Entidades e prefeitura projetam um novo Parque do Imigrante

Na parte baixa do Parque do Imigrante, o anfiteatro permite que o público assista ao espetáculo ao ar livre graças ao palco com boca de cena externa. Enquanto isso, nas salas das entidades sociais, um espaço é dedicado para que crianças carentes estudem música e teatro. Nos pavilhões reformados, uma empresa alemã realiza uma feira de equipamentos agrícolas voltada a produtores de todo o Estado.

Não, isso não é loucura, é apenas uma previsão de como será o futuro de um dos principais pontos turísticos de Lajeado.

A estrutura faz parte de um projeto ambicioso que vem sendo discutido pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e por outras 20 entidades da região; uma ideia debatida há cerca de três anos que agora vem a público; um espaço que, quando concretizado, será capaz de impulsionar a economia regional e colocar o município como polo gaúcho de turismo de eventos.

É nisso que acredita Alex Schmitt, advogado que presidiu a Acil até o início do ano e que tem capitaneado a equipe que busca a concretização do Centro de Eventos Parque do Imigrante.

“Lajeado tem um grande potencial não explorado. Tem uma vantagem competitiva por estar próxima da Região Metropolitana e de outros polos do Estado. Estamos no centro demográfico do Rio Grande do Sul. Todos os caminhos convergem para cá, e devemos aproveitar isso como suporte para viabilizar o investimento.”

Foco em eventos

O projeto futurista nasceu com a vontade de entidades representativas de diversos setores de criar uma estrutura capaz de abrigar suas sedes e seus projetos. Com o tempo, a ideia foi além. Mais do que uma edificação para clubes de serviço e entidades de várias áreas, se pretende revitalizar todo o Parque do Imigrante – e nele projetar um espaço capaz de abrigar áreas de lazer e grandes eventos.

Para isso, porém, as 21 entidades aguardam a cessão de parte do terreno para que possam edificar o primeiro espaço. Como explica o prefeito Luís Fernando Schmidt, esse passo já está sendo encaminhado. O caso passa por uma análise jurídica para avaliar os trâmites necessários antes que um projeto seja encaminhado à Câmara de Vereadores para que se vote a possibilidade de cessão do espaço.

“É um projeto que afirma a necessidade de mantermos um espaço para feiras, mas também afirma que se tenha um local para grandes encontros e simpósios das mais diversas áreas, aproveitando um local muito bem localizado, perto da BR-386 e que reforça a importância da lógica do turismo de negócios”, explica. “É um projeto a médio e longo prazo, mas que deve ser iniciado a curto prazo, sempre com a lógica da parceria público-privada.”

Potencial

Transformar o Vale do Taquari em uma referência no turismo de eventos tem sido uma bandeira defendida pela Acil nos últimos anos. Como explica o atual presidente da entidade, Miguel Arenhart, o que se tem até o momento é um esboço, uma proposta que busca levantar ideias, e não um projeto definitivo.

“Quando o espaço for cedido pelo município, as 21 entidades poderão construir lá a sua sede em etapas, uma estrutura que atenda exatamente suas necessidades. Esse será o primeiro passo. Depois, se trabalhará na revitalização de todo o Parque”, esclarece.

“Estamos em uma região com potencial para grandes eventos, mas carecemos de espaço físico para isso e de uma estrutura que comporte algo nesse nível, como redes hoteleira e gastronômica. Mas apostamos muito no turismo de negócios e eventos como forma de fomentar a economia de Lajeado e de toda a região”, enfatiza.

Em questão

De que forma esta obra vai impactar a região próxima ao Parque do Imigrante?
Alex Schmitt – Uma preocupação que tivemos desde o início é minimizar o impacto dos eventos para que os moradores não sejam importunados. Durante a Expovale, por exemplo, ocupamos muitas quadras com estacionamento, o que atrapalha o fluxo normal dos moradores. Então, a ideia é que se construa um estacionamento interno, com 1,2 mil vagas, para reduzir o impacto nas ruas próximas. Também se pensa na acústica e em outras coisas para melhorar a interação do parque com o bairro, que é um dos mais tradicionais do município.

Como será feito este trabalho e que estruturas serão construídas no Parque?
Schmitt – No espaço em que funcionará a sede das entidades envolvidas, o investimento será destas entidades, sem uso de recursos públicos, a não ser o espaço público que o município irá ceder. No segundo momento, o trabalho será para revitalizar os pavilhões existentes, para que possamos pensar em feiras maiores do que as realizadas hoje.

