Estiagem e colheita irregular afetam safra, e preço do pinhão sobe até 30%

Agrônomo da Emater/RS-Ascar explica que um dos problemas da falta da semente no RS está relacionado com a estiagem na época da fecundação

Lajeado – A estiagem que atingiu o Estado comprometeu a produção de pinhão. Com menos oferta no mercado, o consumidor chega a comprar o produto com um reajuste entre 15% e 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Em Lajeado, em supermercados e varejistas, o valor do quilo oscila entre R$ 5 e R$ 6.

Conforme o engenheiro-agrônomo da Emater/RS-Ascar, Odilon Soares da Costa, a seca causou um problema na polinização. “A discrepância do pólen na fecundação da árvore de pinhão masculino com o pinhão feminino atrapalhou a produtividade das pinhas, que necessitam de uma temperatura adequada para se desenvolver.” A situação poderá se repetir no próximo ano, no Estado. “É um fato transitório de ano para ano, o quadro pode melhorar ou não. Tudo depende do clima no Estado.”

O engenheiro florestal da Emater regional, Álvaro Mallmann, acrescenta que o problema do Rio Grande do Sul se concentra na coleta irregular das sementes. Os produtores costumam começar a colher dia 15 de abril, mas a maioria, para ganhar preço, antecipa a colheita. Mallmann explica que com a prática, a planta fica sem condições de se recompor para o ano seguinte. “Esse desrespeito foi frequente em 2012, por isso em 2013, a colheita é baixa. De exportador, o Estado passa a ser importador, e a tendência é de piorar se não houver mais responsabilidade por parte dos agricultores”, alerta.

Com pouco produto no Rio Grande do Sul, o vendedor Luiz Vieira reforça o estoque com pinhão do Paraná. “Está mais caro, mas quem aprecia, não se importa em pagar um pouco mais”, afirma o comerciante, que viu o preço passar por reajuste de mais de 100% nos últimos dois anos. “Em 2011 vendia o quilo a R$ 2,50; hoje vendo a R$ 6.”

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