Expansão limita investimento no campo

A delimitação de terras colocou o perímetro urbano sobre 146 hectares da área rural no município. Em Linha São Jacó, a expansão impede a ampliação e construção de complexos para criação de aves, suínos e gado leiteiro. A abertura de loteamentos divide espaço com a agricultura.

Em Linha São Jacó, Enio Raul Sippel tem um aviário faz dez anos e foi afetado pela mudança. Segundo as novas regras, poderá manter as atividades. No entanto, está barrada a ampliação e construção de novo espaço, de um chiqueiro ou estrebaria. Sippel mora às margens da ERS-129 (Via Láctea), tem a área cercada e com árvores ao redor do aviário com 28 mil aves.

As alterações estão estipuladas pela Lei 4.337/2014, que limitou a expansão urbana, no fim de 2014. Na época, a abertura de loteamentos preocupou os moradores. A administração municipal buscou atender os dois lados.

Aprovada, a lei permitiu o funcionamentos dos aviários em atividade. Segundo o produtor, a notícia chegou antes que ele construísse mais um empreendimento. “Se tivesse investido e depois mudassem a área, seria ruim, porque um aviário demora 20 anos para se pagar”, comenta.

A filha do produtor, Tamara Luana Sippel, 20, despertou interesse pela atividade. Juntos, visam investir R$ 2,7 milhões em três aviários com capacidade para 180 mil aves. Para manter o projeto, buscam adquirir outra área. Entretanto, encontraram dificuldades. Em Teutônia, há poucas áreas rurais em preço acessível à venda, afirmam. Além disso, encontram terrenos rochosos e irregulares. Visando Paverama, Sippel foi barrado pelas exigências das normativas avícolas. “Procuramos comprar alguns terrenos, mas não se enquadram dentro dos três quilômetros de distância de outros aviários”, esclarece.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia, com extensão de base em Westfália, Liane Brackman, salienta que houve diálogo antes da nova regra ser imposta. Ela conta que os agricultores já estavam no local e que não há necessidade de expandir sobre o meio rural. “Não somos contra as moradias, mas sabemos que há muitas áreas livres no perímetro urbano.”

Clairton Spellmeier, 32, tem terreno de 1,5 hectare ao lado da divisa entre área urbana e rural. A área poderia ser utilizada para produção, mas ficará para moradia.

A 500 metros adiante, ele cria cem vacas holandesas. Embora a delimitação não tenha afetado diretamente, tem receio quanto à produção no futuro. “O ruim é que ficou perto do loteamento, mas se o limite urbano não ampliar não teremos problemas”, realça.

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