Também se terá um espaço para eventos artísticos, corporativos, empresariais, uma espécie de anfiteatro que também possa proporcionar lazer para as pessoas. Um dos pontos interessantes é que o local terá um palco com uma boca de cena também na parte externa. Terá uma praça seca para que as pessoas possam apreciar uma apresentação artística ao ar livre em uma tarde de domingo, por exemplo.

Ainda terá um espaço que fará o resgate histórico da região, a Via Cidade, uma integração do parque que representa nossa cidade hoje (o Parque do Imigrante) com um caminho que leva ao Parque Histórico, para que possamos sempre homenagear e lembrar os que nos antecederam e construíram a nossa região.

Em quanto está orçada a obra e como será custeada?
Schmitt – Ainda não temos um orçamento porque ainda não temos o projeto. Quando estiver alinhavada a cessão da área, contrataremos profissionais para elaborarmos esse projeto. A primeira parte será a sede das entidades, e como elas vão usar, é justo que façam o custeio da obra, sem onerar os cofres públicos. Para os outros espaços, como a revitalização dos pavilhões e a área de eventos, queremos juntar um grupo de voluntários para que possamos montar projetos de captação de recursos. Na equipe de voluntários temos pessoas que trabalham com cultura e eventos, sabem como funciona a captação e dizem que existem recursos federais, por exemplo, que poderiam ser utilizados para um projeto como este.

Saiba mais

O Centro de Eventos Parque do Imigrante foi idealizado por 21 entidades: Associação Comercial e Industrial de Lajeado; Câmara de Dirigentes Lojistas de Lajeado; Sindilojas Vale do Taquari; Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari; Sebrae VTRP; Comitê Regional da Qualidade VT; Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Vale do Taquari; Delegacia Regional do Sindicato das Empresas de Carga do Estado do Rio Grande do Sul; Sindicabes; Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública; Parceiros Voluntários Lajeado; Sirecom-VT; Rotary Club de Lajeado; Rotary Club de Lajeado-Engenho; Rotary Club de Lajeado-Integração; Lions Club Lajeado-Centro; Lions Club Lajeado-Florestal; Rotaract Club de Lajeado; Rotaract Club de Lajeado-Integração; JCI Lajeado; Interact Club.

Como será o parque do futuro

Os arquitetos Camila Blatt Mirapalhete e Rodrigo Bergonsi, da empresa Tartan Arquitetura, foram os responsáveis pelo desenvolvimento do conceito do Centro de Eventos Parque do Imigrante. Segundo Camila, se fez uma provocação, não um projeto executivo. “Tudo foi feito de acordo com as metragens solicitadas pelas entidades, e é um projeto exequível, mas tem muito a se caminhar para se tornar um projeto de verdade”, explica.

Ainda assim, a projeção preocupa-se com a sustentabilidade econômica e ambiental da edificação. “Quisemos aplicar um conceito de empoderamento, porque é importante que as pessoas continuem se sentindo um pouco ‘proprietárias’ disso. Pensou-se no resfriamento da cobertura, reutilização da água, todas ferramentas sustentáveis já conhecidas. É uma forma, também, de atrair eventos internacionais que exigem certificação verde”, ressalta.

Para Alex Schmitt, fazer com que o Centro de Eventos saia do papel tornou-se uma missão de vida. “O projeto atende demandas que temos e as que teremos no futuro. Não pensar no futuro é um erro muito comum que cometemos, mas a cidade vai crescer e precisamos pensar em algo que vá muito além de nós mesmos. Não estaremos aqui para ver, mas os reflexos do que pensamos ficarão de legado positivo para as futuras gerações.”

O Parque do Imigrante será dividido em quatro grandes módulos

  1. Os pavilhões 1, 2 e 3, onde ficam os expositores em eventos como a Construmóbil, serão revitalizados, com uma cobertura que unificará todas as estruturas. Também será erguido o pavilhão 4, com teto mais alto, para abrigar eventos que exijam mais espaço para os produtos em exposição;
  2. A área que já foi destinada a rodeios e que tem servido como espaço para shows (na Expovale, por exemplo), abrigará o edifício das entidades sociais, com espaço para que desenvolvam seus trabalhos e criem novos projetos em benefício da comunidade;
  3. O local terá, ainda, 1,2 mil vagas de estacionamento interno divididas em três pavilhões;
  4. Será construído um teatro com espaço interno para mil pessoas e palco do lado de fora, caso se queira realizar espetáculos ao ar livre;
  5. Na área central do Parque do Imigrante, a Via Cidade criará um corredor de lazer com um túnel que passará por baixo da Avenida Lourenço M. da Silva e fará a ligação com o Parque Histórico. Nas laterais, projetam-se espaços para instalações de bares e restaurantes.

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