Fruki planeja fabricar cerveja na nova planta

Passados quase dois anos da inauguração do Centro de Distribuição de Canoas, a Bebidas Fruki já saboreia os resultados do investimento: uma elevação em 50% no volume de vendas. Para consolidar o mercado a empresa planeja agora atender duas outras regiões altamente consumidoras: a Serra Gaúcha e o Sul. O passo seguinte é a readequação do projeto da nova fábrica e a construção de uma planta capaz de produzir suco, refrigerante e cerveja.

O diretor-presidente da Fruki, Nelson Eggers, conta que os planos de expansão e a tão sonhada nova fábrica – desejo de mais de 50 municípios nos vales -, deve esperar pela ampliação do varejo. “Nós necessitamos crescer na região Sul e na Serra. São mercados que concentram um grande volume de consumidores e precisam de atenção”, defende.

O investimento previsto para esses dois centros de distribuição (CD) é de R$ 30 milhões – metade para cada região. No Sul, o projeto contempla a cidade de Pelotas, onde já há a área de terras adquirida e os projetos arquitetônicos e estruturais caminham ao passo que são realizados estudos de solo e licenças ambientais. “Acredito que ainda no primeiro semestre de 2016 nosso CD de Pelotas estará em funcionamento”, programa Eggers.

Já o projeto da Serra será um pouco mais demorado. Ainda falta a aquisição do lote de terras e a elaboração do projeto em cima da realidade de Caxias do Sul. “A cada investimento nós precisamos pensar a Fruki, a nossa produção e a venda para até cinco décadas. Não há como planejar tendo como base apenas dez ou 20 anos”, explica o diretor-presidente da fábrica. A ideia é que a obra em Caxias do Sul tenha início a partir do segundo semestre do próximo ano.

A vez da cerveja

Depois de ver borbulhar a venda de água e refrigerante com a entrada na Região Metropolitana a partir de Canoas, a planta fabril da Fruki tornou-se pequena em Lajeado. Em 2014, a sétima e última linha de envase foi aberta e com ela uma sentença: o projeto que previa a construção de uma nova fábrica, em uma área de 20 hectares para produzir sucos e bebidas diferenciadas foi totalmente alterado.

Hoje a necessidade da Fruki é cinco vezes maior. Os planos da companhia são construir um parque industrial em uma área de cem hectares. Com o projeto, três módulos fabris serão desenhados. Um para refrigerantes. Outro para a produção de sucos e bebidas de valor agregado, sem o uso de conservantes.

Nessa parte, a Fruki planeja usar tecnologia europeia para desenvolver produtos de alto padrão. A terceira etapa vai abrigar uma cervejaria. “Sim, vamos ter cerveja também. É nosso objetivo para a próxima década”, antecipa o gestor.

Mas os projetos que ora estavam programados e já tinham até orçamento – cerca de R$ 80 milhões em uma planta de 20 hectares – voltam às pranchetas. Não há nem como prever qual o montante de recursos são necessários para a nova fábrica, pois a primeira barreira é a aquisição do lote de cem hectares.

A empresa tem propostas de mais de 50 municípios, no entanto, elas estão alicerçadas na primeira ideia – 20 hectares. Com o ajuste nos planos da empresa que projeta no empreendimento, no mínimo, os próximos 50 anos de atuação no mercado, várias propostas se tornam obsoletas. “Nós não estamos nem considerando a hipótese de doação de terras. Só a ajuda para adquirir a área, que certamente passará pela fusão de propriedades já é bem-vinda”, justifica.

Mesmo que o projeto esteja reprogramado para o fim da década, no momento em que o lote de terras “aparecer”, a Fruki adquire o terreno para garantir o empreendimento.

Uma empresa que ultrapassa o Vale

Para a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cintia Agostini, a Fruki é uma empresa que já ultrapassou a barreira da região e se mostra como uma potência do Estado.

Segundo ela, o crescimento da companhia é fruto de um trabalho sólido de gestão associada ao planejamento. Nem mesmo o cenário “pessimista” assombra a direção da Fruki a frear o crescimento. “Isso mostra quem nem tudo é tão negativo e que há possibilidade de crescer sim. Já no que se refere à indústria, é muito importante mantê-la no Estado”, analisa.

A economista acredita que cem hectares seja uma área muito grande para um empreendimento no Vale. “Considerando a formação do terreno na região, cercado de montanhas, descidas e subidas, o novo projeto limita um pouco a instalação da nova fábrica”, pontua.

A presidente do Codevat acredita que é importante que a sede da empresa, o núcleo de inteligência, que hoje está em Lajeado, permaneça. Com ela, os empregos qualificados e a movimentação de negócios continuarão convergindo para o Vale, porque a indústria não disputa mais a preferência com as pequenas empresas do Rio Grande do Sul.

Cíntia diz que a Fruki compete palmo a palmo com as gigantes Coca-Cola e Pepsi. E, segundo ela, tem condições de ampliar essa dimensão. “Especialmente porque mostra que tem interesse de inovar, investir em novos produtos como a cerveja que é uma grande novidade”, avalia.

Para Cintia, a Fruki é um exemplo de sucesso de uma empresa que nasceu na região, cresceu com a força do Vale do Taquari – ao exemplo de tantas outras -, e se constitui hoje como uma marca estadual, prestes a se transformar em uma referência no país. “Para o Vale isso é excelente. É a confirmação que a região é berço de sólidos e vitoriosos investimentos”, complementa.

Vacina anticrise

O assunto “crise financeira” é velado nos corredores da Fruki. Sem deixar de lado a atenção ao mercado financeiro, a ordem dentro da companhia é fazer mais e melhor – todos os dias. Uma das medidas é investir no varejo.

Com mais centros de distribuição, a Fruki quer dedicar atenção qualificada ao consumidor. Já com os mil colaboradores, Eggers celebrou um acordo. “Todos os dias nos propomos a fazer algo diferente. Nem que seja mudar alguma coisa na nossa rotina, como apagar a luz ao sair da sala e nos conscientizar que somos mais fortes juntos”.

O pacto foi firmado na convenção da empresa, realizada em Lajeado, no fim do mês de abril. “A crise é um momento de oportunidade. Nós vamos aproveitá-la para continuar crescendo”, decreta.

Saiba mais

Em 2014 a Fruki completou 90 anos. A empresa responde pela maior parcela da venda de água mineral no Rio Grande do Sul. A participação no mercado da Água da Pedra é de 32%. A segunda marca melhor colocada detém 16% do mercado.

Já no segmento refrigerantes no Centro do Estado o guaraná da Fruki é o mais vendido. Considerando todo o Estado, a marca lajeadense empata com a líder de mercado nacional em vendas.

Em época de grande consumo, por dia, a fábrica de Lajeado chega a carregar 400 caminhões com bebidas por dia.

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