Evento sobre Bovinocultura de Leite reúne mais de 200 pessoas em Coqueiro Baixo

Mais de 200 pessoas estiveram reunidas em Coqueiro Baixo na terça-feira, dia 11, para evento sobre Bovinocultura de Leite. A atividade – parte do programa Leite Gaúcho, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR/RS) – foi dividida em duas etapas: na parte da manhã, houve palestras sobre higiene antes e durante a ordenha e limpeza dos equipamentos. Na parte da tarde foi realizada atividade de campo sobre os mesmos temas, na propriedade do produtor César Soldi. A promoção foi da Emater/RS-Ascar e da Secretaria da Agricultura.

Para César, morador da localidade de Linha Garibaldi, receber um público tão grande em sua propriedade, é motivo de orgulho. Com um rebanho de 28 vacas, sendo vinte em lactação, produz uma média diária de 480 litros de leite. Número que, acredita, pode ser ainda mais alto, com ações envolvendo o melhoramento genético, por exemplo. Mas nem sempre foi assim. Em 2003, quando César já tinha mais de 20 anos, a família possuía cinco vacas que não chegavam a produzir 50 litros. “Foi meu pai (seu Gabriel Soldi) que me incentivou a ficar, me estimulando a ser dono do meu negócio e a investir na propriedade”, recorda.

Com investimentos que se aproximam dos R$ 100 mil, César construiu um free-stall, onde deixa as vacas durante o dia, à sombra, alimentando-se de silagem. A propósito da nutrição, ela é parte fundamental do ganho de produção do bovinocultor. Hoje a dieta dos animais é balanceada, com silagem, feno, ração, sal marinho e pastagem. “À noite, elas ficam nos piquetes e comem à vontade” explica. Também a participação em cursos, capacitações e dias de campo, como os promovidos pela Emater/RS-Ascar, também possibilitaram o crescimento. “A gente sempre aprende alguma coisa” garante.

Um dos visitantes da propriedade de César foi o bovinocultor de leite Juari Ceratti, de linha Arroio da Laje. Com um plantel de oito vacas, que produzem em média 100 litros de leite por dia, acredita ser importante a aquisição de conhecimentos em eventos do tipo, com vistas a ampliar a produção do rebanho. “Tem muita coisa que a gente não sabe, às vezes são pequenos detalhes, que podem ser muito úteis no dia a dia” acredita. Juari, que antes de retornar para a propriedade chegou a trabalhar em uma churrascaria de São Paulo, cita o manejo de pastagens e o melhoramento genético como determinantes para o crescimento produtivo.

O gerente adjunto da Emater/RS-Ascar de Lajeado, Diego Barden dos Santos, foi um dos palestrantes do dia. Em sua fala, abordou o manejo e a higiene da ordenha, ressaltando aspectos como a importância de se lavar e secar bem os tetos antes da ordenha, de se colocar corretamente o conjunto de ordenha e de estimular corretamente a vaca antes do procedimento. “Se vocês observarem bem, a vaca ‘fala’ com vocês. Se algo estiver errado, ela vai sapatear, ela vai se mexer e tudo o que ela não pode ter é estresse nessa hora, sob pena de ‘segurar’ o leite, fazendo com que se perca dinheiro”, enfatizou. Durante o evento também houve palestras com representantes da Dália Alimentos.

Homenagens e despedida

Além do grande número de agricultores, a atividade contou com a presença de uma série de autoridades, entre elas o coordenador da SDR/RS no Vale do Taquari, Rudimar Müller, o assistente técnico estadual em Reflorestamento da Emater/RS-Ascar, Dirceu Slongo, o prefeito de Coqueiro Baixo Veríssimo Caumo e o prefeito de Nova Bréscia Gilnei Agostini, além de secretários, vereadores e outras lideranças locais. Além de participar da atividade, a intenção era a de homenagear o técnico agrícola da Emater/RS-Ascar, Norberto De Maman, que, após 35 anos de trabalho dedicado aos produtores da região, solicitou seu desligamento da Instituição, no final do ano passado.

Antes de se despedir, o que ocorrerá em junho, De Maman, recebeu diversas homenagens, entre elas o prêmio “Destaque Leiteiro” concedido pelo Escritório Regional de Lajeado, a equipe que promove o maior evento sobre Bovinocultura Leiteira na região. Slongo, que foi o primeiro chefe do extensionista, se disse emocionado por ver o resultado atingido por alguém que amou o seu trabalho durante a vida toda. Em sua fala, De Maman dividiu os méritos com as administrações municipais e com os agricultores, recordando inúmeras das ações desenvolvidas no decorrer dos anos. “Me despeço com a sensação de missão cumprida, tendo a certeza de fazer parte da história e do desenvolvimento desse município” afirmou.

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