Ferrosul: Indefinição completa um ano

Previsto para ser entregue em março de 2014, o estudo que define o traçado da Ferrovia Norte Sul ainda não foi apresentado pela Valec, empresa do governo federal responsável pelo projeto. Com isso continua incerta a inclusão da região no trajeto da via férrea.

O Conselho de Desenvolvimento do Vale do ‘Taquari (Codevat) e a Associação dos Municípios da região (Amvat) agendam encontros com representantes do Executivo e Legislativo do Estado para tratar do assunto.

De acordo com a Presidente do Codevat, Cíntia Agostini, as entidades pretendem conversar com o secretário da Casa Civil, Márcio Biolchi e com o presidente da Assembleia Legislativa, Edson Brum. “Queremos garantir apoio político para que o Vale seja interligado à ferrovia.”

Cíntia lembra que até o ano passado o então deputado estadual Raul Carrion (PC do B) liderava a Frente Parlamentar pelas Ferrovias. Com o fim do mandato, a representação do setor na Assembleia ficou vaga.

Se no Estado as negociações sobre o traçado serão iniciadas do zero, no governo federal a indefinição é ainda maior. Segundo Cíntia, com o ajuste fiscal e os cortes no orçamento promovidos pelo Ministério da
Fazenda, nem mesmo a conclusão do projeto está garantida.

De acordo com a Valec, os estudos estão em análise desde dezembro. A empresa alega que existe uma ideia de traçado. Porém só vai se pronunciar oficialmente sobre o assunto quando o projeto básico da obra estiver concluído.

Esboço exclui região 

No ano passado, a Valec divulgou na internet um esboço do trajeto que seria percorrido pela Ferrovia Norte-Sul. No mapa, ainda disponível no site, a ferrovia entra no Estado por Frederico Westphalen, passa por Cruz Alta, Santa Maria e pelo Vale do Rio Pardo antes de seguir em direção a Rio Grande.

Na época, o então líder da Frente Parlamentar pelas Ferrovias disse que o traçado seria apresentado oficialmente ainda em 2014 e descartou a chance da Ferrosul passar pelo Vale do Taquari.

Segundo a presidente do Codevat, caso se confirme esta tendência, líderes locais passarão a reivindicar uma ramificação que ligue a região à Norte-Sul.

Transporte mais barato

Concebida há 27 anos para interligar a malha ferroviária nacional e diminuir custos de transporte, a Ferrovia Norte-Sul passará por quatro regiões e nove estados brasileiros quando estiver pronta. Cerca de 1,5 mil dos quatro mil quilômetros previstos estão concluídos. O investimento total na obra é de R$ 25,8 bilhões.

Líderes do Vale justificam a pedida por um ramal da ferrovia devido ao volume de grãos que passam pela região, estimado em 72% da produção do Estado. São mais de 35 mil contêineres que por ano, com produtos como fumo, carne, soja, milho e trigo.

O transporte de carga ferroviário é, em média, dez vezes mais barato em relação a rodoviário. O custo da logística representa cerca de 17% do preço das mercadorias. Por ano, a exportação gera mais de RS 400 milhões para a região.

Início das operações

Enquanto o trecho gaúcho da Ferrovia Norte-Sul segue indefinido, no norte e no centro-oeste do Brasil a ferrovia já entrou em operação. O trecho que liga Anápolis (GO) e Palma (TO) começou a funcionar no início de março.

No Tocantins, a presença de um terminal que liga diferente modais à ferrovia atraiu investimentos de empresas de distribuição de combustíveis e transporte de grãos. Mais de 250 mil toneladas de commodities devem ser transportados pela malha férrea que passa pelo Estado.

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