Especialistas defendem mais conexão e articulação para promover cidades criativas

A Construmóbil 2015, junto com o Jornal A Hora, protagonizaram na última quarta-feira, dia 23, um debate histórico sobre questões urbanas relacionadas ao tema Cidades Criativas. Realizado nos ambientes da feira, o evento reuniu cinco painelistas que durante cerca de duas horas apresentaram suas ideias e reflexões em torno de eixos estratégicos definidos pela organização. Patrimônio Histórico, Ambiente e Desenvolvimento, Economia Criativa, Espaços Públicos e Mobilidade Urbana foram os assuntos que nortearam a discussão acompanhada por uma plateia atenta de empresários e profissionais liberais. Entre tantas manifestações, a conexão e a articulação foram destacadas como estratégicas para a evolução do tema Cidades Criativas. O painel foi transmitido ao vivo pelo site da Construmóbil 2015 e acompanhado por 344 pessoas. Muitos do Vale do Taquari, mas também de outros estados e até de internautas estrangeiros, como de Estocolmo, cuja atenção ao programa teve duração de 27 minutos se conectaram.

Para a arquiteta e gestora do Centro de Cultura Vila Flores, Aline Bueno, tudo começa pelo vínculo das pessoas com o lugar onde moram. “É preciso uma relação de cuidado e carinho. Assim, os cidadãos compreendem que a cidade é, de fato, sua”. Para ela, iniciativas existem, e o que falta é articulação e valorização da diversidade das ações. O ponto de vista é dividido pela arquiteta e professora da Unisinos, Cibeli Vieira Figueira, que acrescentou sua opinião quanto ao desafio de colocar as ações em prática, bem como de garantir sua continuidade. “Penso que mais importante que o envolvimento do gestor público, é preciso que tenhamos pessoas comprometidas, um grupo coeso que define as coisas. Isso transpõe as gestões”.

Professor da Univates e arquiteto, Augusto Alves lembrou que o Brasil atual está cada vez mais urbano, com taxa de ocupação de 85%. “O tema cidades criativas é fundamental”. Alves apresentou ideias em diversas áreas, entre as quais a mobilidade urbana. “Temos que avaliar todos os motivos que as ciclovias e bicicletários não vingam. Existe a cultura de que sucesso é ter um automóvel. Parte da sociedade olha para um ciclista com a concepção de que é um fracassado, e o mesmo com quem anda de ônibus. Somos muito bitolados em certas concepções”.

O painel que buscou pensar “a cidade que queremos” também abordou aspectos como a importância da essência, da construção da identidade, defendidas pelo arquiteto e professor da Unisinos, Adalberto Heck. Ao citar exemplos de intervenções das quais já participou, afirmou em tom de incentivo: “A gente tem que ir contribuindo. Vamos cair tombos, errar. O problema é não fazer”.

A secretária de Planejamento da Prefeitura de Lajeado, Marta Peixoto, comentou sobre os desafios do poder público em atender os anseios da população. “Temos que ir trilhando os melhores caminhos e fazer. Se ficássemos com medo das críticas, nada seria feito”.

O painel foi finalizado com mensagens de cada um dos participantes. Para a coordenadora da comissão do Cidades Criativas, bióloga Diana Blum Kunzel, o evento é o marco inicial de trabalho que não pode parar. “Estamos sofrendo de normose, tudo é normal, a população não discute, não briga”, comentou, fazendo referência a temas como prédios históricos, praças, árvores, entre outros aspectos. O resumo dos assuntos tratados no painel será publicado num documento pós-feira e servir de motivação para ações e medidas futuras.

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