Ervateira Putinguense sediará reunião da AAVT

A próxima reunião da Articulação em Agroecologia do Vale do Taquari (AAVT) ocorre no dia 16 de abril, a partir das 14h, na sede da Ervateira Putinguense, que fica na localidade de Santos Filho, em Putinga. O objetivo do encontro será realizar um dia de campo em meio ao erval presente na propriedade da família Guadagnin, que serve como base para a produção de erva-mate nativa cultivada em sistema agroflorestal. No local é feito o manejo natural, valorizando o uso de coberturas verdes, o sombreamento, a proteção de fontes, o reaproveitamento da água da chuva e, consequentemente, a biodiversidade e a sustentabilidade.

O sistema possibilitou à Ervateira Putinguense receber, em 2003, a certificação FSC (Forest Stewardship Council), uma forma de atestar o cultivo em consórcio com espécies florestais e alinhado às técnicas que garantem a sustentabilidade da produção. No local será possível, de acordo com o assistente técnico da Emater/RS-Ascar em Manejo de Recursos Naturais, Marcos Schäfer, observar a mata ciliar, a diversidade de pequenos animais, fungos e insetos, a riqueza do solo e a abundância da água, tudo em um sistema em que os ervais estão integrados de maneira natural ao ambiente.

No local são 69 hectares de ervais em sistema agroecológico, que possibilitam a produção de dois mil quilos de erva-mate nativa ao mês, que é comercializada ao valor de R$ 12,00. “É uma produção limitada, mais característica dos meses de inverno, e que tem alta procura, com clientes ligando de outros estados para pedir reserva”, explica uma das sócias da agroindústria, a bióloga Micheli Guadagnin da Silva. Além disso, a família tem contrato com uma empresa de cosméticos, que trabalha exclusivamente com a erva-mate certificada, o que limita ainda mais o volume a ser comercializado no varejo.

Como alternativa, a ervateira produz um tipo intermediário de erva-mate – com rendimento de 28 mil quilos ao mês –, com o envolvimento de agricultores que utilizam um sistema muito próximo do agroecológico, que é comercializada a R$ 9,00, enquanto a tradicional custa R$ 6,00 o pacote. “Além de quatro sócios, possuímos seis funcionários e 50 agricultores que nos fornecem a matéria-prima”, explica Micheli. Mas o carro chefe é mesmo a erva-mate nativa, que permanentemente desperta o interesse da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de universidades e de outras empresas ligadas ao setor, que realizam pesquisas, estudos e visitas guiadas no local.

Sobre a AAVT 

A AAVT é uma rede de entidades que apoiam a Agroecologia no Vale do Taquari. São entidades de representação dos produtores, institutos de pesquisa e ensino e organizações de apoio aos agricultores e consumidores. Atualmente, integram a entidade a Associação Agroindustrial de Forquetinha (Agrofor), Associação de Mulheres Colinenses (AMC), Associação Ecobé, Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Emater/RS-Ascar, Grupo de Produtores Ecologistas de Forqueta, secretarias de Agricultura de Arroio do Meio e Colinas, STR, Uergs e Univates.

Em reuniões passadas a Articulação já promoveu palestras com temas como elaboração de caldas naturais para o controle de pragas e doenças em hortas e pomares, adubação do solo, promoção da biodiversidade, legislação de produtos orgânicos, utilização da vespinha para controle da lagarta do cartucho em grãos, além de ter promovido exibições do filme “O Veneno Está na Mesa”. “É parte do trabalho da AAVT promover ações em agroecologia, como forma de valorizar atividades que tenham como base processos sustentáveis”, ressalta Schäfer.

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