Funai inicia vistorias na aldeia da BR-386

A aguardada vistoria técnica da equipe da Funai às obras da nova aldeia caingangue deve ser concretizada até o fim desta semana. Os trabalhos foram prejudicados pela chuva nesta quarta-feira, dia 8, mas a previsão do grupo de licenciamento ambiental da Fundação é finalizar as análises até sábado, dia 11. A liberação das obras de duplicação no trecho de 1,8 quilômetro da BR-386 deve ser anunciada só na próxima semana.

Quem veio a Estrela foi a arquiteta da Funai, ligada à Coordenação de Infraestrutura Comunitária (Coic) da Fundação. Segundo a chefe da equipe de licenciamento ambiental, Júlia Paiva, o engenheiro indicado anteriormente para a vistoria trocou de setor.

Em janeiro, a previsão do Dnit era iniciar a realocação das 29 famílias caingangues em abril. Logo após, o anúncio foi protelado para maio, e também não se confirmou. A mudança é o único empecilho para liberação das obras de duplicação da rodovia no trecho entre Bom Retiro do Sul e Estrela.

Responsável pelo consórcio de empresas contratadas pelo Dnit, Leandro Eckert, afirma não ter visto a equipe da Funai nesta quarta-feira. Segundo ele, a chuva pode ter atrapalhado o cronograma da visita. A princípio, 26 casas devem ser liberadas.

Toda a aldeia, avaliada em R$ 8,5 milhões, prevê 29 casas de alvenaria. Elas terão entre dois e cinco dormitórios. Ainda está orçada a construção de um centro de reuniões, uma escola e uma casa de artesanato. A área total da nova aldeia caingangue é de 6,7 hectares. O terreno foi adquirido pelo Dnit em 2013 e está localizado ao lado da atual aldeia, às margens da rodovia.

A finalização da aldeia é condicionante para liberação do último trecho da obra de duplicação de 33 quilômetros entre Estrela e Tabaí. Hoje, 22 quilômetros já foram liberados e outros sete permanecem em obras.

Análise do valor

O Ministério Público Federal (MPF) investiga os gastos na construção da aldeia. Contratado em janeiro de 2014, o consórcio das empresas Planus Arquitetura e Construção e Iccila venceu o processo licitatório lançado com atraso em novembro de 2013.

A projeção de gastos com as casas dos caingangues aumentou desde 2010. Naquele ano, conforme o Plano Básico Ambiental (PBA) assinado por Funai, Ibama e Dnit, o custo previsto era de R$ 461 mil. No entanto, o projeto previa menos casas e o novo acordo incluiu uma casa de artesanato, um centro de reuniões e uma escola.

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