Entidades entregam uma carta ao secretário da Agricultura do Rs manifestando preocupação com a proposta que reduz o percentual de crédito presumido e a importação de leite

Audiência reuniu representantes de entidades regionais e cooperativas do Vale do Taquari

Movimento Vale dos Alimentos /Vale dos Lacteos

O documento apresentou dados da produção no Vale do Taquari (VT). A região é responsável por 23% das galinhas, galos e frangos e 16% dos suínos do Estado do RS, em uma área inferior a 2% do território estadual.  Ainda de acordo com o levantamento do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), mais de 80% da economia do VT está vinculada ao agronegócio.

A audiência foi liderada pelo Codevat  em parceria com representantes das Cooperativas Languiru e Cosuel, Emater, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, Colegiado de Desenvolvimento Territorial (Codeter), Câmara da Indústria Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC VT), APL (Arranjo Produtivo Local) Vale do Taquari.
A presidente do Codevat Cíntia Agostini manifestou a apreensão com a proposta do Governo do Estado que pede a redução do percentual de crédito presumido.
“Se isso for aprovado nós tememos a perda da competitividade, pois não vamos conseguir vender para fora do estado.”

Com essa proposta, o governo estadual estima aumentar a arrecadação anual em R$300 milhões entre 2016 a 2018. Mas as entidades presentes no encontro afirmam que as perdas serão muito maiores para as empresas. A estimativa é que, somente na cadeia leiteira, as perdas anuais, perpassam R$ 240 milhões.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul Ernani Polo disse que o crédito presumido não é um beneficio.  “ É a sobrevivência do setor, se for tirado vai acabar com a competitividade. Nós estamos batalhando para que os créditos do setor de proteína animal não sejam mexidos.”

O presidente da CIC VT Ito José Lanius levantou outro ponto importante, a importação de leite.  “ A  CIC VT e as demais entidades regionais manifestaram apoio as medidas adotadas pelo governo para combater a crise, mas a nossa preocupação é em relação a importação de leite. Nós queremos entender por que isso está acontecendo?”

O secretário da Agricultura de Estrela José Adão Braun ressaltou que é preciso ter critérios mais rígidos na importação de leite. “ É preciso forçar o estabelecimento de uma cota imediata para o Uruguai, afim de impedir a entrada do leite uruguaio.”

Já o presidente da Languiru Dirceu Bayer falou sobre a desestruturação da cadeia do leite.  “ Os produtores estão desprotegidos, eles precisam construir com recursos próprios os estábulos e não tem a proteção como por exemplo recebem os agricultores ou mesmo quem produz suínos e aves.”

O vice-presidente da Cosuel, Pasqual Bertoldi afirmou que as cooperativas correm um grande risco, se não houver mudanças para beneficiar a cadeia produtiva do leite.  “ As empresas multinacionais estão levando nossos melhores produtores de leite, estamos perdendo e muito a cada dia.”

Na reunião, os representantes manifestaram que estão dispostos a discutir ações conjuntas para encontrar alternativas que não prejudiquem as empresas e os produtores da região e de todo estado. O assunto deve ser encaminhado para os deputados e o governo estadual.

Fonte Simone Wobeto/SWobeto Editoria e Vídeo

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