Erva-mate: Procedência de mudas deve ser observada pelos produtores

A produção de mudas de erva-mate é tradicionalmente feita em embalagens de sacos plásticos, em tamanhos variados. Já há alguns viveiristas produzindo no sistema de tubetes e bandejas plásticas. E recentemente, alguns iniciaram a produção em recipientes biodegradáveis acondicionados em caixas de madeira. Quanto à qualidade produzida, há mudas de diversos matizes. “Porém, grande parte é muda de baixa qualidade e sanidade, pois não se observa, na produção e comercialização, a relação do tamanho da embalagem com o tamanho da muda, e nem a sanidade. Fatores estes, determinantes para o sucesso da planta no campo”, explica o diretor executivo do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), roberto Ferron.

Segundo ele, também se deve observar que antes da produção da muda, veem as sementes. E antes dessas, a escolha de árvores superiores, ditas árvores matrizes ou porta sementes. “No Rio Grande do Sul, não há qualquer árvore matriz catalogada e registrada, com exceção da variedade Cambona 4, de Machadinho”, comenta. Para Ferron, o primeiro passo na busca pela melhoria dos ervais, esta na identificação, catalogação e registro de árvores matrizes, com a finalidade de se obter sementes de qualidade genética superior, e também, para se produzir mudas via propagação vegetativa, ou seja, clonagem. “Uma das metas do Ibramate é iniciar o desenvolvimento deste garimpo, em breve” coloca.

Para saber se a muda é de qualidade

De acordo com Ferron, alguns parâmetros são fundamentais para ter uma muda de alto padrão de qualidade. “Ela tem que ter no máximo 1,5 vezes o tamanho da embalagem; as folhas devem ter tom verde escuro ou verde amarelado, sem presença de pintas pretas, manchas escuras, pontas ressequidas ou folhas enroladas e retorcidas, que caracterizam mudas atacadas por pragas e doenças; além disso, ela deve ser bem folhada. Assim, as mudas estarão preparadas para as adversidades quando forem plantadas no campo, não necessitando de cobertura com tabuinhas ou outro tipo de proteção”, ressalta.

Segundo ele, a produtividade de um erval esta ligada a genética, ao padrão de qualidade e sanidade da muda produzida e plantada. “Estas, entre outras, são as razões de um erval produzir 400 arrobas por hectare por safra numa determinada área, e outro numa área vizinha produzir 1.500 arrobas por hectare por safra”, exemplifica.

A valorização pago pela arroba em 2013, faz com que os pesquisadores projetem aumento significativo nas áreas plantadas, o que segundo Ferron, poderá aumentar a oferta de mudas de baixa qualidade. “Acreditamos que serão plantadas em torno de 20 milhões de mudas, o que corresponde a 10 mil novos hectares, no Estado, e isso aumenta o alerta sobre a genética e sanidade das plantas”, finaliza.

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