Encontro Regional para Avaliação de Vinhos é realizado em Arvorezinha

A Emater/RS-Ascar e a prefeitura de Arvorezinha realizaram na sexta-feira, dia 8, no salão da comunidade de Linha Quarta Baixa, o IV Encontro Regional para Avaliação de Vinhos. O evento contou com a participação de cerca de 60 viticultores dos municípios de Nova Bréscia, Doutor Ricardo, Anta Gorda e Arroio do Meio, além da cidade sede. Na ocasião, o público pôde prestigiar palestra sobre o desenvolvimento da viticultura no município de Sarandi, ministrada pelos extensionistas da Emater/RS-Ascar Leonir Bonavigo e Dulcineia Haas Wommer, do Escritório Regional de Frederico Westphalen.

Outra atividade que envolveu a todos os presentes foi a avaliação dos vinhos trazidos pelos participantes do encontro. Os aspectos avaliados no concurso foram a cor, a limpidez, o aroma e o sabor de cada variedade. Os vinhos a disposição dos presentes eram elaborados com uvas Bordô, Niágara, Francesa e Champagne. Como forma de auxiliar os produtores no processo, o assistente técnico regional em Viticultura da Emater/RS-Ascar Derli Paulo Bonine ministrou painel sobre técnicas para uma melhor apreciação do produto, com base nos estudos realizados pelo enólogo Lourenço Vaccaro.

De acordo com Bonine, para uma boa degustação, há de se respeitar desde a temperatura e o horário em que é servido o vinho, passando pela forma de segurar a taça, até chegar ao alimento que servirá de acompanhamento para a bebida. Para o técnico, uma apreciação completa do produto também costuma envolver três sentidos: visão, olfato e paladar. “Ainda que haja quem acredite que até a audição, como quando ouvimos o barulho do ‘espocar’ da rolha, ou mesmo o som do vinho caindo dentro de uma taça, possam ser fatores que influenciem positivamente no processo”, ressalta Bonine.

Um dos apreciadores de vinho presentes no evento foi o produtor Leomir Rabaiolli, da localidade de São Sebastião, em Arvorezinha. Ainda que, por problemas de saúde, tenha diminuído a apreciação da bebida, Leomir afirma ser viticultor há mais de 20 anos. “Já houve safra em que vendi mais de oito mil litros de vinho e afirmo que teria vendido mais se tivesse tido uma maior produção”, orgulha-se. Com clientes de diferentes municípios como Ilópolis e Soledade, o produtor garante haver compradores que chegam a reservar algumas garrafas. “É que o nosso vinho é puro, sem nenhum aditivo químico”, observa.

Leomir sempre foi um entusiasta da fabricação de vinhos. Por meio da Emater/RS-Ascar e de outras empresas, já participou de vários eventos para a qualificação da produção. “Para um bom vinho, é necessário cuidar do parreiral, executar a poda na hora certa, entre outros cuidados”, diz. Em casa possui uma pequena cantina, com equipamentos que o auxiliam a processar a bebida. Ainda assim, não pensa em aumentar a produção. “Hoje faço pequenas vendas para vizinhos e amigos, enfim, pessoas que já conhecem a minha bebida”, ressalta.

Já o jovem Émerson de Bona Pecin, da localidade de Linha Quarta São Brás, Arvorezinha, pretende seguir os caminhos do pai, Idocir, produtor de vinhos há muitos anos. Com um hectare e meio de parreirais de uvas, costuma colher uma média de 28 toneladas da fruta por safra. “A maior parte da produção, cerca de 80% é vendida in natura e o restante vira vinho que é vendido para amigos e parentes”, explica. Mesmo com apenas 18 anos, Émerson já fala em seguir na propriedade e investir no negócio. “Não sei afirmar se, algum dia, implantarei uma cantina, mas o que sei é que quero ampliar a qualificar a nossa produção”, analisa.

Para Bonine, a realização do evento é uma forma não apenas de valorizar os produtores que investem no processo artesanal de elaboração de vinhos, sendo também uma forma de avaliar a sua evolução em termos de qualidade. “A ciência já comprovou os benefícios da bebida para a saúde, se tomado com moderação, evidentemente, cabendo a nós trabalhar para o desenvolvimento e o fortalecimento da atividade”, ressalta. O técnico acredita que a região alta do Vale do Taquari ainda tem muito a crescer. “Temos que pensar em uma realidade que vá para além daquela que envolva a venda de vinhos para amigos, conhecidos ou parentes”, finalizou.

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