Exportação de frangos mantém indústria ativa

Conforme levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o mês de janeiro de 2016 fechou em alta no volume de exportação de cortes de frango. O setor cresceu 14,1% em volume de carne exportada. De acordo com a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o Vale do Taquari assim como a Serra Gaúcha são as regiões que mais produzem frangos no Rio Grande do Sul.

Uma das gigantes do mercado fica na região. A cooperativa Languiru mantém 300 famílias no sistema de produção integrada de frango para corte. A produção representa 30% do faturamento total da cooperativa.

De acordo com o presidente da cooperativa, Dirceu Bayer, mesmo com uma elevação nas exportações no início do ano, 2016 começou com dificuldades que já vinham afetando os resultados em 2015 na produção. “A elevação do câmbio gerou uma onda de aumentos nos preços dos insumos, especialmente milho e farelo de soja que são os maiores formadores do custo das rações”, explica.

Bayer conta que outros produtos também tiveram reajuste e impactam na produção. Quem dedica-se à produção de frango de corte, depara-se ainda com a procura por produtos de menor valor, situação que baixa a rentabilidade do mix de produtos derivados. “A escassez de recursos financeiros e o aumento nos juros também estão afetando o agronegócio, que tradicionalmente necessita de muito capital de giro”, pontua o presidente da cooperativa.

Se por um lado os custos de produção aumentaram e a rentabilidade da venda no país não é mais a mesma, o aumento na cotação do Dólar favorece a receita das exportações, mas essa entrada de recursos tem limite na absorção do custo. “Os aumentos nos custos de produção neutralizam o efeito positivo do Dólar na venda das carnes.” A Languiru comercializa para mais de 40 países, tendo como principal mercado os países árabes, comercializando também para a América Central e Ásia.

Desafio

Conforme Bayer, o ano de 2015 foi bom para a exportação de frango, porém desafiador. “No ano passado ampliamos os volumes de exportação para buscar compensar o aumento do Dólar que também afetou o custo da matéria prima milho e soja.”

Conforme o presidente da Languiru, no segundo semestre ocorreram quedas no preço por tonelada do produto, reduzindo a margem de lucro na venda. “Em suma, foi um ano com foco em aumento de volume e busca de novos mercados no mercado internacional”, destaca.

Projeção

Sem estar imune aos efeitos da situação econômica do país, o setor produtivo de aves também precisa se reinventar. O momento econômico é delicado e exige muito trabalho para realinhar os processos à nova realidade. “Acreditamos que os momentos de dificuldade são favoráveis para desbravar novos caminhos e oportunidade para otimizar os negócios. O agronegócio já foi afetado por muitas crises e em todas elas o Brasil soube tirar proveito e se fortalecer para os anos seguintes”, define Bayer.

De acordo com ele, é a partir deste conceito que a cooperativa trabalha para enfrentar as adversidades anunciadas para o ano. “A produção será mantida, focando nos segmentos de maior rentabilidade e diversificação de mercados, com ênfase na exportação.”

Conforme o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, o Rio Grande do Sul é o terceiro maior exportador do país, participando com cerca de 18% nas exportações brasileiras avícolas. “Nesse saldo positivo apresentado pela ABPA, o Estado tem parte considerável”, justifica.

Investimento em qualidade para gerar mais lucro

Em Nova Bréscia – cidade que ostenta o título de maior produtora de frangos do Rio Grande do Sul -, o jovem produtor André Luiz Senter (30) vem sentindo o crescimento do mercado avícola há pelo menos dois anos. Trabalhando em sistema de integração, ele sente-se à vontade em investir e acreditar na produção. “Desde que começamos a receber incentivos da empresa integradora, para que investíssemos em estrutura, temos a garantia de ter frangos para criar.”

Senter explica que em sua propriedade de quatro hectares de terra, distante cerca de um quilômetro do Centro da cidade, ele dedica todo o cuidado num manejo adequado para garantir a qualidade de crescimento dos 220 mil frangos que abastecem seus seis aviários a cada 30 dias. A expectativa sobre o desempenho da atividade em 2016 é das melhores possíveis. “Vai continuar crescendo”, estima.

Senter prepara-se para viver mais um ano sólido na avicultura com a reforma e ampliação de uma de suas unidades produtivas. “Derrubei um aviário para construir outro no mesmo local, que terá capacidade de 20 mil aves a mais”, conta. Apesar do crescimento, o grande sonho do avicultor, que há cinco anos assumiu os negócios da família, ainda está longe de se concretizar. “O preço pago ao produtor, por cabeça, está defasado há cerca de dez anos. Para manter a lucratividade, é preciso investir em quantidade, sem abrir mão da qualidade”, define o produtor.

O foco na exportação está correto

Para o especialista em agronegócio Lucildo Ahlert, a produção de frangos para corte no Vale do Taquari se sobressai a outras culturas tradicionais da região, como a própria suinocultura. O frango necessita de menor área para criação e tem mercado mais amplo na exportação.

“Existem restrições de vários países quanto à procedência da carne suína. Isso não ocorre com o frango, especialmente o que é produzido no Rio Grande do Sul”, aponta. Ahlert frisa também a importância da desvalorização do Real frente ao Dólar, como uma estratégia do mercado nacional para driblar os efeitos da crise e seguir produzindo no mesmo ritmo.

Com a moeda norte-americana valendo mais, vale à pena vender para fora do Brasil. O segundo efeito positivo dessa aposta de exportação reflete no próprio mercado interno. “A indústria consegue produzir a mesma quantidade, ou até ampliar o abate, porque no exterior o mercado está favorável e na venda interna, o volume de produtos diminui, situação que força à alteração de preços e a reposição das perdas com o gasto dos insumos.”

A tônica da produção

Ahlert acredita que o investimento maior na produção para a exportação trará bons resultados para as empresas que operam na venda interna e externa. Com a possibilidade de ganho com a venda, as questões referentes aos investimentos e desafios de adequação a normas sanitárias ficam mais fáceis de serem resolvidos.

“O próprio mercado regional aponta para isso. Em dois anos teremos mais um grande frigorífico dedicado ao abate de frangos, no investimento da Dália em Arroio do Meio. Se hoje estamos em uma posição favorável nesta área da economia, o futuro tende a ser muito melhor”, pontua.

Em questão

O diretor executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, comenta a produção de frango no estado e os reflexos das exportações do setor.

O que representa a produção e exportação de frango na economia gaúcha?
José Eduardo dos Santos – A carne de frango está no segundo lugar da pauta exportadora do Rio Grande do Sul. O setor gera empregos, atividade rural e divisas para estado e municípios. A produção de aves movimenta e alavanca a produção de milho e farelo de soja, insumos usados pelos produtores.

A questão cambial favorece a produção de aves? Por quê?
Santos – A produção tem diversas etapas e diversos insumos que são corrigidos seus valores pela variação cambial, fator que afeta o custo de produção, assim temos um ganho parcial na comercialização, mas temos um peso maior no custo de produção. Vale registrar ainda, que a renegociação do valor da tonelada do frango no mercado externo e a concorrência geram desvalorização no preço de venda com base no cambio atual. Então, a variação cambial ajuda nas exportações.

Como foi o ano de 2015 para a produção de frango do Rio Grande do Sul?
Santos – Em matéria de abate de aves, tivemos um crescimento de aproximadamente 1%, chegando a 814 milhões de aves abatidas em 2015. Já em volume com peso médio das aves também o resultado foi maior que 2014. Já a produção de industrializados e transferências entre filiais, atingimos um volume aproximado de 1,6 milhões de toneladas durante o ano passado. A expectativa é continuar crescendo em 2016.

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