Faltam R$ 68 milhões para duplicar a BR-386

Com apenas metade do efetivo trabalhando desde o dia 26 de junho, a superintendência estadual do Dnit admite atraso no pagamento às empresas responsáveis pela duplicação da BR-386.

Iniciada em novembro de 2010, a obra de 33,7 quilômetros entre Estrela e Tabaí já custou R$ 115 milhões ao governo federal. Serviços podem parar em duas semanas.

Do total de obra previsto, 63,9% foi executado. O investimento total na duplicação será de R$ 183,79 milhões. A previsão inicial de conclusão era para o fim deste ano, mas como a obra não começou em cinco dos 33,8 quilômetros previstos no projeto, ela deve estar pronta só em maio de 2014.

Com o risco de falta de pagamento, o consórcio ameaça parar a obra em 15 dias. Mesmo com a ameaça, a greve dos funcionários deve seguir por tempo indeterminado. É o que garante Rodrigo Campelo Rodrigues Barão, analista administrativo da superintendência gaúcha do Dnit, e membro do Comando Estadual de Greve.

Segundo Barão, mais de 1,3 mil funcionários estão parados em todas as superintendências e na sede do departamento em Brasília. Eles cobram a reestruturação do órgão e da tabela de remuneração. “São cinco anos sem reajuste salarial, não vamos mais aceitar.”

Além do aumento de salário, os grevistas cobram igualdade de carreiras para profissionais de mesmo nível de educação. Conforme o analista, alguns recebem até 40% a mais, mesmo com o mesmo currículo escolar. “Queremos que tudo isso seja revisto.”

Houve uma conversa preliminar entre Dnit e governo federal. A proposta da União era de um reajuste de 15,8% na gratificação por produtividade recebida pelos funcionários. A proposição foi rejeitada. “Queremos aumento do salário e não da gratificação. Essa é variável e não depende apenas de nós, mas sim do órgão.”

Ele confirma que algumas empresas deixam de receber pelos serviços prestados à união, mas garante que a greve não deve cessar em função disso. “Vamos continuar por tempo indeterminado.”

Obra cercada de problemas

Problemas nas jazidas, suspeita de superfaturamento indicada pelo Tribunal de Contas da União, desapropriações e a construção de uma nova aldeia indígena em Estrela são alguns percalços registrados nesses quase três anos de obras.

Segundo o engenheiro do Dnit responsável pela obra, Hiratan Pinheiro da Silva, o projeto para construir uma nova aldeia está pronto há mais de oito meses. O terreno de 6,7 hectares atrás da atual aldeia caingangue já foi adquirido pela União.

Em junho desse ano, o Dnit rejeitou a proposta única de R$ 10,6 milhões, apresentada pelo consórcio das empresas Iccila e Planus, para a construção da nova aldeia caingangue.

Mesmo com a redução do valor para R$ 9,8 milhões, o departamento optou por encerrar o processo licitatório. Um novo edital deveria ser aberto em até 60 dias. Mas com a greve, ele está atrasado.

Os primeiros 15 quilômetros da duplicação da BR-386, entre Tabaí e Estrela, poderiam ser entregues na metade desse ano. O trecho entre o pedágio de Fazenda Vilanova e Tabaí está quase pronto, faltando apenas pintura de sinalização e construção de retornos. A última capa de asfalto já foi aplicada. Mesmo assim, a liberação deve ocorrer só no próximo ano.

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