Excesso de chuva prejudica safra e formação de cachos de uva

Neste ano, os resultados da safra de uva de Arvivane Parisoto (43), dono de uma vinícola em Anta Gorda, não foram os esperados pelo produtor. Ele, que colhe cerca de 30 mil quilos da fruta por safra, enfrentou problemas com mofo antes da colheita. Segundo informações do escritório regional da Emater/RS-Ascar, a frutificação dos parreirais no Rio Grande do Sul foi prejudicada pelo excesso de chuvas no momento da formação dos cachos, o que motivou o surgimento de doenças causadas por fungos. “A uva requer clima seco”, comenta o engenheiro agrônomo Derli Paulo Bonine.

Outros produtores enfrentaram as mesmas dificuldades de Parisoto. De acordo com Bonine, os prejuízos verificados na área de atuação do escritório regional da Emater/RS-Ascar giram em torno de 10%. As videiras foram atacadas, principalmente, por míldio (mofo), glomerela (podridão do cacho) e a antracnose – comuns quando há muita precipitação durante a formação dos cachos.

Estas doenças podem ser tratadas preventivamente, com aplicações de fungicidas. No entanto, quando as chuvas são frequentes, o engenheiro agrônomo explica que o produto utilizado – à base de cobre – não surte o efeito desejado. No entendimento de Bonine, “não há como evitar perdas.”

Menos sol, menos açúcar

Parisoto também conta que o grau de açúcar da uva sofreu influência do excesso de chuvas. “Sem sol suficiente, a graduação fica prejudicada”, explica o produtor. Segundo Bonine, a uva deste período está menos doce. Ele observa que, quando as frutas são para consumo “in natura”, isso praticamente não causa alterações. Já para as frutas destinadas à elaboração de vinhos, o grau de glicose precisa estar em conformidade com o padrão técnico: no mínimo, 15º.

Práticas recomendadas

Para evitar ou minimizar os estragos, é preciso que o agricultor adote algumas práticas recomendadas pela área técnica. Uma delas é a retirada de ramos sem frutas e que ocasionam sombreamento aos cachos, já que isso contribui para o surgimento de doenças fúngicas, lembra Bonine. No entanto, segundo o engenheiro agrônomo, isso demanda mão de obra extra, nem sempre disponível em todos os parreirais. “Estas práticas, quando possíveis, auxiliam de maneira considerável para que as uvas tenham mais qualidade”, observa o profissional.

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