no futebol que se aplicam no dia a dia das empresas.

Família

Ao iniciar a palestra, Tinga destacou a importância da família. “A minha base para tudo é a família. Foi vendo a minha mãe trabalhar, fazendo hora extra em eventos, que descobri logo cedo o valor do trabalho. Quando voltava, trazia coisas boas para casa e foi assim que percebi como trabalhar é bom”, frisou.

Sempre muito otimista, apesar da infância humilde, ele foi enfático: “você pode escolher o que quiser para ser a sua base, pode ter muitos problemas, mas sempre haverá uma solução positiva”.

Inspiração

Tinga procurou distinguir inspiração de motivação. “Ouvi muito sobre motivação, e isso sempre mexia muito comigo, pois não achava que precisava ser motivado para jogar futebol, já que era o meu sonho realizado, o que me sustentava. Motivação você pode ter, mas precisa estar preparado. Não basta apenas vontade e força, por isso inspiração é diferente de motivação. Quando falo em inspiração, é uma das coisas que carregamos com a gente, planejada, que possui aliado a tudo isso a própria motivação”, definiu.

Para ele, a motivação sozinha não é suficiente. “Só se motivar a fazer algo que nunca fez não adianta nada. Preciso me preparar para isso, e isso é inspiração. Nas empresas é a mesma coisa, precisamos nos preparar. Motivação é importante, mas acrescentem a inspiração”, afirmou.

Como dica, Tinga também sugeriu a busca constante por qualificação, credibilidade e empatia. “Eu aprendi muito na prática, e um dos meus erros mais graves foi não ter estudado”, disse, sugerindo que as pessoas sejam confiantes e otimistas. “O sorriso diminui a distância entre as pessoas. Em qualquer que seja o negócio, a alegria é um facilitador. Isso gera confiança, que por consequência gera negócios. ”

Economia brasileira

Ao falar da atual situação econômica e política do Brasil, Tinga usou muito a palavra oportunidade. “Vivemos um período de intolerância muito grande, no futebol, na política, na vida cotidiana. É um momento complicado, mas nunca acreditei em crise. Para mim, este é um momento em que devemos ser mais críticos e observar as oportunidades que surgem, tempo de criar, de empreender. Não estudei, mas se pudesse escolher, teria a mesma vida, cheia de oportunidades que sempre soube aproveitar”, destacou.

Ele lamentou os casos de corrupção. “Como pode um país que rouba bilhões dizer que não tem dinheiro? Só se rouba onde há dinheiro. Por isso, tenho certeza de que há dinheiro no país, a crise é de credibilidade e de confiança, e é essa a crise que reflete no campo financeiro”, acrescentou. “Empresas que cumprirem com o que oferecem serão diferentes, terão credibilidade perante os clientes e o mercado, entregando de fato o que prometeram numa negociação. A credibilidade vale mais que dinheiro”, afirmou, chamando atenção para o fato de que “os melhores negócios são oportunidades disfarçadas e que estão muito próximas de nós. Pequenas coisas fazem a diferença”.

Futebol

Como não poderia ser diferente, o futebol também foi abordado por Tinga. “Sou colorado, mas tenho muito azul na minha vida. Fui educado dentro do Grêmio, as portas do futebol abriram-se para mim no Grêmio, mas o vermelho vem do coração. Sempre foi um sonho de criança jogar no Inter.”

Ele encerrou a carreira como jogador em 2015. “Infelizmente futebol é uma empresa à parte, onde falta planejamento e preparação. Se para ter uma formação as pessoas levam anos, como um técnico que passa uma semana estudando no exterior pode voltar e achar que está pronto?”, questionou.

Nesse contexto, Tinga apresentou plataforma de estudos on-line que desenvolveu, voltada especificamente à formação de atletas e seus familiares. “Quanto mais tecnologia no mundo, mais precisamos das pessoas. A melhor maneira de preparar uma criança para o futuro é deixar ela ser criança. Nessa plataforma de estudos, trabalhamos com os jogadores e a família, principalmente a parte emocional. Braços e pernas são ferramentas, mas é essencial saber usar a cabeça, a inteligência. O mercado do futebol esquece do jogador e da sua família”, apresentou, relacionando futebol e educação. “A atuação dos pais na vida das crianças faz uma enorme diferença. Os jovens jogadores de hoje querem os benefícios do futebol antes mesmo de jogar alguma coisa. Por isso, o futebol é uma grande oportunidade de educar os filhos por meio do esporte.”

Por fim, Tinga sugeriu que as pessoas, além de saberem aproveitar as oportunidades, saibam trabalhar as inseguranças do dia a dia em busca da realização de seus sonhos. “Uma das coisas que mais prepara para a vida é o medo. Eu parei de jogar futebol profissional quando perdi o frio na barriga, o medo de perder”, concluiu.

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