Força-tarefa busca soluções para crise do setor leiteiro

Uma força-tarefa formada por políticos, autoridades e entidades representativas do setor leiteiro esteve em Brasília na última terça-feira, dia 10, para reivindicar apoio ao segmento, afetado pelos escândalos decorrentes da Operação Leite Compen$ado, que investiga casos de fraude envolvendo o produto no Estado.

A oferta elevada de leite e o consumo reduzido, ainda inferior ao normal neste período, agravam a crise desde outubro do ano passado. Além do impacto financeiro, a situação poderá resultar no abandono da atividade, em até 25 mil famílias que trabalham com a produção leiteira, conforme projeção de líderes do setor.

De manhã, o grupo se reuniu com interlocutores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e dos ministérios do Desenvolvimento Social. Em reunião, ouviram de representantes do governo a garantia da liberação de R$ 10 milhões para a compra imediata de leite em pó para programas sociais, medida que deverá reduzir o estoque. O montante a ser adquirido é de até duas toneladas. A expectativa é de que em março outro montante de igual seja liberado para novas empresas.

O produto será destinado para uso em programas sociais do governo federal e incluído na alimentação de presidiários do Estado. O total estocado chega a 12 mil toneladas, segundo a Sindilat. A compra de leite UHT também foi proposta.

De acordo com o prefeito de Arroio do Meio, Sidnei Eckert, representante da Amvat na audiência, o governo recebeu a solicitação de suspender a importação de leite em pó e derivados lácteos por um período de até 120 dias. “Outro avanço foi a possibilidade de produtores poderem renegociar suas dívidas com os bancos e a criação de linhas emergenciais de crédito.”

A abertura de mercados internacionais é vista como uma saída à crise e nova oportunidade de negócios para empresas da região como a Cooperativa Cosuel, cuja fábrica de leite em pó está instalada no município.

Segundo o diretor-executivo do Instituto Gaúcho do Leite, Ardêmio Heineck, à tarde, foi protocolado, na Secretaria de Assuntos Internacionais do Mapa, o pedido para credenciar as plantas industriais de leite em pó das cooperativas CCGL, Cosuel e Cosulati para poderem exportar o produto.

Hoje, somente a planta de Teutônia da BRFoods está habilitada no Estado. A liberação de outras unidades permitirá que  o RS aproveite o momento de intensa demanda internacional pelo produto, principalmente por parte dos russos – por conta do conflito entre eles e os ucranianos, tradicionais fornecedores do produto. A Rússia tem potencial para importar até 30 mil toneladas de leite em pó. “Construímos um caminho para resolver o problema.”

Mercado enfrenta cenário negativo

A crise afeta 20 mil famílias no RS. Ao menos 12 empresas faliram ou entraram em recuperação judicial. Como resultado, produtores ficaram sem ter para quem entregar o produto e com pagamentos em aberto. A dívida pode ultrapassar R$ 40 milhões.

O Estado tem 134 mil produtores de leite, distribuídos em 90% dos municípios. A produção representa cerca de 7% do PIB e são mais de 200 indústrias em atividade – 12 foram fechadas em função do quadro atual. Conforme a Emater, o Estado é responsável por 12% da produção nacional.

A delegação, liderada pelo Instituto Gaúcho do Leite (IGL), foi integrada por representantes das secretarias da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, por deputados federais e estaduais, pela senadora Ana Amélia Lemos (PP), por prefeitos das cidades mais atingidas pela crise, por entidades como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Sindilat, Fetraf, AGL, líderes de cooperativas e produtores.

Frente parlamentar

O deputado estadual Elton Weber (PSB) criou a Frente Parlamentar em Defesa da Cadeia Produtiva do Leite. Weber propõe a composição de um grupo para avaliar a situação e sugerir opções. “Os preços pagos estão reduzidos, há excesso de leite em pó no Estado e indústrias decretam falências. Fora isto, há produtores que não estão conseguindo entregar leite para as laticínios”, dimensionou.

No Rio Grande do Sul, os preços estão abaixo da média nacional, de R$ 0,84, sendo comercializados por R$ 0,70 a R$ 0,76 chegando até a patamares inferiores, próximos de R$ 0,50.

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