Encontro Empresarial: A paixão que construiu uma marca

Se uma palavra poderia resumir uma história de sucesso empresarial, sem dúvida é “paixão”. Foi assim que o sócio proprietário e presidente do Grupo Famiglia Valduga, Juarez Valduga, encantou e divertiu o almoço de cerca de 40 empresários teutonienses no primeiro Encontro Empresarial de 2014, evento organizado pela CIC Teutônia e Sebrae/RS, no dia 10 de junho, no Baviera Park Hotel.

Bastante descontraído, ele falou da história da vinícola da Serra Gaúcha, dos produtos e projetos futuros, focando o empreendedorismo e o uso da tecnologia. Autodenominado como uma pessoa persistente, o empresário falou de vocação. “Qualquer que seja seu negócio, goste do que faz, assim o trabalho não se torna cansativo e as dificuldades ficam mais fáceis de serem vencidas. Faça do seu dia a dia um prazer”, sugeriu, enaltecendo ainda a importância da marca. “Um dos segredos é a marca, a imagem da empresa, que são a alma de qualquer negócio. Ela vai muito além do nome, é como você é respeitado.”

Valduga falou da sua história de vida e lembrou os 23 anos de idade, quando assumiu a vinícola da família. Bastante emocionado, fez questão de trazer seu chapéu de palha camponês. “Sou formado colono e tenho muito orgulho disso. Uma das minhas maiores virtudes foi ter nascido pobre, o que me fez desenvolver a capacidade de aproveitar toda e qualquer oportunidade”, disse, lembrando histórias pitorescas, cômicas e comoventes.

Crescimento

O palestrante lembrou a determinação para superação das inúmeras dificuldades, entre elas questões culturais da família. “Havia muita resistência para inovação e empreendedorismo, em especial nos anos 70. Foram dez anos vendendo o vinho seco de casa em casa, de cidade em cidade, embora o mercado me cobrasse um vinho suave. Nessa época um dos objetivos que tinha era vender mil garrafões de vinho para poder almoçar na melhor churrascaria de Porto Alegre. Depois de cinco anos, tive essa oportunidade e depois disso, por mais dez anos, toda vez que vendia mil garrafões almoçava neste restaurante. O engraçado é que eu era confundido com mendigo e eles me davam uma marmita para comer, com as sobras do dia, mas eu me sentia um rei, pois nunca havia comido uma carne tão boa”, divertiu-se.

Valduga foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento do Vale dos Vinhedos, com ideias inovadoras, entre elas a construção de uma pousada junto à vinícola. “Uma andorinha sozinha não faz verão, então com a união de esforços, hoje somos a segunda região mais visitada no Rio Grande do Sul. Em 2013 foram 250 mil turistas. Somos os primeiros a desenvolver o enoturismo na América Latina.”

Produtos inovadores

Depois de ingressar no mercado de vinhos finos, Valduga também lançou outros produtos como geleias e o suco de uva “sem nada”, como define. “Em 32 segundos o suco sai da uva e vai para a garrafa. Na geleia, passamos de 20 mil potes por ano para 20 mil potes ao dia, a partir do desenvolvimento de uma embalagem mais atrativa. Ao longo do caminho surgem muitas pedras, mas eu faço questão de lapidá-las”, afirmou.

Entre outros projetos recentes e futuros, ele destacou o chá de romã, uma cerveja com dois anos de fermentação, azeite de oliva, chocolate, sorvete e água. “Eu sou movido por desafios, preciso desenvolver coisas novas. Posso demorar, mas sei que vou alcançar meus objetivos. O sucesso depende de muito trabalho e muita fé”, salientou.

Negócios internacionais

Valduga também falou da marca da vinícola no mercado internacional. “Os produtos brasileiros são de muita qualidade, somos os melhores no espumante e no suco de uva. Nossa empresa exporta para mais de 20 países, e certamente isso se deve muito à qualidade do produto. Nós não vendemos vinho, vendemos conceito, a cultura do vinho. A Valduga está entre as cinco vinícolas mais modernas do mundo e para alcançar este patamar tivemos que conhecer as exigências do mercado externo.” Quanto à concorrência dos importados, concluiu que “isso motiva a busca constante por melhorias, mas o maior problema está na carga tributária, tornando nosso vinho caro, uma barreira para ser transposta”.

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