Evolução colocou suíno na linha

Vale do Taquari – O exemplo mais clássico da dieta controlada e altos rendimentos é a suinocultura, que abandonou definitivamente a geração do porco-banha ao abrir espaço para os cortes mais leves e menos calóricos. Para alcançar o resultado desejado, os criadores aliaram genética com dieta alimentar. Se há 50 anos mais da metade do peso do animal era formado pela banha, hoje não chega a 5%. Por isso, não é exagero chamar a carne suína de light.

Conforme o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, a maioria do plantel de suínos criados no Estado é confinada e esse tipo de sistema exige cuidados rigorosos. “Cada fase da vida do animal tem uma alimentação diferenciada e é preciso fazer cálculos das necessidades diárias para a formulação do arraçoamento ideal.” A dieta moderna é composta de milho, farelo de soja e premix, com vitaminas, minerais e aminoácidos. Folador calcula que um suíno de 100 quilos consome entre 230 e 250 quilos de ração, dependendo da genética do animal e do sistema adotado pela integradora.

Ilânio Johner diz que a Granja Balduíno, situada na localidade de São Gabriel, interior do município de Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari e fundada pelo seu pai, acompanhou a evolução da atividade. “O pai criava o porco-banha e tratava com milho, mandioca e farelo de trigo. Naquela época, o suíno ia para o frigorífico com mais de um ano e pesava de 140 a 150 quilos.” A conversão alimentar era de 3,5 quilos de ração para 1 quilo de carne. Hoje, 1 quilo de animal é produzido com 2,2 quilos de alimento. A nutrição mudou radicalmente. Com o tempo, a mandioca foi abolida da dieta e introduzida a ração balanceada. O velho cocho de madeira foi substituído pelo comedouro automático.

Outra evolução foi a sanitária. A Granja Balduíno, que é especializada na produção de fêmeas e machos para reprodução, é certificada pelo Ministério da Agricultura e autorizada pela Embrapa para o fornecimento de genética suína. “As exigência são muitas para mantermos a certificação. Hoje, ninguém mais circula pelos nossos chiqueirões sem antes trocar de roupa e tomar banho. Até para os passarinhos há tela de proteção, que não podem mais comer os restos de quirela”, afirma o suinocultor.

As regras de bem-estar animal também evoluíram: o ambiente onde estão os suínos é climatizado. “O calor ou o frio em excesso prejudicam a conversão alimentar, por isso a preocupação com o conforto dos suínos.”

Tecnologia que emagrece

A suinocultura é um bom exemplo onde o uso da tecnologia deu resultado. Até a década de 1970, quanto mais gordura, melhor era a avaliação e o preço pago. Atualmente, a remuneração leva em conta a espessura do toucinho e quanto mais magro, melhor.

Algumas linhagens apresentam mais gordura na carcaça, outras crescem mais rápido e há raças que produzem maior número de leitões. O setor não utiliza aditivos ou hormônios.

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